Ex-saltador relata como vício em pornografia afetou carreira e preparação olímpica
Freddie Woodward contou como a dependência afetou sua rotina, estudos, carreira esportiva e preparação para competições
Em entrevista à jornalista Anna Crossley, da BBC News, em Yorkshire, no Reino Unido, o ex-saltador Freddie Woodward relatou como a dependência de pornografia interferiu em diferentes áreas de sua vida, incluindo os estudos, a carreira esportiva e a preparação para competições. Aos 30 anos, ele também defendeu que adolescentes recebam mais orientação sobre os riscos desse tipo de conteúdo e saibam onde buscar ajuda.
O relato ocorre em meio à preocupação no Reino Unido com o acesso de crianças e adolescentes a conteúdos sexualmente explícitos na internet. Em junho, o governo britânico anunciou medidas para dificultar que menores produzam, enviem ou visualizem esse tipo de imagem em seus dispositivos.
O contato com a pornografia começou na infância
Aos 7 anos, Freddie Woodward iniciou a carreira no salto ornamental, depois que sua escola primária recebeu a visita de olheiros de um clube.
Como não tinha muita habilidade no futebol, encontrou no salto ornamental uma oportunidade. Com o passar dos anos, desenvolveu-se na modalidade e passou a competir internacionalmente.
Para alcançar esse nível, ele treinava cerca de 20 horas por semana, entre piscina e academia. Aos 12 anos, porém, começou a acessar com frequência sites com conteúdo sexualmente explícito.
À medida que sua carreira avançava, o consumo também se intensificava. Aos poucos, o comportamento começou a interferir nos estudos e, posteriormente, na preparação para as competições.
“Percebi que tinha um problema com relação às tarefas e exames escolares. Toda vez que eu parava para estudar, tudo o que eu queria fazer era abrir esses sites.”
O vício em pornografia afetou a carreira
Aos 20 anos, Woodward já havia conquistado diversas medalhas e alcançado um dos principais objetivos de sua carreira: representar o Reino Unido nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.
Apesar das conquistas esportivas, o consumo de pornografia se tornou diário. Em determinada ocasião, o ex-atleta chegou a acessar esse tipo de conteúdo dez vezes em um único dia.
“Se eu tivesse tido um treino ruim, [a pornografia] era sempre algo ao qual eu podia recorrer”, afirmou.
Quando percebeu que precisava de ajuda
O momento que o levou a reconhecer a necessidade de mudança ocorreu quando sua namorada, Chika Izumi, ex-atleta de nado sincronizado da seleção japonesa, encontrou fotos e vídeos íntimos dele compartilhados com pessoas desconhecidas em plataformas como Facebook e Instagram.
O episódio provocou vergonha e sofrimento. Ainda assim, Woodward afirmou que não conseguia interromper o comportamento.
“Fiquei muito envergonhado e arrasado. Simplesmente não sabia como lidar com isso. O pior de tudo era que eu ainda não conseguia parar de assistir pornografia. Eu não conseguia parar.”
Woodward afirma que levou seis anos para superar a dependência. Em 2025, segundo ele, conseguiu romper com o comportamento.
Para o ex-atleta, a mudança não ocorreu apenas ao tentar interromper o consumo, mas também ao transformar a maneira como passou a enxergar a si mesmo. A partir desse processo, deixou de se definir como alguém que “tenta parar de assistir pornografia” e passou a se enxergar como “alguém que não assiste à pornografia”.
O que está por trás do comportamento?
O relato de Woodward mostra que o problema não se limitava ao acesso ao conteúdo. Aos poucos, a pornografia passou a ocupar espaço em sua rotina e a ser utilizada como uma forma de lidar com frustrações e sentimentos difíceis.
Nesse sentido, a mudança também envolve compreender os pensamentos e desejos que alimentam determinados comportamentos. Reconhecer esse processo pode ser um primeiro passo para quem deseja romper com aquilo que tem causado prejuízos à própria vida.
Como vencer pensamentos e desejos prejudiciais?
A mudança de comportamento também passa pela maneira como a pessoa lida com os pensamentos e desejos que surgem em sua mente. A orientação é não alimentar aquilo que conduz a práticas prejudiciais, mas buscar domínio sobre as próprias escolhas e fortalecer a vida espiritual.
É sobre essa luta que o Bispo Renato Cardoso orienta no conteúdo abaixo. Ele explica como lidar com maus pensamentos e desejos e mostra caminhos para quem deseja mudar.
Dessa forma, o caso do ex-atleta também chama atenção para uma questão importante: reconhecer que existe um problema é apenas o começo. A mudança exige uma decisão consciente e atitudes que interrompam o ciclo que mantém determinado comportamento.
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