O perigo ao alcance das mãos
As ameaças mudaram de endereço: o que antes parecia restrito às ruas agora entra em casa pela tela do celular e influencia silenciosamente a mente e o comportamento de crianças e adolescentes. Como protegê-los dessa realidade cada vez mais presente?
Diariamente, os noticiários retratam uma realidade marcada pela violência e pela insegurança. Diante desse cenário, muitas famílias acreditam que manter os filhos dentro de casa é a melhor forma de protegê-los dos perigos do mundo.
Mas, na era digital, as ameaças já não precisam bater à porta para entrar. Elas atravessam telas, ocupam quartos, influenciam pensamentos e moldam comportamentos sem que muitos pais percebam.
Smartphones, computadores e tablets abrem as portas para um universo de jogos, redes sociais, aplicativos e conteúdos aparentemente inofensivos. No entanto, por trás do entretenimento, podem estar influências capazes de conduzir crianças e adolescentes a caminhos perigosos. Assim, hoje, os riscos estão a apenas alguns cliques de distância.
Foi nesse contexto que a vida de Lucas Carneiro, atualmente com 18 anos, começou a tomar um rumo inesperado. O que parecia um ambiente seguro revelou-se uma ameaça silenciosa, escondida atrás de uma tela.
Nesta reportagem, ele e sua mãe, Maria da Silva, de 60 anos, relatam como o acesso sem limites ao mundo digital expôs o jovem a perigos que transformaram profundamente sua realidade.
Como tudo começou
Mãe: Meu sofrimento começou quando meu primeiro filho foi assassinado. Dez meses depois, outro filho morreu afogado ao ir à praia com amigos. Com medo de perder também o Lucas, passei a superprotegê-lo, acreditando que o isolamento o manteria seguro.
Lucas: Minha mãe me colocou em uma espécie de bolha. Depois de perder meus irmãos, ela fez de tudo para me afastar dos perigos do mundo. Seu maior medo era que eu tivesse o mesmo destino deles.
O problema entrou pela porta da frente
Lucas: Como minha mãe trabalhava de domingo a domingo, eu passava a maior parte do tempo sozinho em casa.
Mãe: Quando o Lucas tinha 8 anos, comprei um celular para ele para mantermos contato e eu trabalhar mais tranquila. Mais tarde, Lucas pediu um computador, e eu concordei, já que na época ele estava fazendo um curso.
Eles não têm noção do perigo
Sem maturidade para avaliar os riscos, muitas crianças e adolescentes acabam expostos a conteúdos que parecem inofensivos. O que começa como entretenimento pode abrir caminho para escolhas prejudiciais.
A Bíblia alerta: “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte” (Provérbios 14:12). Por trás de muitas influências que afastam os jovens de Deus existe um plano destrutivo. Como disse o Senhor Jesus: “O ladrão não vem senão a roubar, a matar e a destruir…” (João 10:10).
A sós com o perigo
Eu me afundei nesse universo em busca de amigos. Passava horas em jogos online e, depois, mergulhei nos animes, muitos deles com cenas violentas e temas de terror. O que começou com um episódio por dia logo se transformou em horas de maratonas e jogos. Com o tempo, também entrei em comunidades de enigmas e creepypastas (lendas de terror online). Aos poucos, fui me afastando da vida real.
Por trás do entretenimento
Lucas: Eu vivia em busca de tudo o que me injetasse emoção. Até que cheguei aos animes sexualizados, uma vertente que já se aproxima da pornografia. A sensação que eu tinha ao assistir aquilo me fazia querer sempre mais.
Mãe: Para mim, eram apenas desenhos e vídeos na internet. Eu achava que ele estava lendo, estudando ou simplesmente se divertindo. Não imaginava o quanto aquele conteúdo já estava influenciando sua vida.
Lucas: Então, a partir dos animes, comecei a pesquisar conteúdos pornográficos. Quando me dei conta, com apenas 11 anos, eu já estava viciado em animes e pornografia.
O lado obscuro que os pais desconhecem
Entrei em comunidades onde encontrava pessoas com quem me identificava. Nesse ambiente, uma espécie de sociedade paralela se forma, onde muitos compartilham ideias e criam vínculos. Conheci pessoas com diferentes ideologias, algumas defensoras da violência. Tudo começa na mente. De repente, você encontra um espaço onde diz o que jamais diria aos pais, professores ou a quem está ao seu redor. Aos poucos, meus sentimentos de raiva, frustração e insatisfação foram alimentados. Quanto mais tempo eu permanecia ali, mais eles cresciam dentro de mim.
O muro que separa pais e filhos
Muitas vezes, as telas criam uma barreira silenciosa entre pais e filhos. O Pastor Walber Barboza, responsável pelo trabalho do FTU no Brasil, alerta:
“Nenhum pai colocaria o filho diante de um prostíbulo ou de uma cracolândia. Mas, sem limites e supervisão, as telas podem expor crianças e adolescentes a todo tipo de influência nociva. Mais do que atender aos pedidos dos filhos, os pais precisam estabelecer limites, acompanhar o que eles consomem e estar presentes em sua rotina. A tela não pode substituir a convivência, o diálogo, a oração, os momentos em família e a participação na vida dos filhos.
Estar presente vale muito mais do que dar um celular de presente.”
A mudança no comportamento
Mãe: Um dia, pedi que ele comprasse a ração do nosso gato. Quando cheguei do trabalho, ele não tinha ido, mesmo sendo um lugar a menos de cinco minutos de casa. Além disso, ele deixou de se comunicar comigo. Passava a maior parte do tempo trancado no quarto, sempre de cabeça baixa e usando blusas de capuz. Pensei: “Tem alguma coisa errada.”
Lucas: Minha mãe me orientou a colocar uma cadeira no quintal e passar alguns minutos por dia tomando sol. Quando comecei a fazer isso, percebi algo preocupante: comecei a sentir sintomas de abstinência. Ficar longe das telas me causava ansiedade e até pânico.
30 dias sem tomar banho
Mãe: Até que, em um sábado, eu disse: “Lucas, quero fazer uma faxina no seu quarto.” Ele respondeu que não precisava. Mas eu insisti. Quando abri a porta, levei um choque. O ambiente parecia abandonado. Havia sujeira por todos os lados, e até um formigueiro debaixo da cama.
Lucas: Minha vida se resumia àquele quarto, cercado por pratos e copos sujos espalhados ao redor da cama. Chegou um momento em que eu nem percebia mais o cheiro ao meu redor. Passei 30 dias sem tomar banho e três meses sem cortar o cabelo, porque, para mim, nada mais fazia sentido.
Conflito interno
Lucas: Eu não queria morrer, mas também não encontrava razões para viver. Era uma apatia profunda. A única forma de me sentir vivo era por meio dos animes. Eu mergulhava na história dos personagens: a alegria deles era a minha; quando choravam, eu chorava; quando se apaixonavam, eu também me apaixonava.
Os jogos eram uma forma de escapar de algo que nem eu sabia explicar. Cada fase superada me dava a sensação de que eu também estava evoluindo. Mas chegou um momento em que nada disso me satisfazia mais.
Válvula de escape
A adolescência é uma fase de mudanças e conflitos. Diante de frustrações, inseguranças ou problemas familiares, muitos jovens buscam formas rápidas de aliviar a
pressão emocional.
O entretenimento, por si só, não é um problema. O risco surge quando ele se torna uma fuga da realidade. Em vez de enfrentar os conflitos e buscar orientação, o adolescente tenta se distrair o tempo todo para não pensar no que o incomoda.
A Bíblia ensina que a verdadeira paz não está em distrações passageiras, mas em Deus:
“Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em Ti” (Isaías 26:3).
O desinteresse
Quando criança, frequentava a EBI (Escola Bíblica Infantil) e gostava do ambiente. Mas, ao passar para o FTU (Força Teen Universal), tudo mudou. Com pessoas novas e menos interesse pela igreja, decidi que deixaria de frequentá-la quando completasse 15 anos, idade em que acreditava ter autonomia para isso.
Eu conhecia a Bíblia, mas não me sentia parte daquele lugar. Durante as reuniões, minha mente estava sempre em casa, pensando no que faria quando saísse dali.
Uma atitude mudou o rumo da historia
Mãe: Eu já não sabia como ajudar meu filho. Então orei: “Meu Deus, transforma a vida dele e me dê sabedoria. Eu lhe dei tudo o que queria, mas não o que realmente precisava.” Fiz um voto no Altar e entreguei meu medo e meu filho nas mãos de Deus. Naquele momento, tive a certeza de que tudo ficaria bem. Depois, conversei com o pastor, que me orientou a levar o Lucas à Igreja em um domingo de manhã.
Lucas: De tanto ela insistir, aceitei o convite. No fim da reunião, um conselheiro do FTU conversou comigo sobre assuntos de que eu gostava. Eu, que me sentia excluído do mundo, pela primeira vez me senti incluído. Passei a participar dos encontros do FTU e, aos poucos, diminuí meu apego às telas. Mas a pornografia ainda era um problema. Até que decidi me entregar de verdade ao Senhor Jesus.
O que faltava
Lucas: Decidi renunciar a tudo para receber o Espírito Santo. Deixei no Altar a pornografia, os jogos, a ansiedade e a depressão. Ainda assim, não O recebi. Então orei: “Senhor, mostra o que ainda falta Te entregar.” Pouco tempo depois, assisti a uma mensagem do Bispo Renato Cardoso explicando que idolatria é colocar algo acima de Deus. Ao olhar para o meu celular e ver a imagem do personagem de anime que eu mais admirava, reconheci que aquilo havia se tornado um ídolo para mim. Decidi, então, abrir mão dessa idolatria.
A plenitude
Lucas: Naquela mesma noite, recebi o Espírito Santo. Eu recebi certeza, paz e me senti completo. Aquele jovem tímido ficou para trás. Graduado no FTU e atuando na FJU, procuro ajudar outras pessoas como um dia fui ajudado.
Mãe: O Espírito Santo transformou completamente a vida do meu filho. Hoje, Deus é tudo para o Lucas.
O que o FTU faz pelos adolescentes
O Força Teen Universal (FTU) é um grupo voltado para adolescentes de 11 a 14 anos, criado para ajudá-los a enfrentar os desafios dessa fase da vida à luz da fé e dos princípios cristãos. Em um período marcado por descobertas, o FTU oferece orientação para que cada adolescente desenvolva sua identidade, caráter e relacionamento com Deus.
Por meio do acompanhamento de conselheiros preparados, os participantes encontram um ambiente saudável para aprender, crescer e fazer novas amizades. As atividades incluem encontros de fé, estudos bíblicos, ações sociais, práticas esportivas, oficinas educativas e eventos especiais.
Entre essas iniciativas está o Conexão Teen, um evento que promove a aproximação entre pais e filhos, fortalecendo o diálogo, os vínculos familiares e os valores cristãos dentro do lar.
Mais do que oferecer atividades, o grupo busca orientar os adolescentes a fazer boas escolhas, fortalecer o caráter e construir um futuro firmado nos valores cristãos.
Pais e adolescentes podem procurar a Universal mais próxima para conhecer o trabalho e saber como participar.
Para mais informações tenha e acesse as redes sociais do FTU
Atualmente, Lucas e sua mãe, Maria, frequentam a Universal Lauzane Paulista, situada na Avenida Direitos Humanos, 1190, no Imirim, zona norte de São Paulo (SP)
Saiba mais
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