O engano de achar que você consegue sozinho

Força de vontade, trabalho e planejamento têm seu valor, mas não bastam. Entenda por que confiar apenas em si mesmo pode impedir mudanças profundas e afastar você da verdadeira segurança

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Há momentos em que a pessoa olha para a própria vida e pensa: “Eu tento de tudo, mas não adianta nada”. Já trabalhou mais, estudou, buscou conselhos, insistiu no casamento, tentou ajudar os filhos, procurou soluções para a saúde e se planejou melhor. Ainda assim, algo não avança.

O que muitos não entendem é que a força de vontade, por si só, não é suficiente. Ela tem seu valor, pois ajuda a criar hábitos, cumprir responsabilidades, tomar decisões e enfrentar desafios. Tudo isso faz parte da autonomia necessária para que cada pessoa cuide da própria vida e faça o que lhe cabe. O problema surge quando essa capacidade de agir se transforma em autossuficiência.

Neste momento, a pessoa passa a acreditar que seu esforço, suas escolhas e seus recursos são suficientes para conduzir a própria vida, inclusive sem depender de Deus.

Sem deus, nada podemos fazer

Assim como um ramo só permanece vivo e produz frutos enquanto está ligado à árvore, o ser humano também precisa permanecer ligado à sua Fonte: Deus. Foi por meio dessa comparação que o Senhor Jesus explicou a dependência espiritual:

“Eu sou a videira, vós as varas (…) porque sem Mim nada podeis fazer” (João 15:5).

O ramo não é menos importante por depender da videira; ao contrário, é justamente essa ligação que o mantém vivo, saudável e frutífero. Da mesma forma, depender de Deus não significa ser passivo, incapaz ou deixar de cumprir as próprias responsabilidades. Significa reconhecer que o esforço, a disciplina, a inteligência e a capacidade humana têm seu valor, mas são limitados.

Esses recursos não substituem a presença de Deus nem são capazes, por si mesmos, de produzir a transformação espiritual de que a alma necessita, e que alcança todas as áreas da vida.

Quando o sucesso também engana

A autossuficiência nem sempre surge nos momentos de fracasso. Muitas vezes, ela aparece justamente quando tudo dá certo e as conquistas geram uma falsa sensação de segurança.

O Senhor Jesus mostrou essa realidade na parábola do rico insensato (Lucas 12:16-21). Depois de uma colheita abundante, o homem decidiu construir celeiros maiores para armazenar sua produção. Até ali, sua atitude era prudente e coerente com o que havia conquistado. O engano começou quando ele passou a acreditar que aqueles bens lhe garantiriam muitos anos de tranquilidade. Então disse a si mesmo que poderia descansar, comer, beber e aproveitar a vida. Seus celeiros estavam cheios, mas sua alma permanecia vazia e necessitada.

Deus o chamou de “louco” e anunciou que, naquela mesma noite, sua alma lhe seria requerida. A loucura não estava em prosperar nem em planejar o futuro, mas em depositar nas próprias conquistas uma segurança que elas jamais poderiam oferecer. Afinal, nem a própria vida estava sob seu controle, muito menos a eternidade.

Hoje, os “celeiros” podem assumir diferentes formas: dinheiro, carreira, conhecimento, influência, relacionamentos ou até a confiança excessiva expressa no pensamento: “Eu sempre dou um jeito”. Quando essas coisas se tornam o alicerce da segurança pessoal e ocupam o lugar que pertence somente a Deus, passam a representar um perigo.

Troque de dependência

A força de vontade pode levar alguém longe, mas também pode deixá-lo exausto sem fazê-lo avançar. Em ambos os casos, ela não torna ninguém autossuficiente. Quem vive sem depender de Deus acaba apoiando sua segurança naquilo que consegue fazer, controlar ou conquistar. E, quando isso falha, tende a insistir ainda mais nas mesmas estratégias ou, tomado pela frustração, desistir de tudo.

O engano está em tentar sustentar com a própria força de vontade aquilo que somente Deus pode realizar. Essa é uma das maiores ilusões da autossuficiência: dedicar-se intensamente ao que pode ser perdido e negligenciar justamente aquilo que permanecerá para sempre, a alma.

A verdadeira mudança não acontece quando a pessoa deixa de agir, mas quando deixa de confiar exclusivamente em si mesma.

Deus não pede que alguém abandone a responsabilidade sobre a própria vida. Ele convida a colocar essa vida sob a direção d’Ele.

Abra a porta

Reconhecer isso não é admitir derrota. É fazer a sua parte sem tentar controlar o que está além de você e permitir que Deus conduza aquilo que suas forças não podem alcançar.

Talvez, até aqui, você tenha lutado e insistido, mas sua vida continue no mesmo ponto. Ou talvez tenha conquistado muito e transformado essas realizações na sua fonte de segurança. Em ambos os casos, a pergunta é a mesma:

Quem está dirigindo a sua vida?

O Senhor Jesus não invade nem força essa entrega; Ele respeita a decisão humana. Por isso declarou:

“Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei até ele” (Apocalipse 3:20).

A porta continua sendo sua. A decisão de abri-la também. Abrir a porta para Jesus é entregar-Lhe a própria vida. É reconhecer que você não quer mais conduzi-la apenas segundo a sua vontade, mas submetê-la à vontade d’Ele. Essa decisão é renovada diariamente por meio da obediência à Sua Palavra.

Tudo começa com a sinceridade: reconhecer os próprios erros, arrepender-se, crer no Senhor Jesus e falar com Ele em oração, pedindo que Ele entre em sua vida, perdoe seus pecados e passe a dirigi-la. Essa entrega também deve ser confirmada pelo batismo nas águas e pelo recebimento do Espírito Santo.

É o Espírito Santo quem passa a habitar na pessoa, selando seu pertencimento ao Reino de Deus, fortalecendo sua fé e capacitando-a a permanecer sob a direção divina.

Quantos destes sinais aparecem na sua vida?

☐ Tenho dificuldade de admitir que não sei o que fazer.
☐ Tento controlar pessoas e situações para que tudo saia como planejei.
☐ Diante de um problema, confio primeiro nos meus recursos e na minha capacidade.
☐ Quando algo dá errado, sinto que fracassei por não ter conseguido resolver sozinho.
☐ Mesmo sem resultado, continuo insistindo porque admitir meu limite parece derrota.
☐ Acredito que minhas conquistas me deixam preparado para qualquer imprevisto.
☐ Costumo dizer “eu tentei de tudo”, mas percebo que fiz tudo sob a minha própria direção.
☐ Mesmo me esforçando muito, sinto que minha vida não avança.

Se você marcou duas ou mais opções, reflita: Até que ponto você está fazendo o que lhe cabe e em que ponto passou a acreditar que isso é suficiente?

Quando a força de vontade não basta

O empresário Raimundo da Conceição, de 52 anos, relembra o período em que lutava incansavelmente para mudar de vida. Determinado a recomeçar, ele chegou a trocar a Bahia por São Paulo, mas logo percebeu que os problemas haviam feito a mesma viagem

Desde cedo, aprendi a lutar

Perdi meu pai quando tinha 9 anos e, aos 13, comecei a trabalhar para ajudar minha mãe. Faltava muita coisa em casa, e nossa condição financeira era muito difícil. Aos 17 anos, aprendi o ofício de serralheiro e passei a acreditar que, trabalhando muito, conseguiria mudar de vida. Sonhava em ter uma boa casa, um carro e oferecer uma condição melhor para minha família. Eu acreditava que tudo dependia do meu esforço.

Mudei de estado, mas não foi suficiente

Deixei a Bahia e me mudei para São Paulo em busca de uma vida melhor. Casado e com uma filha recém-nascida, vim sozinho e passei três meses trabalhando para me estabelecer. Depois de alugar um cômodo e comprar alguns móveis, trouxe minha esposa e minha filha. Acreditava que a mudança e o trabalho duro mudariam nossa realidade.

O fracasso o acompanhava

Trabalhei com meu irmão, mas ele perdeu o emprego, e as dificuldades aumentaram. Acumulei dívidas e, após a morte do meu cunhado, assumi um débito que era dele para evitar que minha irmã fosse cobrada por um agiota. Com o tempo, nossa família cresceu. Éramos eu, minha esposa e nossos quatro filhos. Eu trabalhava e procurava fazer o que era certo, mas as coisas melhoravam por um tempo e, depois, voltavam a dar errado.

A fé ficou em segundo plano

Eu já conhecia a Universal desde a infância e, ainda jovem, me batizei nas águas e servi como obreiro. Minha esposa também servia a Deus. Porém, antes mesmo de nos mudarmos para São Paulo, já havíamos nos afastado da fé. Deixei a Obra, e minha esposa, embora tivesse a carta de transferência para continuar servindo, decidiu não entregá-la por reconhecer que não estava em condições espirituais para isso. Continuamos frequentando a Igreja, mas sem a mesma comunhão com Deus.

Entendi o que estava faltando

Eu ainda não havia compreendido que precisava colocar Deus em primeiro lugar. Em 2006, comecei a participar das reuniões de segunda-feira e percebi que precisava priorizar meu relacionamento com Deus. Deixei de olhar apenas para as dívidas e os problemas, batizei-me novamente nas águas, busquei o Espírito Santo e voltei a servir a Deus.

Quando Deus passou a ser o primeiro

Passei a evangelizar, orar mais e a me comprometer de verdade com Deus. Então, minha vida começou a mudar. Montei uma serralheria, adquiri uma loja de tintas e abri outro negócio. Hoje, tenho minha casa, imóveis alugados e estabilidade financeira. Continuo trabalhando, mas sei que não dependo apenas de mim. Coloco Deus em primeiro lugar e reconheço que d’Ele vêm a força e a direção para seguir em frente.

Hoje, Raimundo serve a Deus como obreiro na Universal Cidade Kemel, localizada na Rua Desembargador Octávio Egydio Roggiero, 500, no bairro Cidade Kemel, em São Paulo (SP).

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Autor

Núbia Onara / Imagem gerada por IA