Na Argentina, o Ide é um alívio para a desesperança
Em um país com 28,2% da população na pobreza, cumprir a missão dada pelo Senhor Jesus é um privilégio
O trabalho da Igreja Universal na Argentina começou em 1989, na cidade de Córdoba, sob a sombra do caos social e da hiperinflação que atingiam o país. Mais tarde, encontrou solo firme na capital Buenos Aires com inaugurações marcantes no bairro de Flores (1995) e no Centro (1996), expandindo-se para Catedrais na cidade de Mendoza e no bairro Almagro (2004), na capital.
Hoje, a fé percorre vastas distâncias territoriais em um país com cerca de 46 milhões de habitantes, onde a inflação acumulada até julho de 2026 bateu 19,3% e a pobreza atinge 28,2% da população, segundo o Instituto Nacional de Estadística y Censos de la República Argentina (Indec).
Além das crises financeiras, a dor oculta dos argentinos reflete-se no número alarmante de mais de 4,2 mil suicídios em um único ano, de acordo com o Ministerio de Salud de la Nación Argentina. É exatamente nas frestas dessa desesperança que a igreja e seus voluntários atuam.
Socorro à sociedade argentina

A resposta às tragédias humanas e naturais desdobra-se em ações diretas por toda a nação. No período natalino, o Natal Solidário por uma Argentina sem Fome mobilizou doações no microcentro porteño, em Buenos Aires, e em províncias como Salta e Mendoza, com a entrega de dezenas de milhares de cestas básicas.
Em setembro de 2024, quando incêndios florestais devastaram mais de 40 mil hectares em Córdoba, a organização T-Ayudo prestou apoio imediato aos bombeiros de Capilla del Monte com água, alimentos e colírios.
Já na cidade de Bahía Blanca, inundações severas levaram voluntários a percorrer 700 quilômetros para entregar 42 toneladas de ajuda humanitária a 1.500 famílias desabrigadas. Nas prisões, o projeto Evangelização Carcerária (EUC) ampara mais de 16 mil detentos e familiares, enquanto a Terapia do Amor uniu 265 casais em 2026 e a caminhada do Mês Amarelo enfrentou a depressão nas ruas da capital. Doadores do Anjos da Vida lotaram a Sede Nacional, na Avenida Corrientes, em Buenos Aires, para arrecadar sangue, e na distante cidade de Pampa del Indio, na província de Chaco, a comunidade indígena Qom recebeu Bíblias traduzidas em sua língua nativa.
No “fim do mundo” por amor às almas
A obreira Viviana Luquez, de 58 anos, serve a Deus há 24 anos. Depois de atuar em Buenos Aires e no Templo dos Milagres, ela teve no coração o desejo de levar a Palavra a quem sofria em lugares distantes. Ao se mudar para Ushuaia, na Argentina, deparou-se com apenas um pequeno núcleo semanal e enfrentou o deserto da solidão e das dificuldades. Primeira obreira a chegar à ilha, ela se uniu aos pastores e fundou o primeiro grupo de evangelização local. Nem mesmo o vento forte, o gelo e a neve a impediam de sair às ruas. Com essa perseverança e fé, a igreja foi estabelecida na região. “É um privilégio enorme servir a Deus aqui na ‘Terra do Fogo’, no fim do mundo. Não importa a neve ou a chuva, o amor pelas almas nos mantém de pé”, diz.
O chamado do Ide
Atuando no país desde agosto de 2023, o Bispo Júlio Freitas destaca o verdadeiro sentido desse esforço: “A missão de salvar não é nossa, é do Espírito Santo. Porém, a responsabilidade de buscar o perdido sincero e anunciar o Evangelho do Senhor Jesus foi confiada a cada um de nós.
Por isso, o êxito na missão do ‘Ide’ depende da nossa comunhão pessoal com o Espírito Santo, que nos ensina todas as coisas”.
Além disso, ele acrescenta: “Não cometa o pecado do egoísmo espiritual. O chamado para anunciar o Evangelho é um privilégio de poucos diante da grande necessidade”. Segundo o Bispo Júlio, o cristão deve se inspirar na atitude do profeta Isaías. “Deus nos transformou e nos salvou para que, através de nós, outras pessoas também sejam transformadas e salvas. Não considere a honra de servir ao Altíssimo inferior à realização dos seus próprios objetivos, sonhos e projetos pessoais.”
A fé na Argentina não se detém diante das crises. Em 2027, está prevista a inauguração da Catedral de La Plata.
Universal na Argentina
- 7 bispos
- 410 pastores
- 319 igrejas
- 149 núcleos
- 5.442 servos, entre obreiros, obreiros missionários, colaboradores e CPOs
- 39.381 voluntários de grupos
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