Farmar Aura: Quando a aprovação vale mais que a identidade

A busca por prestígio e validação ganhou um novo nome entre os jovens, mas especialistas alertam para os impactos na construção da identidade

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Quem convive com crianças e adolescentes provavelmente já ouviu a expressão “farmar aura”. Popular nas redes sociais, a gíria se refere à busca por prestígio, carisma e admiração. O termo combina dois conceitos da cultura jovem: “farmar”, dos games, que significa acumular recursos ou vantagens, e “aura”, a imagem ou impressão que uma pessoa transmite. Juntos, eles passaram a representar a capacidade de conquistar atenção e reconhecimento.

Das telas para o cotidiano

Impulsionado por vídeos virais e influenciadores, o fenômeno saiu das telas e chegou aos encontros presenciais, onde jovens participam de desafios de criatividade e carisma em busca de visibilidade.

A tendência “farmar aura” também ganhou espaço em encontros presenciais, onde jovens participam de desafios em busca de reconhecimento

Apesar do tom descontraído, especialistas alertam para os riscos da necessidade constante de validação. Segundo a psicóloga clínica Érika Oliveira, muitos adolescentes acreditam que precisam manter uma imagem perfeita para serem aceitos. “Isso gera medo de falhar, preocupação excessiva com a aparência e pressão para chamar atenção. Quando as expectativas não são atendidas, podem surgir sentimentos de insuficiência, ansiedade e insatisfação”, afirma.

Fortalecimento dos vínculos familiares

Érika destaca que a identidade deve ser construída sobre valores, relacionamentos saudáveis e experiências reais, e não sobre a aprovação nas redes. Para isso, defende o fortalecimento dos vínculos familiares, a valorização de conquistas fora do ambiente digital e limites para o uso da tecnologia. “Pais, educadores e profissionais precisam mostrar que as redes sociais representam apenas parte da realidade e que curtidas não definem o valor de uma pessoa”, orienta.

Parceria entre família e escola

A professora e gestora escolar Simone Tavares Techima acrescenta que a busca excessiva por visibilidade pode prejudicar a concentração, aumentar o estresse e comprometer a aprendizagem. “Família e escola precisam atuar juntas para orientar crianças e adolescentes sobre limites, responsabilidade digital e uso consciente da tecnologia”, afirma.

Da validação humana à identidade em Deus

O desejo de ser admirado e aceito não nasceu com as redes sociais. Desde a queda no Jardim do Éden, o ser humano busca aprovação e pertencimento, e o ambiente digital apenas tornou essa necessidade mais imediata e visível.

O problema não está nas redes, mas em construir a própria identidade sobre a opinião das pessoas.

A verdadeira Identidade

Sob a perspectiva da fé, essa busca revela um vazio que nenhuma popularidade consegue preencher. É o Espírito Santo quem confirma a identidade daqueles que vivem pela fé, mostrando que seu valor está em Deus, e não na aceitação humana. Como afirma Romanos 8:16: “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.”

A quem queremos agradar?

Quando a identidade está firmada em Deus, a aprovação das pessoas deixa de definir quem somos. Em tempos de exposição constante, o desafio é agradar a Deus, e não aos homens. Como ensina Gálatas 1:10: “Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? Ou procuro agradar a homens? Porque se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo”.

Aprovação humana

  • Depende da opinião das pessoas
  • Nunca é suficiente
  • Gera comparação
  • Produz ansiedade
  • Oscila diariamente
  • Precisa ser conquistada

Identidade em Deus

  • Depende do relacionamento com Deus
  • Traz segurança
  • Gera paz
  • Produz confiança
  • Permanece
  • É recebida pela fé

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Autor

Michele Lima / Imagem: Gerada por IA / Arte sobre foto reprodução / r7