“Eu me adaptei àquela vida sórdida”
Ana Paula da Silva recorreu à prostituição para se sustentar, sofreu abuso do ex-namorado e quase perdeu a vida. Confira como ela mudou sua trajetória
A gestora de mídias sociais Ana Paula da Silva, de 34 anos, cresceu se sentindo inferiorizada. Ela acreditava que sua mãe dava mais atenção aos seus irmãos do que a ela. “Eu morava com minha mãe, meus irmãos e o pai deles. Eu achava que ele se sentia incomodado com a minha presença. Minha mãe, por sua vez, dava preferência aos meus irmãos e essa situação provocou feridas dolorosas em meu coração”, expõe.
Aos 19 anos, Ana conheceu um rapaz e foi morar com ele, embora sua mãe fosse contra essa decisão. “Minha mãe chorou muito e cheguei a pensar: ‘por qual motivo ela se lamenta? Nunca me deu valor e agora chora?’”. No início, o relacionamento foi tranquilo. O namorado de Ana trabalhava e ela ficava em casa, mas, depois de um ano, ele ficou desempregado. Então, Ana buscou emprego, mas não encontrou. “A única maneira que encontrei de me sustentar foi por meio da prostituição. Eu imaginava que seria por um tempo e quando eu quisesse abandonaria, contudo não foi bem assim que as coisas transcorreram”, conta.
“Nos primeiros dias de prostituição eu me sentia suja, mas, com o decorrer do tempo, me adaptei àquela vida sórdida. Além disso, eu bebia frequentemente”, declara. Na época, o ex-namorado dela não trabalhava mais, vivia bebendo, não ajudava nem na organização nem na limpeza da casa e Ana resolveu se separar. Posteriormente, eles se tornaram amigos, ele passou a cuidar da casa de Ana com o intuito de impedir assaltos, tinha a cópia da chave do local e a auxiliava fazendo alguns favores. No entanto ele começou a usar a casa de Ana como ponto de recebimento de mercadorias ilegais.
Ana admite que tinha consciência de que as situações que aconteciam em sua casa em algum momento gerariam problemas a ela. Certo dia, ela chegou em casa e o dinheiro que tinha guardado para pagar o aluguel, cerca de R$ 600, não estava mais onde ela tinha deixado.
Quando questionou o ex-namorado, ele negou que tivesse pegado e acusou o irmão. Pouco tempo depois, ele confessou o roubo e ela o proibiu de entrar na casa. “Ele começou a me perseguir, jogava pedras na minha janela e queria me apavorar. Ele invadiu minha casa, colocou uma faca no meu pescoço e abusou de mim. Eu o enfrentei, imaginei que ele não teria coragem de me matar, mas, no fundo, eu queria que ele fizesse isso, porque eu desejava morrer.”
Para tentar se proteger, Ana foi à delegacia, fez um boletim de ocorrência e se manteve trancada em casa por alguns dias, com receio de encontrar o ex. Nesse período, ela diz que sua mãe e sua avó a resgataram da solidão e a apoiaram. Apesar disso, Ana afirma que permaneceu na prostituição e tinha de fugir de garotas de programa que não a estimavam e desejavam sua morte. “Eu sempre me lembrava de Deus, especialmente nos momentos ruins, contudo eu tinha mágoa dEle, eu terceirizava a culpa pelos meus problemas para Deus. Eu dizia: ‘não vou orar para você’.”
Tempos depois, ela decidiu sair da prostituição, buscou emprego, passou a viajar, fez amizades e procurava levar uma vida comum.
“Algumas coisas mudaram no meu exterior, no entanto eu desejava algo a mais. Eu precisava de paz interior. Me lembrei da época que eu era criança e que a minha mãe me levava à Universal.” Ela procurou a Igreja Universal mais próxima e escolheu entregar a vida ao Senhor Jesus.
Ana dedicou seu tempo a aprender sobre a Palavra, construiu um relacionamento com Deus e renunciou às suas vontades para receber a Presença do Altíssimo. “Fiz a Fogueira Santa e o Jejum de Daniel com o intuito de receber a Presença do Único que foi capaz de cuidar de mim quando eu mais precisei. Me afastei do mundo, dos vícios e da prostituição, renunciei às minhas vontades para fazer as de Deus. Me batizei nas águas e recebi o Espírito Santo. Hoje, Ele é a minha força e a minha Salvação”, conclui Ana, que agora tem um bom relacionamento com a mãe.
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