Hikikomori: quando o isolamento social se torna um sinal de alerta
Fenômeno identificado no Japão envolve afastamento prolongado das relações sociais e pode comprometer a rotina, os estudos e a vida profissional
Imagine alguém que passa meses dentro de casa, deixa de encontrar amigos, interrompe os estudos ou o trabalho e evita até mesmo conversar com familiares. Embora possa parecer apenas uma fase de afastamento, esse comportamento, quando prolongado e acompanhado de prejuízos à vida cotidiana, pode estar relacionado ao hikikomori.
O termo surgiu no Japão para descrever situações de isolamento social extremo, frequentemente identificadas entre adolescentes e jovens adultos, embora também possam atingir pessoas de outras faixas etárias.
O fenômeno ganhou visibilidade no Japão na década de 1990. Em uma pesquisa divulgada pelo governo japonês em 2023, a estimativa era de aproximadamente 1,46 milhão de pessoas entre 15 e 64 anos vivendo em situação de isolamento social prolongado.
- Embora tenha ganhado visibilidade no Japão, o hikikomori também desperta o interesse de pesquisadores de outros países. As discussões envolvem possíveis relações entre o isolamento prolongado, as pressões sociais, as dificuldades emocionais e as mudanças nas formas de interação.
Quando o isolamento preocupa
Uma das principais características do hikikomori é o afastamento prolongado das atividades sociais, escolares ou profissionais. Em alguns casos, a pessoa permanece quase todo o tempo dentro de casa e reduz significativamente o contato com outras pessoas, inclusive familiares.
Em situações mais intensas, o isolamento pode se restringir ao próprio quarto, dificultando a participação em atividades familiares e outras tarefas cotidianas.
O hikikomori não é classificado como um transtorno mental independente nos principais manuais diagnósticos internacionais. Entretanto, pesquisadores investigam suas possíveis relações com condições como depressão, ansiedade e outros transtornos.
Em algumas abordagens da literatura científica, pesquisadores utilizam os termos hikikomori primário e secundário para diferenciar situações em que não se identifica outro transtorno mental associado daquelas em que o isolamento ocorre juntamente com uma condição diagnosticada. Entretanto, essa divisão não representa uma classificação diagnóstica universal.
Entre os fatores investigados estão experiências de bullying, conflitos familiares, dificuldades de interação social e sofrimento emocional. Pesquisadores também estudam a ocorrência desse padrão de isolamento em pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), mas isso não significa que o autismo provoque o hikikomori.
Os impactos na vida cotidiana
Em artigo publicado no portal Brazil Health, a psicóloga Dorli Kamkhagi, apresentada como responsável nacional pela área de Psicologia da instituição, alertou para os impactos que o isolamento extremo pode provocar nas relações familiares e sociais.
- “O que é tão preocupante na doença de Hikikomori é ver jovens que passam a viver isolados, trancados em seus quartos. É quase um estado de regressão psicótica, no qual os vínculos mais antigos (familiares e afetivos) vão sendo excluídos. Embora esses jovens não fiquem deitados em suas camas, passam a viver num universo particular, no qual a única comunicação seja por meio das telas, de filmes e da criação de um afastamento quase total.”
Por isso, familiares devem observar mudanças persistentes de comportamento, afastamento das relações sociais e dificuldades para manter atividades habituais.
Nessas situações, uma conversa acolhedora, sem julgamentos ou cobranças excessivas, pode ajudar a compreender o sofrimento da pessoa. Além disso, buscar orientação de profissionais de saúde mental é importante para avaliar as possíveis causas do isolamento e identificar os cuidados necessários.
Onde encontrar acolhimento?
Além do apoio familiar e do acompanhamento profissional, a fé pode representar uma fonte de esperança e fortalecimento para quem enfrenta dificuldades emocionais.
Nesse contexto, a Universal desenvolve projetos que oferecem escuta, acolhimento e apoio espiritual a pessoas que enfrentam diferentes formas de sofrimento emocional. Conheça duas dessas iniciativas:
- Projeto Help: com o lema “Não te julgo, te ajudo”, oferece escuta e apoio emocional, principalmente aos jovens. Além das ações em escolas e espaços públicos, o projeto atende diariamente pelo WhatsApp (11) 2392-6910;
- Depressão Tem Cura: oferece apoio emocional e espiritual a quem enfrenta depressão, ansiedade e outros sofrimentos. Também é possível solicitar atendimento ou uma visita pelo WhatsApp (11) 3573-3662.
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