Eles se prepararam para o pior

O diagnóstico trouxe uma realidade difícil e, diante das poucas perspectivas, a família passou a encarar o que parecia inevitável

Imagem de capa - Eles se prepararam para o pior

No final de 2023, a vida de Luiz Carvalho, de 76 anos, e da esposa, Alcineia Carvalho, de 62, seguia normalmente até que uma forte dor nas costas fez Luiz desmaiar. Depois de idas ao pronto-socorro e uma série de exames, uma biópsia revelou um câncer de próstata.

Câncer de próstata

É um tumor que se desenvolve na próstata e ocorre com maior frequência após os 60 anos. Entre os fatores de risco estão o histórico familiar e o excesso de peso. A doença pode não apresentar sintomas no início; quando surgem, os mais comuns são dificuldade para urinar, jato urinário fraco e aumento da frequência urinária. A investigação inclui o exame de PSA e o toque retal, e o diagnóstico é confirmado por biópsia. Em casos de metástase, o câncer se espalha para outras partes do corpo, tornando
o quadro mais grave.

Fonte: Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Antes

Depois

Os exames mostram a queda expressiva do PSA de Luiz: o índice, que chegou perto de 700, caiu para 44,08 e, no exame seguinte, já estava próximo de 1.

O diagnóstico surpreendeu porque, cerca de um ano e meio antes, seus exames de rotina estavam normais. O médico chegou a questionar se aquele acompanhamento havia sido feito. Alcineia encontrou o resultado anterior e o levou ao hospital. Ao compará-lo com os novos exames, o oncologista se espantou com a rápida evolução da doença. O quadro, porém, era ainda mais grave: havia metástase.

Sem perspectiva

Em poucas semanas, Luiz deixou de andar, de se sentar e de realizar sozinho tarefas básicas. Quando conseguiu atendimento no hospital do câncer, precisou chegar de ambulância.

Após analisar os exames, o médico chamou Alcineia e o filho, Luis Henrique, e entregou quatro caixas de morfina para controlar as dores. O filho perguntou sobre quimioterapia ou radioterapia, mas ouviu que não havia o que fazer naquele momento, pois o quadro era irreversível. Ao perguntar quanto tempo de vida o pai teria, o médico respondeu que falaria sobre isso na consulta seguinte, dali a 30 dias. “Eu acho que ele sabia que meu marido não estaria vivo no mês seguinte e quis nos poupar”, diz Alcineia.

A decisão de lutar

Sem conseguir cuidar do marido sozinha, Alcineia se mudou com ele para a casa da filha caçula, Sara Luisa, e a residência do casal foi vendida.

Depois daquela consulta, os filhos se reuniram para conversar sobre o que precisaria ser providenciado caso Luiz morresse. Naquele instante, Alcineia se afastou e foi até a cama do marido. “Eu orei: ‘Senhor, eu já tive tantas lutas e Te sirvo. Não vai ser agora que vou desistir’.”

Ela fez um voto de participar das reuniões de cura às terças-feiras e passou a levar os exames e uma camisa de Luiz para apresentar a Deus. Em casa, fazia questão de que ele a vestisse e repetisse: “Ao vestir essa camisa, pela fé, estou vestindo o Senhor Jesus”. Além disso, levava a água consagrada para que ele bebesse e o ungia com o azeite consagrado.

Pouco a pouco, Luiz começou a melhorar: voltou a se sentar, a se alimentar, a fazer suas necessidades normalmente e a ficar de pé. Mesmo debilitado, quis ir à igreja e participava das reuniões sentado em duas cadeiras, com o apoio de uma almofada. Conforme recuperava as forças, passou a frequentar a igreja com mais assiduidade.

Resultados que surpreenderam

Um mês depois, ele voltou ao mesmo médico, dessa vez sem precisar de ambulância. O PSA, que havia chegado perto de 700, estava em 44,08. Segundo Alcineia, o médico ficou espantado. No exame seguinte, o índice já estava próximo de 1 e, segundo a família, os tumores deixaram de aparecer nos exames.

Sonhos restaurados

Quase três anos depois, Luiz mantém o acompanhamento médico de rotina, e o casal voltou a fazer planos. Quando venderam a antiga casa, a expectativa da família era que ele morreria e que Alcineia permaneceria morando com a filha. Com a recuperação, porém, o casal comprou outra residência e recomeçou a vida. Luiz participou ativamente da reforma e voltou a realizar trabalhos que exigem esforço físico e longos períodos em pé. “Hoje ele está mais forte do que antes da doença, para a glória de Deus”, afirma Alcineia.

Saiba mais

Leia as demais matérias dessa e de outras edições da Folha Universal, clicando aqui. Confira também os seus conteúdos no perfil @folhauniversal no Instagram.

Folha Universal, informações para a vida!

imagem do author
Autor

Núbia Onara / Fotos: Cedidas