Grupo Calebe: Ler e Escrever completa 30 anos com 150 mil beneficiados

Por meio da iniciativa, jovens e adultos têm deixado o analfabetismo; neste ano, mais de 6 mil já se matricularam nas turmas espalhadas pelo Brasil

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Com uma média de 5 mil formandos a cada mês de dezembro, o programa Ler e Escrever já beneficiou, em 30 anos de existência, 150 mil alunos. Gente que aprendeu muito mais do que juntar letras e formar palavras. Para quem sai do analfabetismo — 9,1 milhões de brasileiros, segundo o IBGE —, cada aprendizado representa um passo a mais para conquistar independência, recuperar a autoestima e voltar a sonhar. Segundo a UNESCO, a alfabetização é uma das bases do desenvolvimento humano porque influencia na renda, promoção de saúde, igualdade social e participação ativa na sociedade.

Grupo Calebe Ler e Escrever completa 30 anos com 150 mil beneficiados

O Ler e Escrever, coordenado pelo Grupo Calebe Universal, nasceu no Brasil, oficialmente em 6 de setembro de 1996, se espalhou pelo mundo e hoje está presente em mais de 27 países. As aulas são gratuitas e voltadas sobretudo ao público acima de 60 anos, com novas turmas abertas todo ano. Em 2025, a quantidade de inscritos em território nacional superou as expectativas: 7.047.

Atualmente, a iniciativa é oferecida em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, em 1.023 unidades da Universal que disponibilizam as salas de aula. Neste ano, 6.290 educandos já estão matriculados ao redor do país, a maioria no Rio de Janeiro (1.355), seguido de São Paulo (1.282). Dados divulgados em 2025 apontam que 29% da população brasileira entre 15 e 64 anos ainda enfrenta o analfabetismo funcional.

Aprendizado a qualquer tempo

As turmas do programa reúnem pessoas de diferentes gerações. O estudante mais jovem tem 15 anos de idade, enquanto a mais experiente, Ivonete Maria da Glória Silva (foto acima), de Vitória (ES), tem 93 anos. A aposentada não perde uma aula, vai sozinha até o templo e segue firme nas atividades, contrariando os prognósticos para alguém a essa altura da vida. “Nunca imaginei com essa idade aprender a ler e escrever, o projeto me ajudou muito”, disse a aposentada.

As aulas acontecem, em geral, duas vezes por semana, conduzidas por 1.706 professores voluntários em todo o Brasil que incentivam o uso de smartphones e computadores em sala para ampliar o aprendizado e aproximar os alunos das ferramentas digitais, promovendo também inclusão tecnológica.

Além da alfabetização básica, o curso oferece conteúdos de Português e Matemática no primeiro ano. Já os alfabetizados podem avançar em disciplinas como Ciências, História e Geografia, concluindo as matérias equivalentes do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. Ao término do ciclo, há orientação para continuidade dos estudos na rede oficial de ensino.

Grupo Calebe Ler e Escrever completa 30 anos com 150 mil beneficiados

Iniciativa que alcança as nações

O Ler e Escrever também realiza atividades em países como Portugal, Japão, Croácia, Uganda, Indonésia, Bolívia e Estados Unidos. No México, por exemplo, são 152 participantes. Ao longo dessas três décadas, muitos ex-alunos seguiram estudando e se formaram em áreas como enfermagem, direito e pedagogia. Outros decidiram retribuir tornando-se voluntários. É o caso de Ana Raquel Corrêa Teixeira, de 38 anos, moradora de Coxim (MS), que hoje atua como educadora voluntária. Segundo ela, sua colaboração é “a realização de um sonho pessoal e a oportunidade de ajudar outras pessoas a realizarem os seus”.

Mais do que ensinar a ler e escrever, a iniciativa do Calebe promove transformação emocional e social. Estudo da Fundação Carlos Chagas indica que as ações de alfabetização também contribuem para o fortalecimento da autoestima e da cidadania.

“O retorno do nosso trabalho é ver pessoas que antes dependiam dos outros hoje inseridas na sociedade com dignidade. Cada pequena conquista representa uma grande vitória”, destaca Luiz Antonio Dobroca, responsável pelo programa em São Paulo.

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UNIcom