O que vem alimentando o seu sofrimento?

Problemas recorrentes, sensações incomuns e situações que parecem não ter explicação. Descubra a origem dessa realidade e como encontrar a saída

Imagem de capa - O que vem alimentando o seu sofrimento?

Com o passar dos anos, a vida se tornou cada vez mais acelerada. A rotina exaustiva, o excesso de responsabilidades e as constantes cobranças têm impactado não apenas a forma de viver, mas também a saúde emocional. Por isso, problemas como ansiedade, insônia, esgotamento emocional e alterações de humor e de comportamento tornaram-se cada vez mais comuns.

Ao mesmo tempo, muitas pessoas enfrentam situações persistentes, como doenças, relacionamentos conturbados, dificuldades financeiras, vícios, entre outras. Depois de inúmeras tentativas frustradas de mudar essa realidade, é comum acreditar que não há mais solução.

Quando os problemas se prolongam e parecem resistir a qualquer esforço, a busca por respostas se torna inevitável. Geralmente, elas são associadas ao estresse, a traumas do passado, à herança familiar ou aos hábitos de vida.

Mas será que esses fatores explicam a verdadeira raiz de todos os problemas?

Mesmo que muitos sofrimentos sejam atribuídos apenas a causas físicas ou emocionais, a Bíblia mostra que nem sempre a origem de certos problemas está onde a maioria das pessoas imagina. Em Marcos 5:1-20, por exemplo, há o relato de um homem da região de Gadara, atormentado, sem controle sobre si mesmo e isolado da sociedade. Ele morava entre os sepulcros, feria o próprio corpo com pedras e nem mesmo correntes conseguiam contê-lo. A origem daquela condição era espiritual. Ao encontrar Jesus, que expulsou a legião de demônios que o dominava, ele foi completamente liberto e pôde viver em paz.

Embora esse relato tenha acontecido há séculos, a mesma realidade se repete nos dias atuais. Em João 10:10, Jesus afirma que o mal vem para matar, roubar e destruir. Muitas vezes, essa atuação acontece de forma silenciosa, roubando a paz, o sono, os sonhos e as conquistas de uma pessoa. Em outras, manifesta-se de forma mais evidente, por meio de experiências consideradas paranormais.

Foi exatamente o que aconteceu com Fabiana Amorim, atendente de 30 anos. Desde os 7 anos, ela viveu experiências que indicavam a existência de algo além dos problemas visíveis: uma influência maligna que não apenas atuava em sua vida, mas exercia domínio sobre ela.

Eu via algo ao lado do meu pai

Minha infância foi bastante conturbada. Meu pai era viciado em drogas e álcool e, por causa disso, presenciei muitas brigas dentro de casa. Quando eu tinha cerca de 7 anos, comecei a ver vultos. Sempre que meu pai bebia, eu via uma pessoa sem rosto ao lado dele. Chegava a bater no ar, tentando espantá-la, porque acreditava que queria lhe fazer mal. Mas meu pai dizia que não havia nada ali.

Sensações estranhas

Eu via coisas que mais ninguém enxergava. Certa vez, meu pai foi atender um homem no portão, e eu consegui ver uma arma escondida sob a camiseta dele. Eu sabia que ele estava ali para matá-lo, mas minha mãe não percebeu nada. Era como se algo me revelasse quando alguém tinha a intenção de fazer mal ao meu pai.

Nessa mesma época, toda vez que eu me deitava, sentia como se estivesse tendo relação sexual, mesmo estando sozinha no quarto. Por ser criança, não entendia o que estava acontecendo e, por isso, não comentava com ninguém.

O primeiro contato com a fé

Embora alguns parentes servissem aos espíritos, minha família não seguia religião alguma. Foi então que uma vizinha convidou meus pais para conhecer a Igreja Universal.

Ali tive meu primeiro contato com a fé em Deus. Com o passar do tempo, meu pai foi liberto dos vícios e o ambiente familiar melhorou. Ainda assim, eu continuava atormentada.

As anormalidades evoluíram

Aos 10 anos, comecei a sofrer crises de ansiedade. Bastava passar por uma situação de nervosismo para desmaiar, sem explicação. Ao mesmo tempo, a sensação de estar tendo uma relação sexual se tornava cada vez mais frequente e intensa.

Muitas vezes, ao me deitar, sentia a cama afundar, como se alguém estivesse se deitando ao meu lado. Aos 12 anos, algumas amigas da escola me apresentaram conteúdos pornográficos. A partir daquele dia, passei a sentir um desejo crescente de assistir àquilo, e foi então que surgiu em mim a vontade de me tornar garota de programa.

De mal a pior

Passei a me tocar para saciar o desejo sexual. Entrei em salas de bate-papo e comecei a marcar encontros com homens mais velhos, mas sempre acontecia algo que me impedia de seguir adiante. Nessa época, deixei de frequentar a Igreja.

Também comecei a namorar, mas nenhum relacionamento durava. Era frequentemente traída ou perdia o interesse quando o rapaz demonstrava sentimentos por mim. Sempre buscava alguém para preencher o vazio interior e a carência.

Paralisia do sono

Eu costumava ter pesadelos e meus pais me ensinaram a chamar por Jesus nesses momentos. Mas, certa vez, vivi algo diferente. Senti um peso sobre o corpo. Não conseguia falar nem me movimentar, apenas mexer os olhos. Havia uma sombra escura sobre mim, e eu tentava dizer o nome de Jesus, mas não conseguia. Então O chamei em pensamento. Na mesma hora, aquilo desapareceu e recuperei o controle do meu corpo.

Depois disso, a experiência passou a se repetir com frequência.

Ainda assim, não tive medo, pois alguns colegas da escola já haviam relatado situações semelhantes.

A tentativa de construir uma família

Aos 18 anos, comecei a namorar um vizinho. Embora o relacionamento fosse marcado por constantes traições da parte dele, eu permanecia ao seu lado por dependência emocional.

Cerca de um ano depois, ele deixou São Paulo para morar com a mãe, em Maceió, Alagoas. Mesmo com a oposição dos meus pais, decidi ir junto. Foi então que passamos a viver na casa da mãe dele.

Dividindo o teto com os espíritos

Ao chegar lá, encontrei uma realidade completamente diferente. A casa da mãe dele era dedicada a práticas espirituais. Passei a ser ainda mais atormentada. Ouvia alguém me chamar pelo nome, via vultos correndo pela casa e incorporava os espíritos com frequência. Bastava ser contrariada para perder o controle, pois não conseguia me dominar.

A situação chegou a um ponto em que eu me perguntava: “Meu Deus, onde fui parar?”. Foi então que procurei uma Igreja Universal e voltei a frequentá-la, mas ainda vivia conforme a minha vontade.

As perturbações não paravam

Sempre que o mal dominava meu corpo, eu tentava me machucar. Em certa ocasião, senti como se várias pessoas corressem sobre mim e um forte vendaval atravessasse o quarto. No dia seguinte, acordei com marcas de mordidas, manchas roxas e gosto de sangue na boca.

Quando relatava esses episódios à mãe do meu namorado, ela dizia que alguém morreria. Pouco tempo depois, chegava a notícia do falecimento de alguma pessoa.

O que te aprisiona a esse ciclo?

Muitas vezes, a pessoa deseja se livrar de um problema, mas não percebe que continua alimentando aquilo que o mantém. Pecados não abandonados, ressentimentos e escolhas contrárias à vontade de Deus se tornam uma porta de acesso para a atuação do mal. Enquanto permanecer presa a essas práticas, continuará sujeita ao mesmo ciclo.

Por isso, a verdadeira libertação não depende apenas do desejo de mudar, mas da decisão de renunciar ao que sustenta esse ciclo. Quando a pessoa fecha as portas para o pecado, dá o primeiro passo para romper a ação do mal.

Grávida e abandonada

Depois de cerca de dois anos juntos, engravidei. Mesmo assim, os espíritos continuavam dominando meu corpo e, quando isso acontecia, eu chegava a dar socos na própria barriga.

Com três meses de gestação, meu namorado começou a se afastar. Durante uma discussão, descobri que ele estava me traindo. Quando o confrontei, ele disse que eu deveria voltar para São Paulo, porque não me queria mais e me considerava um lixo. Naquele momento, fiquei sem chão.

De volta para São Paulo

Mesmo após tantas traições, eu ainda acreditava em uma reconciliação. Permaneci em Maceió por mais dois meses, até que meu pai me convenceu a voltar para São Paulo. Quando retornei, pedi que minha mãe me levasse à Igreja. Bastava olhar para algum pastor para que algum espírito dominasse o meu corpo. Mas dessa vez eu queria agir de modo diferente, e não mais do meu jeito.

A luta interior

Depois que meu filho nasceu, a situação piorou. Ao olhar para ele, eu via o rosto do pai, o que despertava em mim um ódio profundo. Passei a lutar contra sentimentos de rejeição em relação ao meu próprio filho. Surgiam pensamentos de machucá-lo e, por isso, muitas vezes o deixava aos cuidados dos meus pais.

Eu estava decidida a fazer a vontade de Deus. Abandonei a pornografia, as más amizades e me batizei nas águas. Porém, a mágoa me fazia acreditar que eu jamais seria liberta. Durante três anos, vivi esse conflito interior.

O novo nascimento

Até que um dia ouvi do pastor que, dali em diante, seria eu, Deus e o diabo, e venceria o mais forte. Naquele momento, percebi que estava dependente da fé dos outros.

Durante o propósito de fé da Fogueira Santa, decidi sacrificar de verdade o meu eu. Abri mão de coisas de que gostava e, principalmente, perdoei o pai do meu filho. Na quarta-feira seguinte à entrega do voto, recebi o Espírito Santo. Quando a oração terminou, tive a certeza de que Deus estava comigo.

Nova vida

O diabo ainda tentou me fazer duvidar, mas eu já não era a mesma pessoa. Passei a dormir em paz, nunca mais fui atormentada por espíritos e todo o ódio que carregava desapareceu.

Algum tempo depois, na Terapia do Amor, escrevi uma carta descrevendo como desejava que fosse meu futuro esposo. Não demorou para que nos conhecêssemos na Força Jovem Universal (FJU). Namoramos, noivamos, nos casamos e, hoje, servimos a Deus como obreiros. Também tivemos uma filha.

Hoje tenho um casamento abençoado, um marido que me respeita e uma família firmada na mesma fé. Quando comparo a vida que tinha com a que tenho hoje, chego a uma única conclusão: só passei a vencer quando entreguei minha vida a Deus.

Como ser livre para sempre?

A libertação não termina quando o mal sai.

Mateus 12:43-45 diz: “E, quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso, e não o encontra. Então diz: voltarei para a minha casa, de onde saí. E, voltando, acha-a desocupada, varrida e adornada. Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e são os últimos atos desse homem piores do que os primeiros”.

Isso significa que a casa, ou seja, a vida da pessoa, não pode permanecer vazia. Ela precisa ser preenchida pelo Espírito Santo, pois somente a presença de Deus impede que o mal volte a encontrar espaço para agir.

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Autor

Thayná Andrade / Fotos: Demetrio Koch