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Notícias | 2 de setembro de 2018 - 00:05


Os mitos de se abster de votar nas eleições

Saiba por que é importante exercer a cidadania e o seu direito de escolha

A expectativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é de que 147,3 milhões de pessoas compareçam às urnas em outubro. Contudo a taxa de abstenção preocupa a instituição, já que em 2014 cerca de 27 milhões de brasileiros não participaram da votação.
A abstenção é um problema antigo, mas ficou mais evidente neste ano durante as eleições suplementares para governador do Tocantins. No primeiro turno, realizado em 3 de junho, 43,5% do eleitorado anulou, votou em branco ou não compareceu para votar. No segundo turno, 34,86% do eleitorado se absteve.
O que ocorreu em Tocantins reflete o que os eleitores pensam sobre o voto. Logo depois do pleito, diversos boatos tomaram conta do Whats-App e sugeriam que os brasileiros seguissem o exemplo daquele Estado e não votassem nas próximas eleições gerais.
Para o cientista político Hilton Cesário Fernandes, a falta de interesse dos eleitores é fruto do pouco envolvimento político deles e da baixa credibilidade dos candidatos. “É um círculo vicioso: a população se distancia das urnas e a sociedade muda menos porque o quadro atual tem mais chances de continuar.”
Riscos
Deixar de votar gera pendências com a Justiça Eleitoral. Se o eleitor não justificar sua ausência, ficará impossibilitado de requerer documentos importantes, como passaporte, documento de identidade e benefício social.
Também não poderá participar de concurso público, solicitar empréstimo em bancos do governo ou estudar em instituições públicas.
Karina Kafu, advogada especialista em Direito Eleitoral, destaca que não adianta os brasileiros ficarem insatisfeitos se, em vez de votarem, permanecerem reclamando. “Não é à toa que quem não se interessa por política é governado por quem se interessa.”
Presidente, governadores e senadores são eleitos por voto majoritário e as abstenções não são contabilizadas. Já os deputados são beneficiados pelas abstenções porque precisam de menos votos para serem eleitos. Por isso, se não comparecemos às urnas, ajudamos um candidato a conquistar o cargo, mesmo que não o aprovemos.
A advogada faz mais uma observação relevante: “quando a pessoa repete a legenda, o voto dela é contabilizado para qualquer candidato que faça parte do partido ou de uma coligação. No Brasil, apenas 6,8% dos deputados federais são eleitos com votos próprios”, esclarece.
Nas suas mãos
Neste ano, apenas 21% dos jovens de 16 e 17 anos (cujo voto é facultativo) tiraram o título de eleitor. Pouco mais de 1 milhão deve comparecer às urnas – a taxa mais baixa desde 2012. Para Cesário, a queda representa a desilusão política de uma geração que não se sente identificada pelos candidatos.
Apesar disso, tanto os jovens quanto o restante dos eleitores devem entender que anular o voto, deixá-lo em branco ou se abster de votar são ações que não mudarão o cenário do País, mas apenas continuarão beneficiando aqueles que foram eleitos nesse processo e os interesses dos que os escolheram. Por isso, lembre-se de que ir às urnas é a sua oportunidade de decidir o seu próprio futuro e o de todos.
Mitos

  • Se 50% dos eleitores não forem às urnas, a eleição é anulada
    O que é verdade: se mais de 50%, não votarem o resultado da eleição será contabilizado com o voto das pessoas que votaram (votos válidos). A Justiça Eleitoral é a única que pode anular a eleição por irregularidades. Deixar de votar não garantirá uma nova eleição.
  • Se o eleitor não votar três vezes, o direito ao voto é anulado
    O que é verdade: o eleitor não perde o título de eleitor nem o direito ao voto, mas recebe uma sanção e deverá ir à Justiça Eleitoral resolver suas pendências.
  • Governos escolhidos com grande abstenção de votos são ilegítimos
    O que é verdade: as regras das eleições independem da pessoa votar e são elas que ajudam a definir o destino do País. Por isso, o resultado das eleições é legítimo, mesmo com alta taxa de abstenção

 


  • Katherine Rivas / Foto: Fotolia  



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