É possível superar os traumas de uma infância marcada por abusos?

Aos oito anos, Márcia Mendonça passou a vivenciar episódios de violência física e sexual, experiências que despertaram sentimentos de ódio, angústia e uma profunda tristeza

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Muitos acontecimentos da infância refletem nas atitudes da vida adulta, sejam eles positivos ou negativos. E foi com uma bagagem de mágoas, ódio e vícios que Márcia Loureiro da Silva Mendonça, de 54 anos, chegou à maturidade. Em vez de descobertas e brincadeiras, os primeiros anos de sua vida foram marcados por sofrimento e traumas.

“Após o falecimento do meu pai, uma amiga da minha mãe passou a morar na nossa casa. Esse episódio, aos meus oito anos, marcou uma virada na minha vida, pois ela me induziu a homossexualidade. Passei por vários abusos; inclusive, ela me levava para motéis e dizia que eu era filha dela para poder entrar comigo. Ela tinha um ciúme tão grande de mim que, qualquer contato que eu tivesse com outra pessoa, ela me batia”, relembra.

Angústia e depressão

Frequentando rodas de samba e pagode, aos 11 anos, Márcia teve seu primeiro contato com os vícios. “Eu comecei com o cigarro, depois passei a beber e a inalar lança-perfume. Aos 18 anos, eu já ficava completamente embriagada e passava a noite toda dançando. Cheguei a ser molestada por várias pessoas e me aproximava dos homens para que eles me pagassem bebidas.”

Enquanto, do lado de fora, tudo se resumia a festas, o interior da autônoma era marcado por uma tristeza profunda. “Eu tinha uma angústia muito grande, era uma tristeza que se misturava com raiva e ódio de todos. Eu desejava o mal para as pessoas, porque as via felizes e eu não tinha aquela alegria.” Essa condição evoluiu para depressão, com episódios de automutilação e tentativas de suicídio.

O encontro com a fé

Até então, a fé de Márcia estava depositada em entidades espirituais, mas isso não lhe trouxe a paz que tanto buscava. Foi então que ela recebeu um convite para ir à Universal. Ela chegou a frequentar algumas reuniões, mas sem se entregar a Deus de verdade. Até que um problema de saúde abriu seu entendimento para a necessidade de conhecer verdadeiramente a Deus.

“A cada domingo, eu fui conhecendo a paz que o Senhor Jesus tinha a oferecer e fui me entregando cada vez mais.” Esse processo envolveu mudanças de escolhas, a decisão de abandonar os vícios e um relacionamento, além do perdão. “Precisei perdoar a todos, inclusive a minha mãe, que sabia de tudo o que eu passava, mas nunca fez nada.”

O ponto final no passado veio com o batismo nas águas, que representa o sepultamento da velha vida e dos velhos hábitos. “Eu passei então a buscar o Espírito Santo e fazia de tudo para estar na igreja buscando-O, mesmo com uma rotina muito corrida. E foi numa quarta-feira que eu tive o privilégio de recebê-Lo. Naquele dia, eu saí da igreja diferente, com uma alegria que me completou. Me senti segura e verdadeiramente amada.”

Desde então, Márcia passou a construir sua vida com base na Palavra de Deus. “Estou casada com um homem de Deus há 25 anos, temos o nosso filho e hoje servimos a Deus todos juntos. Deus escreveu uma nova história para mim”, finaliza.

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Colaborador

Cinthia Cardoso / Fotos: Ozair Júnior