Doenças inflamatórias intestinais aumentam no Brasil
Conheça os fatores de risco e saiba como lidar com elas sem agravá-las
O Brasil registrou um aumento de 15% de casos de doenças inflamatórias intestinais (DII), segundo um estudo organizado pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP). A pesquisa feita com base nos dados do Sistema Único de Saúde (SUS) apontou uma variação anual média de 0,80% a cada 100 mil habitantes. O registro de novos casos passou de 9,41, em 2012, para 9,57, em 2020. Foram analisados 212.026 pacientes de ambos os sexos, entre eles 140.705 apresentaram doença de Crohn e 92.326 retocolite ulcerativa. De acordo com a entidade, mais de 5 milhões de pessoas sofrem com problemas desse tipo no mundo.
Paulo Eduardo Mazzei Lerri, cirurgião-geral do Hospital Albert Sabin (HAS), em São Paulo, diz que as causas das DII permanecem desconhecidas: “a hereditariedade parece desempenhar um papel no seu surgimento, mas a maioria das pessoas com DII não tem histórico familiar. A dieta e o estresse podem agravar os sintomas, mas também não são os causadores da doença. Uma causa possível é um mau funcionamento do sistema imunológico. Quando ele tenta combater um vírus ou uma bactéria invasora, uma resposta imune anormal faz com que o sistema imunológico também atinja as células do trato digestivo”, diz.
Embora as causas das DII não possam ser plenamente definidas, um estudo realizado com mais de 6 milhões de pessoas (com idade igual ou superior a dez anos) e publicado recentemente pela revista Gut, em parceria com a Sociedade Britânica de Gastroenterologia, mostrou que o uso cumulativo de antibióticos eleva o risco de problemas graves no intestino. No total, quase 91% dos pesquisados receberam pelo menos um ciclo de antibióticos no período em que as informações foram coletadas e houve 36.017 novos casos de colite ulcerativa e 16.881 de doença de Crohn.
Por isso, o uso indiscriminado de antibióticos ou a automedicação não são recomendáveis. “Medicamentos anti-inflamatórios não esteroides também podem aumentar o risco de desenvolver as DII ou agravá-las.
Fatores ambientais, como a dieta rica em gordura ou alimentos refinados, processados e ultraprocessados também contribuem para seu aparecimento. O tabagismo é o mais importante fator de risco controlável para o desenvolvimento da doença de Crohn. Se a pessoa apresentar algum sintoma, deve procurar um gastroenterologista ou cirurgião para que seja avaliado e diagnosticado”, conclui.
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