Onde estavam os holofotes, ali ela estava

Por trás da fama e dos seguidores, Marília da Silva escondia uma história marcada por exploração, drogas, depressão e uma profunda saudade de Deus

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Marília da Silva, de 51 anos, chegou à Universal ainda na infância, levada pela mãe. Na adolescência, foi levantada a obreira. No entanto, por trás da aparente dedicação, faltava o essencial. “Eu acreditava que tinha o Espírito Santo, mas hoje sei que não tinha. Era uma fé fingida”, reconhece.

Sem uma experiência genuína com Deus, aos 18 anos, Marília abandonou a fé. Pouco tempo depois, engravidou e foi abandonada pelo pai da criança. Envergonhada com a situação, casou-se com um homem que mal conhecia, mas que se dispôs a assumir sua filha. Com o passar dos anos, porém, o relacionamento se tornou abusivo. Após cinco anos de casamento, ela decidiu se separar. A decisão, no entanto, marcou o início de um novo período de sofrimento: durante dois anos, viveu sob constantes ameaças do ex-marido. “Passei dois anos fugindo dele pela cidade. Vivia um verdadeiro inferno”, relembra.

Uma proposta que parecia oportunidade

Em meio ao desespero, ela recebeu uma proposta que prometia estabilidade financeira e a oportunidade de recomeçar longe dos problemas que enfrentava. Então, deixou a filha aos cuidados da mãe e decidiu tentar a sorte na Europa.

Contudo, ao chegar no continente europeu, descobriu que havia sido envolvida em uma rede de exploração de mulheres. Endividada e sem alternativas, foi obrigada a se prostituir para quitar uma dívida imposta pelos criminosos. Durante meses, viveu confinada, trabalhando diariamente em condições degradantes. Para suportar aquela realidade, passou a usar drogas. “Era uma forma de conseguir fazer o que eu tinha que fazer ali. Eu tomava banho, me esfregava, mas a sensação de sujeira não saía. Porque o que estava sujo não era apenas o meu corpo, era a minha alma”, conta.

A gaiola de ouro

Algum tempo depois, Marília conheceu um homem milionário que a tirou da prostituição. Ela passou a viver cercada de luxo, frequentando ambientes da alta sociedade espanhola. Apesar disso, continuava presa emocional, financeira e espiritualmente. “Deixei de ser prostituta de vários homens para ser de um homem só. Vivia em uma gaiola de ouro”, revela.
Foi nesse período que ela se envolveu com um homem casado e engravidou dele. Ao descobrir a traição, seu companheiro encerrou o relacionamento de 12 anos. Influenciada pelo amante, Marília abortou o bebê e, logo depois, também foi abandonada por ele.
Por trás das aparências

Após o aborto, ela mergulhou em uma profunda depressão. Vieram as crises de pânico, a automutilação, o uso intenso de drogas e sucessivas tentativas de suicídio. Mesmo acompanhada por especialistas, tomando diversos medicamentos diariamente e praticando esportes, não encontrava alívio.

Enquanto sofria em silêncio, porém, construía nas redes sociais uma imagem de sucesso. Tornou-se influenciadora digital, acumulou seguidores e era vista como uma mulher feliz, saudável e admirada. Chegou, inclusive, a participar de campanhas contra o cigarro, mas, longe dos holofotes, usava até crack. “Onde estavam os holofotes, ali eu estava. Mas nada preenchia o vazio. Tudo era falso na minha vida”, admite.
Apesar de tudo, ela nunca esqueceu os tempos em que servia a Deus. “Foi o único período da minha vida em que tive felicidade plena”, recorda.

O retorno da filha pródiga

O ponto de virada aconteceu quando Marília foi drogada, roubada e abusada por um suposto amigo dentro da própria casa. Sozinha e com medo, dobrou os joelhos e fez uma oração sincera. “Confessei que não aguentava mais e disse que ou Deus mudava a minha vida ou me levava”, relembra.

Naquele mesmo domingo, um casal de obreiros da Espanha foi até sua casa e a levou à igreja. Ali, Marília decidiu voltar para Deus, batizou-se nas águas e tomou outra decisão importante: retornar ao Brasil.
Dias depois, já na casa da mãe, no interior de São Paulo, ela acompanhou uma reunião pelo UNIVER Vídeo e recebeu o Espírito Santo. “A paz e a certeza invadiram todo o meu ser. Eu já não era mais a mesma mulher. Passei a ter os pensamentos de Deus”, testemunha.

A partir dali, recomeçou a vida. Mudou-se para Curitiba, tornou-se profissional do mercado imobiliário e, hoje, três anos depois, voltou a servir como obreira. “Foi uma troca de dependências: deixei de depender das drogas, dos homens, do dinheiro e da aparência para depender de Deus. Hoje sou uma mulher plena porque tenho o Espírito Santo”, celebra.

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Colaborador

Núbia Onara / Foto: Divulgação