Ela conviveu com a dor desde a infância e quase desistiu da vida

Abandono, abusos, perdas familiares e pensamentos suicidas marcaram a trajetória de Thais Carvalho, que passou anos em busca de aceitação e sentido para viver

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A alegria da analista de recursos humanos Thais Carvalho Soares de Oliveira, de 32 anos, contrasta com seu passado. Ela enfrentou abandono, abusos, tragédias familiares e momentos em que acreditou que a morte era a única saída.

Abandonada pelo pai ainda durante a gestação, foi criada pela mãe. Quando tinha 3 anos, ganhou um padrasto, que considerava o pai que não teve. Porém, o vício dele em jogos e bebida provocava constantes discussões, que culminaram na separação do casal.

A partir dos 4 anos, Thais passou a ter crises de bronquite, pesadelos e situações que a assustavam. “Eu via e sentia vultos no meu quarto”, relata.

Abusos e perdas

A infância dela ficou ainda mais difícil aos 8 anos, quando foi molestada por dois vizinhos. Após esses acontecimentos, ela foi morar por um breve período com os avós no Piauí. Mas, quando retornou para São Paulo, enfrentou novas tragédias familiares. “Um tio morreu atropelado. Meses depois, outro tio, que ajudou a me criar, matou a esposa e tirou a própria vida. Aquilo me destruiu emocionalmente”, relata.

Tanto sofrimento fez com que, ainda criança, ela pensasse em tirar a própria vida. “Aos 10 anos, tentei cortar os pulsos e tomei remédios porque queria morrer.”

“Eu só queria ser vista pelos meus pais”

Com o passar dos anos, Thais acumulou mágoa dos pais e passou a sofrer com insônia. “Eu carregava raiva do meu pai pelo abandono e da minha mãe por achar que ela não me protegia.”

Na adolescência, ela passou a integrar uma banda da escola e encontrou na música um refúgio. Mas, quando o grupo se desfez, sofreu mais uma frustração. Com 15 anos, envolveu-se com um usuário de drogas e passou a frequentar bailes funk escondida da mãe. “Eu só queria ser vista pelos meus pais”, admite.

O convite da vizinha

Nesse período, uma vizinha a convidou para conhecer a Igreja Universal. “Eu estava exausta e carregava um vazio muito grande.” Após participar de uma reunião, pela primeira vez em anos, ela conseguiu dormir sem medo.

Aos 16 anos, Thais passou a integrar a Força Jovem Universal (FJU). Foi quando mudou seus hábitos, perdoou os pais, fortaleceu a vida espiritual e recebeu o Espírito Santo. “Pela primeira vez, me senti amada, cuidada e completa.”

Fé em meio às dificuldades

Durante sua caminhada de fé, Thais enfrentou novos desafios. Descobriu um tumor no cérebro e precisou passar por uma cirurgia de emergência. Além disso, a avó materna tirou a própria vida e o irmão foi preso por envolvimento com tráfico de drogas.

“Mesmo diante de tudo isso, permaneci na fé e pude apoiar minha família. Não tive sequelas da cirurgia, minha mãe se batizou, familiares se converteram e meu irmão reconstruiu a vida ao lado da esposa e da filha.”

Uma nova vida

Hoje, Thais está com a vida estabilizada em todas as áreas e afirma ter encontrado a felicidade. “Eu sei o que é querer desistir da vida, mas sou prova de que uma história pode mudar. Quando recebi o Espírito Santo, deixei de apenas sobreviver e passei a viver de verdade”, conclui.

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Autor

Michele Lima