O sucesso na vida a dois depende de você
Separações de famosos, como a de Angelina Jolie e Brad Pitt, fazem muitas pessoas deixarem de acreditar em casamentos duradouros. Confira como casais com histórias distintas agiram para alcançar êxito na relação
Recentemente, os atores de Hollywood Angelina Jolie e Brad Pitt anunciaram a separação depois de 12 anos de relacionamento. De acordo com o site americano TMZ, pessoas próximas ao casal disseram que a atriz não aprovava o comportamento agressivo de Pitt com os seis filhos. Outras comentavam sobre uma suposta traição dele. Havia também comentários que relatavam o envolviam o ator com álcool e drogas.
Nenhum desses motivos foi confirmado pelo casal. Oficialmente, Angelina apenas alegou que o casamento com Pitt tinha “diferenças irreconciliáveis”. Segundo a revista People, os atores viram as diferenças entre eles aumentarem, principalmente na educação dos filhos, após a oficialização do casamento em 2014. Ele seria mais rigoroso com os filhos, enquanto ela tinha uma postura mais tranquila.
Ainda conforme a publicação, amigos do ator contaram que ele teria implorado à esposa para que ela não entrasse com o pedido de divórcio. Em contrapartida, a atriz teria afirmado que a separação precisava acontecer para que a saúde da família fosse preservada.
Muitas pessoas foram pegas de surpresa. Afinal, eles eram considerados os “queridinhos” de Hollywood pelos fãs. Na mídia, estavam sempre felizes, sorrindo, quase sempre ao lado dos filhos. Estavam envolvidos com causas humanitárias e apareciam juntos em diversos eventos. Apesar disso, o divórcio aconteceu.
Não cabe a ninguém especular as razões da separação. Mas o fato é que ela, assim como a de outras celebridades, não afeta apenas o casal, uma vez que faz muitas pessoas deixar de acreditar no casamento e tomar esse exemplo como evidência de que relações duradouras não existem mais. O que não é verdade: existem sim.
O cuidado no dia a dia
Mesmo após 25 anos de casamento, Rubens Silva, de 45 anos, e Sandra Torrecilha Alves, de 47 anos (foto ao lado, com as filhas), mantêm o mesmo olhar que tinham pelo outro no namoro. Mas, para que isso acontecesse, precisaram corrigir muitos erros.
Eles namoraram durante um ano e meio e se casaram em 1991, logo depois da descoberta da gravidez inesperada. As brigas eram comuns. Sandra era nervosa e o marido a agredia verbalmente.
Por causa do temperamento dela, ele não tinha prazer de ficar em casa. “Ela falava demais nos meus ouvidos e isso me estressava. Mas eu achava que só o fato de ser responsável e fiel já era suficiente. Em um período de dois anos passei a beber”, reforça.
Sandra entendia que precisava tomar uma atitude para fazer valer os votos que os dois haviam feito de que a união seria “para a vida toda”. Então, logo no início do casamento, ela recorreu a Deus. “Mesmo casada, eu estava me sentindo sozinha. Por isso, procurei a Universal, comecei a buscar a Deus e aprendi o que era felicidade”, alega.
Com o decorrer dos meses, ela foi aprendendo a lidar com o marido. Ele procurava motivos para discutir com ela, mas ela não revidava. “Ela foi aprendendo a me tratar de modo diferente, cuidava de mim. O que me despertou foi a mulher amorosa e calma que ela se tornou”, conta Rubens.
A partir daí, ele passou a acompanhar a esposa na Universal e entendeu que ela havia aprendido a trabalhar no casamento em parceria com Deus. “Aprendi que ao obedecermos a Deus temos sabedoria para administrar o casamento”, afirma.
Rubens admite que o casamento só é bem-sucedido porque um zela pelo outro. “Eu passei momentos difíceis no trabalho e financeiramente e ela me levantou, me ajudou. Não deixou que aquilo me abalasse. Teve paciência e sabedoria para aguardar, sempre alegre e forte”, acrescenta.
Cada um continua tendo sua personalidade, mas, hoje, eles sabem lidar com as diferenças sem se impor ou competir. “Com o passar do tempo, vi que as diferenças são desafios para nos tornarmos melhores e mais unidos. Mas foi preciso deixar o orgulho de lado e ceder”, diz o marido.
A esposa considera que o sacrifício é muito importante para a vida a dois. “Mantemos o casamento porque abrimos mão muitas vezes de alguma coisa que queremos para agradar ao outro”, explica.
Esforço
Não há nada de errado com a instituição do casamento. O que anda errado é a forma como as pessoas estão lidando com ele. Casamento é como uma empresa: é preciso trabalhar nele para que seja mantido. Caso contrário, ele vai à falência.
O ato de perseverar para enfrentar cada problema, para encontrar a solução, é a razão do sucesso dos casamentos. Se não houver essa preocupação no dia a dia, qualquer descuido pode ser suficiente para a crise se instalar e levar o casal à separação.
O psicoterapeuta Fernando Vieira Filho explica que o modo de se relacionar é o que mantém o casamento. “Apenas o amor não basta para mantê-lo. Os cônjuges precisam desenvolver individualmente competências, como autoestima, maturidade, desapego, além de combater expectativas que um joga no outro”, orienta.
Outra maneira de trabalhar no casamento é que um cônjuge entenda e respeite as características do outro. “Homens e mulheres agem de forma diversa diante do estresse. Por exemplo, o homem fica, geralmente, introspectivo e busca refúgio em sua ‘caverna mental’, como um caçador. A mulher é sensível e comunicativa e quer ser ouvida de imediato. Então, é importante respeitar as diferenças”, aponta.
Depois de compreendidas as diferenças, é preciso construir alicerces sólidos para uma união duradoura. “Os casamentos duram quando há bases sólidas, como amizade, cumplicidade, estilos de vida semelhantes e lealdade”, argumenta o especialista.
Valeu a pena lutar
Emerson Lopes e Mirian Lopes, ambos de 35 anos (foto ao lado), casados há 14 anos, chegaram a pensar em divórcio. Eles não entendiam que tinham que resolver as raízes dos problemas.
Eles se conheceram na adolescência, namoraram e se casaram. Mas não estavam maduros para assumir um relacionamento. “Eu era muito machista, achava que tinha que ser só o provedor. Isso fazia com que eu me afastasse dela”, declara Emerson.
Durante os primeiros anos do casamento, o marido vivia como se fosse solteiro: saía com os amigos e passava noites fora de casa. Até que um dia, após o aniversário de cinco anos da filha, ele disse à esposa que queria se separar e saiu de casa. “Eu disse que não estava suportando o peso, que não tinha mais tempo para mim e que o melhor era cada um seguir o seu caminho”, relata.
A imaturidade dele o levou a agir por impulso. “Eu pensava: quero jogar bola, ela reclama; quero sair, reclama também. Quer saber? Vou chutar o balde, ficar solteiro, assim não vai ter ninguém para ficar reclamando”, destaca.
Após algum tempo, Mirian descobriu que estava grávida da segunda filha. Emerson, que estava fora de casa, resolveu voltar. Mas o comportamento dele continuava o mesmo. “Eu me sentia em uma empresa em que eu era o executivo e ela o departamento de compras, porque só tinha conversa quando precisava comprar alguma coisa”, diz.
Quando a segunda filha estava com cinco anos, Emerson novamente pensou em se separar. Só que, dessa vez, Mirian também não queria mais manter o casamento. Ela comprou uma passagem para a França e anunciou que iria se mudar para lá com as filhas. “Decidi que ia embora. Arrumei a documentação e disse: ‘agora quem não quer sou eu’”, comenta.
A atitude da esposa foi um choque para Emerson. “Quando ela me
mostrou a passagem, gelei e pensei: ‘e agora, o que faço? Está nas minhas mãos. Perco minha família ou a resgato?’”, indagou.
Então, ele a procurou novamente, dessa vez arrependido. “Eu o encontrei barbudo, doente e desempregado. Ele me pediu perdão e para voltarmos”, ressalta.
Os erros no casamento foram muitos para que a reconciliação acontecesse de forma rápida e exigiam uma reflexão sobre os problemas do passado. Então, ela decidiu que precisavam tomar uma atitude.
Eles passaram a frequentar as palestras da “Terapia do Amor”, quando aprenderam como era possível reconstruir a relação. Emerson aprendeu o que precisava fazer para ser um bom marido. “Percebi o quanto era imaturo, fraco e inseguro. Percebi que falar ‘eu te amo’ apenas não resolve. Hoje sou amoroso e dou prioridade a ela. Aprendemos a caminhar juntos”, revela.
Fazer as coisas certas
Renato Cardoso, palestrante da “Terapia do Amor” no Templo de Salomão, diz que é possível salvar um casamento quando pelo menos um dos cônjuges assim deseja. Mas, para isso, é preciso começar a fazer as coisas certas. “O problema é que o orgulho, o ego e a teimosia às vezes são tão grandes que ninguém quer dar o braço a torcer”, escreveu em seu blog.
A melhor estratégia para começar a mudança no relacionamento é deixar de apontar no parceiro os erros dele, para que se faça em si mesmo as mudanças necessárias.
Se um dos cônjuges reconhece as falhas e as corrige, o outro percebe e começa a entender a necessidade de mudar também. “Não é chateando, reclamando, chorando, insistindo e errando que você irá mudá-lo. É hora de parar de errar e começar a acertar”, alerta Cardoso.
A reconciliação
Flavia Constantino Silva, de 38 anos, e Claudemir da Silva, de 43 anos (foto ao lado), sabem bem como as mudanças no comportamento são capazes de influenciar a outra pessoa. Foi depois de aprenderem essa estratégia que, após se divorciarem, decidiram se reconciliar.
Eles tiveram um relacionamento de 12 anos bastante conturbado. Os problemas começaram logo que se casaram, em 2002. Claudio já tinha dois filhos de outra relação e seu comportamento trazia problemas à vida conjugal. “Ele passava noites fora e me deixava sozinha com os filhos dele”, destaca Flavia.
Nessa época, brigavam constantemente. Enquanto ela era muito nervosa e se afundava no vício do cigarro, ele bebia, usava drogas e a traía. Sem ter sabedoria para lidar com o marido, Flavia enfrentava-o durante as agressões.
Para tentar segurá-lo, resolveu engravidar, mas isso não adiantou. “Ele continuava saindo para festas e, além de me deixar com os filhos dele, tinha o nosso para eu cuidar.”
O tempo foi passando e nenhum dos dois fazia algo para mudar a situação. “Eu não me preocupava mais com ele. Se estava em casa estava bom. Se não estava, não sentia mais falta. Não ligava para saber, deitava e dormia”, lembra ela.
Então, no início de 2013, ela decidiu se separar. “Um dia cheguei do trabalho decidida. Peguei nosso filho e fui morar com minha mãe.”
No início, ele aceitou a decisão. Contudo, durante algumas tentativas de reatar, passou a ameaçá-la. Flavia, então, quis o divórcio e Claudemir ficou desolado com a decisão dela. Insatisfeito, ele tentou acabar com a própria vida. Certo dia, andando pelas ruas, ele entrou em um templo da Universal e ali foi orientado como deveria agir.
Daquele dia em diante, ele começou a seguir as orientações dadas nas reuniões da Universal e passou a se comportar de forma diferente. Após nove meses separados, Flavia percebeu que ele estava diferente. “Comecei a notar que ele estava maduro e me passava paz. Passei a sentir vontade de estar perto dele”, reconhece.
Ela passou a acompanhá-lo nas palestras da Universal, voltaram a namorar e, após três meses, se casaram novamente. “Aprendi a ser uma esposa agradável e auxiliadora. Meu marido também aprendeu a cuidar de mim e a me respeitar.”
Invista
Se você está considerando uma separação, pense que a dor e as consequências de um divórcio são maiores do que o esforço de lutar pela reconstrução do casamento.
É claro que há casos em que é preciso avaliar se vale a pena seguir com a relação. Há situações de relacionamentos abusivos, em que há violência, por exemplo, e que o melhor é estar distante para o bem e a integridade de toda a família. Mas, se não for o caso, invista no cuidado diário com a relação. O casamento só existe quando há pessoas comprometidas em trabalhar por ele.
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