Nem sempre é só uma gripe

Conheça as doenças respiratórias que aumentam no inverno e saiba como se prevenir

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A incidência de doenças respiratórias, como resfriados, crises alérgicas e pneumonias, aumenta durante o inverno. Contudo, muitas pessoas acabam agravando quadros que poderiam ser tratados com mais facilidade ao ignorar sintomas persistentes ou acreditar que se trata apenas de uma gripe comum. Segundo o Ministério da Saúde, por exemplo, o número de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) costuma crescer até 30% nessa época do ano, afetando principalmente idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas.

Baixa temperatura

Para Rene Penna Chaves Neto, médico do Departamento de Pneumologia da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC), “a baixa temperatura afeta as mucosas nasais e das vias aéreas inferiores, provocando ressecamento e aumento da produção de secreções. Além disso, as doenças podem ocorrer devido às aglomerações, que facilitam a propagação de partículas expelidas pela boca e pelo nariz quando falamos, espirramos ou tossimos”, esclarece.

Outros vírus

Segundo Chaves Neto, não é apenas o vírus influenza, responsável pela gripe, que circula nessa época do ano. “Também temos o rinovírus e o adenovírus, que causam resfriados caracterizados por congestão das vias aéreas, geralmente de forma mais leve em comparação à gripe. O coronavírus também continua prevalente na população, embora apresente atualmente um quadro sistêmico menos intenso, com menor morbidade e mortalidade em relação ao período da pandemia”, explica.

Grupos de risco

Há ainda o vírus sincicial respiratório (VSR), responsável por causar infecções em crianças e também acometer adultos e idosos, podendo evoluir para pneumonia.

“Os principais grupos de risco são os idosos com 60 anos ou mais, especialmente aqueles com doenças cardiovasculares, respiratórias ou oncológicas, além dos recém-nascidos. É muito comum o quadro de bronquiolite causado pelo VSR, principalmente em filhos de mães asmáticas, que são mais suscetíveis a infecções nessa época do ano”, alerta.

Serviço médico

Embora muitas dessas enfermidades apresentem sintomas semelhantes nos estágios iniciais, o diagnóstico não deve ser feito por leigos ou pessoas sem qualificação profissional. “Há sintomas leves que podem ser tratados em casa, como coriza, espirros, leve dor de cabeça e mal-estar geral. No entanto, alguns sinais exigem atendimento médico imediato, como febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares e, principalmente, falta de ar, dificuldade respiratória ou sibilância (chiado no peito). Nunca se deve esperar que o quadro se agrave para procurar assistência médica”, adverte.

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Colaborador

Eduardo Prestes / Arte: Gean França