“Era impossível eu estar vivo”

Correndo o risco de ter as pernas amputadas, José da Silva passou por dias de dor e incertezas

Imagem de capa - “Era impossível eu estar vivo”

Em 2021, José da Silva, vigilante de 54 anos, viveu uma experiência que mudou sua vida. Após um mal-estar repentino, imediatamente, ele procurou um pronto-socorro, onde foi medicado e liberado para voltar para casa. Mesmo assim, continuou sentindo fortes dores na coluna e acreditou que o desconforto pudesse estar relacionado às atividades exercidas no trabalho, do qual havia sido desligado recentemente, ou até mesmo a uma reação ao medicamento recebido.

No dia seguinte, José foi à Igreja, mas precisou retornar para casa antes do término da reunião. “Eu estava muito mal, com dor na nuca, tontura e náusea”, recorda. Durante a madrugada, o quadro se agravou ainda mais. Ao amanhecer, ele e a esposa perceberam o surgimento de manchas nas pernas e, em seguida, José teve vários episódios de perda de consciência, o que levou sua esposa a acionar o socorro imediatamente.

Risco de amputação

Quando os socorristas chegaram, José já estava inconsciente novamente e permaneceu assim durante os dois primeiros dias de internação. Ao recobrar a consciência, ele não conseguia mover as pernas e recebeu uma notícia preocupante: “ouvi um enfermeiro dizer que, se o sangue não voltasse a circular nas minhas pernas, seria necessário amputá-las”, relata.

Os exames realizados durante os cinco dias em que José esteve internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) apontaram o diagnóstico de meningite bacteriana. Segundo ele, a equipe médica explicou que, quando a doença se manifesta, geralmente a pessoa tem apenas 24 horas de vida. A esposa de José chegou a ouvir que, pela idade e pela gravidade do quadro, ele deveria estar morto.

Meningite bacteriana

É a inflamação das meninges, as três membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal.

Os principais sintomas da doença são:

  • Febre;
  • Dor de cabeça;
  • Náusea;
  • Vômitos em jato;
  • Rigidez no pescoço.

Em bebês e crianças pequenas, também podem ocorrer choro persistente, recusa alimentar, irritabilidade e moleira inchada.

Os sinais de gravidade incluem convulsões, confusão mental, dificuldade para acordar e manchas vermelhas ou arroxeadas na pele. A doença pode evoluir para óbito em poucas horas; por isso, o tratamento deve ser iniciado rapidamente para reduzir o risco de sequelas permanentes.

Diagnóstico e Transmissão

O diagnóstico é realizado por meio da coleta do líquido cefalorraquidiano, conhecido como líquor.

A transmissão ocorre pelas vias respiratórias, por meio de pessoas portadoras da bactéria, ao tossir, espirrar ou falar. Nem todos os infectados desenvolvem a doença, o que permite a disseminação da bactéria de forma inconsciente.

Prevenção e Tratamento

A prevenção é realizada por meio das vacinas do grupo ACWY, disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto o tratamento consiste no uso de antibióticos por orientação e acompanhamento médico.

Fonte: Infectologista Marcelo Neubauer e Ministério da Saúde

Uma oração de fé

Diante dessa situação, José se apegou ainda mais a fé e clamou a Deus. “Se o Senhor me permitiu viver, eu não aceito viver sem as minhas pernas, então eu quero ser curado”, afirma. Após cinco dias, ele foi transferido para um hospital para dar continuidade ao tratamento. Lá, todos os exames foram repetidos. “Os médicos duvidavam do diagnóstico, porque, aos olhos humanos, era impossível eu estar vivo”, lembra.

A doença foi confirmada novamente, e o tratamento seguiu de forma rigorosa. Ao todo, José permaneceu internado por 24 dias, utilizando antibióticos sob constante supervisão médica. Apesar de não estar mais em risco de morte, as manchas nas pernas evoluíram para feridas abertas, e as notícias continuavam desanimadoras: havia a possibilidade de ele não voltar a andar.

Recuperação surpreendente

Mesmo assim, José manteve a fé. Durante o período de internação, ungia-se com o óleo consagrado e bebia da água que a esposa consagrava na igreja. Além disso, ele acompanhava as reuniões online.

No 29º dia, José conseguiu dar os primeiros passos e, no mesmo dia, recebeu alta. “Os médicos não sabiam explicar como consegui sobreviver e me recuperar tão bem”, relata.

Após 15 dias em casa, ele já caminhava sem grandes dificuldades. Para José, o maior milagre não foi apenas voltar a andar, mas recuperar completamente a consciência. “Eu sou um milagre”, conclui.

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Colaborador

Thayná Andrade / Foto: Demetrio Koch e arquivo pessoal