Homenagens macabras
Como já é tradição em todos os anos, o carnaval de 2023 trouxe mais uma vez às passarelas um show de horrores. Em 2019, um ano antes do início da pandemia, uma escola de samba chegou às raias da loucura quando exibiu uma performance dantesca em que o diabo surrava Jesus Cristo.
Agora, outra escola de samba trouxe um carro alegórico com uma imagem gigantesca do diabo, cercado de labaredas de fogo, como quem toma um banho de banheira. Obviamente, a escola não assumiu que estava homenageando o mal. Ela disse que estava fazendo uma “recriação do paraíso”, que, a julgar pelo samba-enredo e os elementos apresentados, seria vermelho e com espaço para pecados. Cada um dá sua interpretação, mas, ao usar elementos bíblicos em sua apresentação, ninguém pode reclamar de que se interprete a imagem usando a Bíblia – e os olhos.
O título do samba-enredo, Delírios de um Paraíso Vermelho, faz jus à escolha do homenageado. Só mesmo delirando para achar que o diabo faria parte de algum paraíso e que “tolerância” é cada um poder fazer o que quiser, sem consequências. O delírio leva o ser humano a exaltar o mal, na expectativa de que este mal tenha algum apreço ao ser humano.
Não tem. O mal é o adversário do ser humano. O diabo não tem compromisso com ninguém. Ele só quer destruir.
O carnaval vem sendo palco de violência crescente, resultando em perdas, inclusive de vidas. Não é mera coincidência a concentração de desgraças que acontecem durante esta época do ano. E a cada ano parece que é pior.
A porta para o mal foi aberta e ele não faz cerimônia. É delírio achar que homenagear o mal vá trazer algum benefício. Não, muito pelo contrário.
Ele carrega uma missão que é de matar, roubar e destruir, o que faz para afrontar o Criador. Como não há chances para se redimir, ele segue firme na sua missão.
Eis a razão de tanta confusão, principalmente neste período do ano, em que o mal é honrado não apenas com carros alegóricos, mas também com atitudes, palavras e reações que agradam a ele. Vemos o resultado nos noticiários em todos os carnavais: tragédias familiares, catástrofes e acidentes inexplicáveis. E, como podemos constatar ao ligar a TV, a cada ano esses resultados são maiores.
Contexto histórico
O carnaval tem origem nas festas pagãs romanas e o catolicismo absorveu essas festas, como fez com muitas outras tradições e práticas pagãs.
Apesar de o carnaval ser a festa da carne, o catolicismo o tornou “aceitável” ao instituir que a Quarta-Feira de Cinzas purificaria o fiel dos pecados cometidos durante a festa e o prepararia para a Quaresma – os 40 dias que antecedem a Páscoa. Por essa razão o carnaval acontece em dias diferentes todos os anos, porque depende da data de celebração da Páscoa católica.
“Não erreis”
A ideia de que é possível premeditar o arrependimento é absurda por si só. Não há base bíblica que justifique alguém que planeja pecar, comete o pecado deliberadamente, contando com um arrependimento futuro –, e já planeja os próximos pecados. Isso não é arrependimento, é hipocrisia e, portanto, não funciona para redimir ninguém, mas para afastar a pessoa de Deus ainda mais. Arrependimento exige mudança de atitude ou não é arrependimento.
No carnaval ou fora dele, algumas pessoas acham que é possível levar a vida do seu jeito e depois contar com as benesses de Deus. Mas está escrito: “Não erreis: Deus não Se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna” (Gálatas 6.7-8). O ser humano não tem o poder de criar Deus à sua imagem e semelhança. Deus é Quem Ele diz que é e Ele não muda nem deixa de existir só porque alguém não acredita nEle.
Infelizmente, o estado do mundo tende a piorar, pois as pessoas insistem em não levar Deus a sério e agravam seus erros a cada ano que passa. Cada ser humano escolhe a quem vai honrar e colherá aquilo que plantar.
Enquanto o mundo estiver honrando o mal, receberá do mal o que lhe é próprio. Afinal de contas, é insanidade – e estupidez – esperar receber o bem enquanto se honra o mal.
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