O pai que seu filho precisa
Mais do que prover, o pai é chamado a refletir o caráter de Deus na maneira como ama, orienta e cuida dos filhos
A paternidade é um dos temas que ainda precisam ser desmistificados, especialmente em uma sociedade onde se difundiu a ideia de que o papel do pai se resume a prover o sustento dos filhos. Sem dúvida, garantir as necessidades materiais faz parte dessa responsabilidade, mas ser pai vai muito além disso.
Ser pai é ser referência. É viver com a consciência de que suas atitudes, escolhas e comportamentos são observados atentamente e, muitas vezes, reproduzidos pelos filhos. É também ser porto seguro: aquele a quem os filhos recorrem quando enfrentam dificuldades, fracassam em uma prova, sofrem uma decepção ou se veem tomados pela insegurança e pela falta de esperança.
É orientar, acolher e ensinar; não apenas com palavras, mas, principalmente, pelo exemplo. Diante disso, fica a pergunta:
Você tem sido esse pai?
Olhando para a raiz
Em entrevista à Folha Universal, a psicóloga Lilian Neves explicou que o distanciamento observado na relação de muitos pais com os filhos tem origem em fatores socioculturais, mas também pode estar relacionado à imaturidade emocional e a traumas vividos ao longo da vida. “Eles repetem aquilo que foi ensinado e como vivenciaram esse afeto”.

A verdade é que muitos homens cresceram sem uma referência paterna positiva e acabam reproduzindo os padrões que aprenderam. No entanto, esse ciclo pode ser interrompido. O primeiro passo para quebrá-lo é fazer uma autoanálise sincera, que revela o que precisa ser mudado. Mas, para que a mudança seja duradoura, ela não pode se limitar apenas às ações externas; é necessário que aconteça de dentro para fora.
Qual é o segredo?
Mudando a referência
A principal mudança que precisa acontecer é a de referência. Para romper com os padrões aprendidos no passado, o homem deve investir em seu interior e desenvolver um relacionamento genuíno com Deus. Isso implica:
- Reconhecer as próprias feridas
- Deixar de viver aprisionado pela culpa
- Abandonar erros e ressentimentos
- Pedir perdão a quem você feriu e perdoar aqueles que falharam
É importante lembrar que, dependendo do pai que você tenha sido até aqui, poderá encontrar resistência justamente daquelas pessoas que mais deseja reconquistar. Mas, independentemente disso, a decisão de mudar não deve estar condicionada à reação dos outros, mas a um compromisso sincero de viver segundo a Palavra de Deus.
Em qual deles você se reconhece?
Há muitos homens que se dedicam a oferecer aos filhos o que consideram o melhor. Apesar disso, não conseguem se conectar emocionalmente com eles. Estão perto, mas nem sempre são presentes.

Há também os que vivem longe e fazem da distância uma justificativa para uma participação limitada na vida dos filhos. Outros reconhecem que poderiam ter sido pais mais presentes e convivem com o arrependimento pelo tempo perdido.
E existem ainda os que acreditam ter cumprido plenamente seu papel e nunca se questionaram sobre a possibilidade de agir de forma diferente. Mas há algo que todos precisam considerar:
A ausência emocional de um pai pode afetar o desenvolvimento dos filhos e deixar marcas que ultrapassam a infância.
O pai segundo Deus
Deus se apresenta na Bíblia como Pai. Então, que tal aprender com Ele a exercer essa missão? Ao observar a maneira como Deus se relaciona com Seus filhos, percebemos que Seu amor vai muito além de acolher e suprir necessidades. Ele está presente, orienta, ensina, corrige quando necessário e estabelece limites. Tudo isso motivado por um amor verdadeiro e profundo.

Essa forma de viver a paternidade nasce da ação do Espírito Santo na vida daqueles que se entregam a Deus. É Ele quem fortalece o homem para superar as marcas do passado, vencer suas fraquezas, agir de acordo com a vontade divina e se tornar a referência que seus filhos precisam. Assim, cumpre-se a promessa:
“O justo anda na sua sinceridade; bem-aventurados serão os seus filhos depois dele” (Provérbios 20:7).
A história do frentista Alexandre Martins da Silva, de 53 anos, pai de Juan Vitor, de 24 anos, e Larissa Vitória, de 15 anos, comprova que essa mudança é possível, como mostra o relato a seguir.
A falta que meu pai fez
Meu pai não foi uma presença constante na minha infância e adolescência. Viciado em jogos de baralho, ele passava a maior parte do tempo fora de casa. Eu queria passear com ele, soltar pipa, jogar bola ou simplesmente estar ao seu lado, mas quase nunca havia tempo para isso. Foi então que decidi: quando fosse pai, faria diferente.
O pai que eu sonhava ser
Quando meu primeiro filho nasceu, coloquei esse propósito em prática. Fazia questão de estar presente, brincar, passear e viver com ele momentos que eu não tive na infância. Depois nasceu minha filha. Mas, anos depois, a mãe dos meus filhos faleceu em consequência de diabetes, e tudo começou a mudar.
A dor que me afastou
Aquela perda foi muito difícil. Afastei-me de Deus e O culpei pelo que aconteceu. Meu filho já era adulto, mas minha filha ainda precisava muito de mim. No entanto, eu não conseguia perceber isso. Acabei repetindo os mesmos erros do meu pai: mergulhei nas drogas e na bebida, e tudo o que ganhava era consumido pelos vícios. Lembro de ver minha filha abrir a geladeira em busca de algo para comer e não encontrar nada.
Parecia não ter saída
Eu me considerava um caso perdido, alguém que jamais voltaria para a presença de Deus. Trabalhava à tarde e passava as noites na bagunça. Mal ficava em casa e quase não via meus filhos. Minha filha dependia da ajuda de outras pessoas até para se alimentar. Já meu filho sofria ao me ver naquela situação e, muitas vezes, percorria bares à minha procura.
O recomeço
Tudo começou a mudar quando recebi um convite para voltar à Igreja Universal. Ali decidi abandonar os vícios e entregar minha vida ao Senhor Jesus. Então, minha vida foi transformada. Voltei a ter vontade de viver, fazer planos e dedicar meu tempo à minha família. Deus também me abençoou com um novo casamento, e hoje temos um lar feliz e abençoado.
A transformação alcançou a família

Depois da minha conversão, meu filho me fez uma pergunta que jamais esquecerei: “Como faço para ser uma pessoa melhor?”. Naquele momento, tive o privilégio de levá-lo ao Senhor Jesus. Isso é muito especial para mim. Um dia fui um homem completamente perdido, mas Deus transformou a minha vida, e essa transformação alcançou toda a minha casa.
Um novo pai
Meu pai mudou completamente. Antes, eu cuidava da minha irmã enquanto ele passava a maior parte do tempo fora de casa. Depois da perda da nossa mãe, vivíamos com medo de perdê-lo também. Foram muitos dias difíceis. Mas, quando ele conheceu a Deus, tudo mudou. Hoje, temos um pai presente, que cuida da família, e somos felizes com a certeza de que Deus está conosco.
Juan Vitor Martins Silva, 24 anos, motoboy
O papel do pai
“Tradicionalmente, o papel do pai está associado à ordem e à disciplina, assim como o papel da mãe é associado ao cuidado. Quando você fala em pai, normalmente você não pensa em carinho e em abraço; você pensa em força, segurança e disciplina, não é verdade? Em muitas famílias isso pode ser diferente, mas, tradicionalmente, é assim. E isso vem de onde? Vem do papel que Deus designou”.
O que Deus diz?
Os pais recebem do Altíssimo autoridade sobre os filhos, mas devem saber exercê-la com sabedoria e temor. (…) Além disso, os pais devem ter cuidado não apenas com o que falam aos filhos, mas também com o que mostram a eles. Isto é, se os pais não se respeitam e muito menos respeitam o próximo, como poderão cobrar atitudes adequadas de seus filhos? Portanto, não adianta impor algo que não se vive, pois filhos seguem exemplos e condutas e não somente palavras.
Trecho extraído do comentário referente a Efésios 4:6, da Bíblia Fiel com as Anotações de Fé do Bispo Edir Macedo.
Saiba mais
Leia as demais matérias dessa e de outras edições da Folha Universal, clicando aqui. Confira também os seus conteúdos no perfil @folhauniversal no Instagram.
Folha Universal, informações para a vida!
English
Espanhol
Italiano
Haiti
Francês
Russo