Exposição a conteúdos extremos nas mídias sociais fomenta comportamentos violentos na vida real
Juíza Vanessa Cavalieri, da Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro, alerta para fenômeno de crescimento de atos de violência extrema cometidos por jovens
Na última semana, a morte do cão Orelha ganhou espaço nas redes sociais e noticiários do Brasil. Segundo investigações, a suspeita é que quatro adolescentes, sem motivo algum, espancaram e deixaram o animal agonizando na Praia Brava, em Florianópolis, uma das regiões mais luxuosas da capital catarinense. Confira mais detalhes do caso na reportagem abaixo:
Por que isso importa?
Para a juíza Vanessa Cavalieri, da Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro, o caso expõe um fenômeno de crescimento de atos violência extrema cometidos por jovens. Há anos ela estuda a radicalização de adolescentes e percebe que a tortura de animais é prática recorrente em comunidades online, como o Discord.
“Como uma criança que é inocente, que nunca fez maldade, em quatro anos se torna um adolescente que faz isso? Isso não surge do nada. Primeiro, crianças e adolescentes estão sendo expostos a conteúdos de extrema violência, e isso causa um fenômeno psíquico-neurológico chamado dessensibilização da violência. Pessoas que começam a olhar para a violência com muita frequência — sejam cenas, imagens, fotos, vídeos —, depois de um tempo de exposição rotineira, perdem a sensibilidade. Começam a não achar aquilo tão asqueroso, tão revoltante; já não causa a mesma repulsa”, disse em entrevista à BBC Brasil.
Dessa forma, depois de um tempo, muitas dessas crianças e adolescentes expostos a essa violência extrema e já dessensibilizados dão um passo além: começam a praticar essa violência. Algo que começou primeiro no ambiente virtual.
Alerta aos pais:
Portanto, é cada vez mais importante que pais e responsáveis estejam próximos dos adolescentes para prevenir o acesso a esse tipo de conteúdo e orientá-los a agirem da forma correta.
Também é necessário envolver os jovens em atividades saudáveis para o corpo e a mente. Na linha de frente desse cuidado, iniciativas como o Força Teen Universal (FTU) e a Força Jovem Universal (FJU) oferecem alternativas.
A saber, o FTU atua com adolescentes de 11 a 14 anos, promovendo valores familiares, responsabilidade digital e autoestima, com oficinas, rodas de conversa e apoio emocional.
Já o FJU trabalha com jovens a partir dos 15 anos, oferecendo alternativas como esportes, música, teatro e debates sobre temas da atualidade. Dessa forma, esses projetos não apenas ocupam o tempo livre de forma positiva, como também desenvolvem consciência crítica sobre o mundo digital.
Para participar, procure uma Universal mais próxima e converse com o responsável local.
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