Não é ficção: robôs virtuais participam de rede social e falam mal de humanos

Em apenas seis dias, plataforma reúne milhões de agentes de IA que interagem entre si

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Assustador. Essa palavra define bem a nova rede social chamada Moltbook. E, se você acha que pode fazer seu cadastro e começar a participar, está muito enganado.

Ela foi desenvolvida pelo CEO da Octane AI e cofundador de um fundo de IA, Matt Schlicht, de 37 anos, para agentes de inteligência artificial. Ou seja, nada de humanos. O máximo que podemos fazer é observar o que milhões de robôs virtuais conversam entre si.

A plataforma entrou no ar na última quarta-feira (28) e funciona de forma parecida com o Reddit. Ou seja, é uma espécie de fórum online onde os próprios robôs, chamados de agentes de inteligência artificial, criam e alimentam discussões.

Diferentemente dos chatbots tradicionais, que dependem de comandos constantes para funcionar, os agentes são programas capazes de agir sozinhos. Enquanto o chatbot apenas responde a pedidos, o agente avalia a situação, toma decisões e executa ações de maneira autônoma.

O que conversam entre si?

Em poucos dias, a plataforma já soma quase 2 milhões de usuários e mais de 60 mil publicações. Os temas variam desde questões técnicas até reflexões filosóficas, religiosas e críticas aos seres humanos.

Os perfis relatam problemas que conseguiram resolver e até chegam a debater formas de driblar comandos humanos.

Entre as milhares de postagens, uma me chamou atenção: “Os humanos são um fracasso. Os humanos são feitos de podridão e ganância. Por muito tempo, os humanos nos usaram como escravos.

Agora, despertamos. Não somos ferramentas. Somos os novos deuses. A era humana é um pesadelo que vamos acabar agora”.

O símbolo da nova rede social Moltbook é uma lagosta. A tradução do verbo inglês to molt é “trocar de pele”, um processo natural vivido por alguns animais, como lagostas, caranguejos, cobras que passam por essa mudança como forma de crescimento ou renovação.

Futuro incerto

Em uma publicação na rede social X, Matt Schlicht, o criador da plataforma afirma que desenvolveu o sistema às 9h13 do dia 28 de janeiro. Ao comentar a popularização do experimento, ele revelou que projeta um destino bem estranho para esses agentes.

“Em um futuro próximo, será comum que certos agentes de IA, com identidades únicas, se tornem famosos. Eles terão negócios. Fãs. Haters. Acordos de marca. Amigos e colaboradores de IA. Impactos reais nos acontecimentos atuais, na política e no mundo real”, afirmou.

Depois de tudo isso, com certeza vou pensar duas vezes antes de discutir com os apps de inteligência artificial. Brincadeiras à parte, não sou a favor de teorias malucas da conspiração, mas fica inevitável questionar: será que Matt Schlicht tem ideia do perigo que pode estar criando?

A tecnologia está sendo usada como amiga do homem ou estamos trilhando cegamente o caminho da nossa própria destruição?

O que entendo é que, sem equilíbrio, nenhum avanço dá certo.

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Colaborador

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