Denúncias de violência doméstica disparam durante isolamento

OMS aponta que na Europa, as chamadas de emergência feitas por mulheres vítimas de violência doméstica aumentaram em 60%

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No dia 7 de maio último, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um aumento considerável nas chamadas para os disques-denúncias de violência doméstica na Europa, durante o confinamento imposto pelo novo coronavírus.

Segunda a OMS, o aumento, de até três quintos, se deve ao consumo exagerado de álcool e drogas, que se acentuou nos mais vulneráveis durante esse período.

Em entrevista à agência de notícias Reuters, o diretor regional da OMS para a Europa, Hans Kluge, disse que o estresse e a ansiedade provocados por semanas de restrições à vida pública transformaram a incerteza, a separação e o medo em parte do cotidiano de muitos.

De acordo com a reportagem da Reuters, o diretor citou que países como Bélgica, Bulgária, França, Irlanda, Rússia, Espanha e Reino Unido relataram o aumento de casos de violência doméstica por causa da reação à pandemia da COVID-19. Ele disse ainda que embora os dados sejam escassos, estados-membros relatam até 60% de aumento em abril deste ano, em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Chefe da ONU faz apelo aos governos

António Guterres, chefe da ONU, fez um apelo a todos os governos para que façam das medidas de prevenção, em caso de violência contra as mulheres, uma parte essencial no combate à COVID-19.

“Sabemos que as quarentenas e os confinamentos são essenciais para suprimir a COVID-19, mas podem colocar  muitas mulheres à mercê de seus parceiros abusadores. Nas últimas semanas, à medida que as pressões econômicas  e sociais e o medo aumentaram, assistimos um crescimento horrível da violência doméstica a nível global. Apelo a todos os governos para que façam das medidas de prevenção e compensação – em caso de violência contra mulheres – uma parte essencial dos seus planos nacionais de resposta à COVID-19”, disse.

Ele pede ainda que haja um aumento no investimento de “serviços de apoio online e nas organizações da sociedade civil” e pede que sejam criadas “formas seguras para que as mulheres consigam procurar apoio sem alertar os agressores”.

(*) Com informações da Reuters

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Colaborador

Da Redação (*) / Foto: Getty Images