Gamer over para a fuga digital
Na tentativa de preencher a carência deixada pelo marido viciado em pornografia, Queila Paixão mergulhou nos jogos digitais. Mas essa fuga virou uma grande armadilha
Imagine um lugar onde tudo é possível: ter o corpo ideal, o emprego dos sonhos, dinheiro ilimitado e a família perfeita. Esse mundo existe: é o universo virtual.
Todas essas possibilidades oferecidas pelos games atraem muitas pessoas, especialmente aquelas que buscam fugir da realidade. A imersão na vida online cria a sensação de alívio momentâneo e faz com que os problemas reais pareçam distantes e menos dolorosos. Mas, enquanto a vida virtual recebe tanta atenção, a real começa a desmoronar.
Facilidade e acolhimento
O avanço da tecnologia e a facilidade de acesso aos games, que estão disponíveis no computador, nos consoles e também na palma da mão por meio do celular, impulsionaram o consumo de jogos. Além disso, as comunidades virtuais oferecem acolhimento.
De acordo com a Pesquisa Game Brasil de 2025, 82,8% da população joga regularmente jogos digitais. O levantamento indica também que a maioria tem entre 30 e 44 anos (49,4%) e é do sexo feminino, grupo que representa 53,2% dos jogadores.
Segundo especialistas, o cérebro não distingue totalmente o que é real do que é virtual, o que pode afetar a percepção de quem passa muito tempo jogando. Além disso, os jogos são feitos para gerar prazer constante, o que faz com que a vida real, com o passar do tempo, pareça sem graça, o que abre espaço para o vício e para um transtorno mental.
Reconhecido como doença em 2022, o transtorno de jogos tem como principais sinais a dificuldade de controlar o tempo dedicado aos games, a prioridade excessiva que se dá a eles e o abandono de tarefas básicas, como cuidar da casa, tomar banho, estudar ou trabalhar. Apesar dos prejuízos na vida real, a pessoa os ignora.
Fácil de entrar, difícil de sair
Queila Paixão passou quase três anos mergulhada na construção de uma vida virtual e seduzida pela ideia de viver a “vida perfeita”. Na tentativa de salvar o relacionamento com Carlos Paixão, ela acabou perdendo tempo, o casamento e a si mesma. Carlos, por sua vez, descobriu algo muito valioso a partir dessa experiência. Confira a história deles a seguir.
Impulso do coração:

Carlos – Nos conhecemos em um posto de gasolina. Tudo aconteceu rápido demais e logo fomos morar juntos, sem tempo para realmente nos conhecermos. Eu não sabia quem ela era e ela também não me conhecia.
Naquele momento, minha vida parecia um jogo sem regras: drogas, bebida e relação com mulheres diferentes quase toda semana. Esse comportamento que eu tinha quando era solteiro continuou depois que fomos morar juntos. Eu mantive as mesmas escolhas erradas, inclusive a traía.
A primeira decepção: o jogo bugou no início
Queila – Viver nessa condição foi horrível. Quando decidimos ficar juntos, eu idealizava constituir uma família. Saí da casa dos meus pais para morar na casa dos pais dele, acreditei que seria o início de uma nova fase, mas fui traída.
Isso tirou o meu chão e ampliou o vazio que já existia dentro de mim. Meu primeiro impulso foi
sair daquele relacionamento.
Rota de fuga
O videogame faz parte da rotina de muitos jovens e um terço deles se enquadra no uso problemático e nos critérios do transtorno de jogo pela internet (TJI), segundo pesquisa do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP).
O estudo mostra ainda que 57% dos adolescentes jogam para esquecer ou aliviar problemas, comportamento que pode gerar outros impactos como uso de tabaco, sintomas emocionais e dificuldades nos relacionamentos familiares e sociais.
Válvula de escape: o player busca outro servidor
Carlos – Quando percebi que ia perdê-la, parei de traí-la fisicamente. Eu não estava mais com outras mulheres, mas encontrei outra forma de fugir: mergulhei na pornografia. Eu virei dependente e passei anos me afundando
nesse mundo.
Queila – Para mim, o vício dele em pornografia parecia normal. Eu pensava: ‘Pelo menos ele está em casa, não está me traindo”. Mas, na prática, eu não tinha a atenção dele. Eu não recebia quase nada dele. E, depois de tantas traições, comecei a buscar algo para preencher o vazio na minha alma, até que encontrei os jogos online.
Assistir pornografia é ou não traição?
A pornografia deve, sim, ser entendida como uma forma de traição, pois quebra a confiança e desrespeita o acordo que o casal estabeceu. Sem limites claros, esse hábito se torna frequente e mina a intimidade, o respeito e a conexão. Além disso, gera comparações irreais, frustração, distanciamento, insatisfação sexual e dor emocional, especialmente para quem é traído. Por isso, definir limites firmes e comunicá-los com clareza é essencial. A falta deles abre brechas para conflitos, desgaste e até o fim da relação.
Vida paralela: um avatar de fuga

Queila – No começo, eram jogos simples, que pareciam inocentes. Até que me apresentaram um jogo cheio de possibilidades. Nele, eu podia ser quem eu quisesse através do meu avatar. Eu podia ter casas, construir uma família e viver tudo que não tinha na vida real com meu marido. Quando percebi isso, mergulhei de cabeça. Eu investia todo o dinheiro que eu tinha no jogo. Eu até pegava os cartões dele para continuar alimentando essa nova realidade.
Fugindo do mundo real: o avatar vira a vida principal
Queila – Eu me envolvi tanto no jogo que parecia que não tinha mais necessidades na vida real, como comer, tomar banho e nem me lembrar que tinha um marido. No universo virtual, eu fazia tudo: casei, tive filhos, comprei casas e carros. Era como se minha vida real tivesse dado logout. Quando me desconectava, eu me sentia estranha, como se estivesse em um mundo que já não era o meu.
Carlos – Eu não tinha ideia da dimensão que a vida dela tinha dentro do jogo. Eu só percebia os sinais: quando chegava em casa, tudo estava sujo, por exemplo, e nosso relacionamento afetivo e sexual praticamente deixou de existir.
Mundo virtual, sentimentos reais: a missão vira armadilha
Queila – Passei três anos imersa nesse jogo. Quando percebi, já estava apaixonada pelo avatar e pela pessoa que dizia que existia por trás dele. Em certo momento, essa pessoa me enviou uma foto, garantindo que era sua, e eu acreditei.
Até que descobri que tudo era mentira. No jogo, ele dizia que era um homem na vida real, mas, na verdade, era uma mulher. Eu já tinha sido traída no mundo real e, quando achei que estava segura no virtual, fui traída também.
Cada um tem o seu papel
Muitos conflitos no casamento surgem da inversão dos papéis definidos por Deus. Segundo a Bíblia, o homem deve ser guardador e cuidador da esposa e a mulher tem a responsabilidade de ser a auxiliadora idônea. Quando eles se perdem, surgem sobrecarga emocional, disputas e desequilíbrio.
Essa postura costuma ser fruto de experiências negativas, bagagens emocionais e ideias distorcidas sobre o matrimônio. Para alcançar a realização amorosa, é preciso deixar as referências do mundo e seguir o padrão que Deus estabeleceu. Esses ensinamentos são apresentados, semanalmente, às quintas-feiras nas palestras da Terapia do Amor.
Da decepção à fé: um novo caminho
Queila – Afundei em uma tristeza profunda. Sem ânimo, eu passava os dias deitada. Já não queria nem saber dos jogos e tudo tinha se tornado uma grande decepção. Eu mesma me sentia uma decepção, porque nada do que eu buscava dava certo.
Foi então que me lembrei da Igreja Universal. Eu já tinha participado de reuniões no passado, mas nunca havia me entregado de verdade. Decidi ir à Igreja, assisti à reunião e voltei para casa mais leve. Ali tomei a decisão: abandonar a vida virtual e me entregar a Jesus.
Você sabe o que é entregar a vida a Deus?
Muitos frequentam a igreja, mas ainda não entregaram a vida totalmente a Deus. Orar, jejuar, ler a Bíblia e participar das reuniões na igreja são atitudes importantes, mas a verdadeira entrega exige sacrifício do próprio eu.
A vida só está no Altar quando a pessoa abre mão da própria vontade para agradar a Deus. Na prática, isso significa abandonar más amizades, eliminar comportamentos errados, perdoar, deixar de ser orgulhoso e lutar diariamente contra o pecado, colocando em prática os ensinamentos da Palavra.
Somente depois dessa entrega sincera é que acontece o derramamento do Espírito Santo, quando o próprio Deus habita dentro da pessoa.
Colocando as coisas no lugar: resetando o jogo
Queila – Nas reuniões, fiquei sabendo da Celebração dos Casamentos na Igreja e decidi me inscrever. Falei com meu esposo que queria casar, porque tinha voltado para a fé e não queria mais viver em pecado. Perguntei se ele aceitava se casar comigo e ele aceitou. Até então, ele não acreditava em nada: nem em Deus, nem no diabo.
A importância da bênção do Altar
Valorizar a bênção do Altar é reconhecer a presença de Deus como fundamento da verdadeira felicidade a dois.
A Celebração de Casamentos é a oportunidade de receber essa bênção. Neste ano, ela ocorrerá em 30 de abril, em todos os templos da Universal no Brasil.
Podem participar noivos, casados apenas no civil ou casais em união estável. As inscrições vão até 16 de março. Para saber mais, acesse o QR Code ao lado.
Mudança inesperada: desbloqueando um novo level
Carlos – Eu me considerava ateu. Apesar disso, fizemos o curso Casamento Blindado e nos casamos. Não fui porque realmente eu queria me casar, mas para agradá-la. Só que, no dia da Celebração, algo mudou dentro de mim. Eu, que não acreditava em nada, comecei a sentir algo que nunca tinha sentido em toda a minha vida.
A Palavra de Deus na TV: nova missão desbloqueada
Queila – Comecei a assistir às séries bíblicas para levar a Palavra de Deus para dentro da minha casa. Assinei o UNIVER Vídeo e mergulhei em produções como Apocalipse, Jesus e Reis. Aos poucos, ele também passou a assistir comigo.
Carlos – A série Reis foi a que mais prendeu a minha atenção. Tinha tudo de que eu gostava nas outras séries: batalhas, estratégias e guerras. Só que, junto disso, vinha a Palavra de Deus, que eu não conhecia. Aquilo chamou minha atenção. Até que, um dia, ela me convidou para ir à reunião de domingo e eu fui.
Selecionando o conteúdo certo
Tudo que consumimos influencia pensamentos, sentimentos e comportamentos. Por isso, é essencial escolher com cuidado o que decidimos ver. Uma excelente alternativa é o UNIVER Vídeo, plataforma de streaming que oferece conteúdos criteriosamente selecionados para toda a família. São mais de 10 mil horas de programação que realmente vale a pena assistir.
A entrega completa: checkpoint final
Carlos – Certo dia, o pastor chamou à frente aqueles que tinham algum vício, como em pornografia. Eu fui até o Altar, me entreguei e foi como se eu tivesse sido abraçado por Deus. Logo depois, me batizei nas águas e comprei uma Bíblia.
Ouvi falar do Espírito Santo e comecei a buscá-Lo. Minha entrega foi total, até que O recebi. Naquele momento, eu não sabia se ria ou se chorava. Eu, porém, tinha uma certeza: Deus era comigo.
A revolta para alcançar o Espírito Santo: missão suprema
Queila – Quando meu esposo recebeu o Espírito Santo, comecei a me perguntar por que eu ainda não O tinha recebido. Então, Deus me mostrou que eu ainda não tinha me entregado completamente.
Decidi participar do Jejum de Daniel e fazer um voto na Fogueira Santa. Não pedi nada material, mas pela minha vida espiritual. Em uma reunião da Terapia do Amor, cobrei a resposta de Deus. Foi um momento único: meu vazio foi preenchido por alegria e paz. Descobri que não precisava trocar de esposo para ser feliz. Eu precisava de Jesus, do Espírito Santo dentro de mim.
A realização real: level máximo alcançado
Agora temos paz dentro de casa, respeito e união. Cuidamos um do outro e vivemos como dois namorados. Se as pessoas soubessem disso, priorizariam a Deus, porque tudo muda. Tudo fica colorido.
Hoje, nosso relacionamento é baseado em colocar Deus em primeiro lugar. Esse foi o principal ensinamento do curso Casamento Blindado, mas só conseguimos entendê-lo depois do batismo com o Espírito Santo. Deus nos transformou por dentro e isso refletiu em tudo ao nosso redor.

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