De gíria da internet a campeonato: entenda o fenômeno do “farmar aura”

Expressão popular entre as gerações Z e Alfa ultrapassou as telas e passou a reunir centenas de crianças e adolescentes em disputas de carisma e popularidade

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Influenciadas pelas redes sociais, as novas gerações têm criado uma linguagem própria. Em 2026, expressões como “farmar aura” e “six seven” passaram a fazer parte do cotidiano de crianças e adolescentes, refletindo tendências que surgem e se espalham rapidamente no ambiente digital.

Entretanto, o fenômeno já ultrapassou o ambiente digital. O termo “farmar aura”, por exemplo, deu origem a campeonatos presenciais que reúnem jovens em disputas, transformando uma tendência da internet em um evento do mundo real. 

Competições reúnem centenas de crianças e adolescentes 

Nessas competições, os participantes disputam quem demonstra mais carisma, criatividade e capacidade de chamar atenção. Para se destacar, vale investir em fantasias, performances e diferentes formas de expressão. 

Recentemente, um desses eventos reuniu mais de 200 participantes no Parque Municipal Max Feffer, em Suzano (SP). Os vídeos do evento ultrapassaram 3 milhões de visualizações nas redes sociais. Além disso, encontros semelhantes já ocorreram em cidades como Juazeiro do Norte (CE), Rio Verde (GO), Cametá (PA), Belém (PA), Barcarena (PA) e Teresina (PI) 

Afinal, o que significa “farmar aura”? 

O termo “farmar”, originado do universo dos videogames, significa acumular pontos, experiência ou recursos por meio de ações repetidas. 

“aura” ganhou um novo significado nas redes sociais e passou a representar carisma, estilo ou a capacidade de atrair atenção apenas pela presença. 

  • Por isso, “farmar aura” significa aumentar a própria popularidade ou construir uma imagem capaz de gerar admiração e reconhecimento entre outras pessoas. A expressão se popularizou principalmente entre integrantes da geração Z (nascidos entre 1997 e 2009) e da geração Alfa (nascidos a partir de 2010). 

Pertencimento ou busca por aprovação? 

Defensores dessas interações afirmam que elas ajudam os jovens a desenvolver amizades, fortalecer o senso de pertencimento e criar espaços de convivência fora das telas. 

Além disso, muitos participantes veem os campeonatos como uma oportunidade de se expressar sem julgamentos e encontrar grupos com interesses semelhantes. 

Por outro lado, o fenômeno também revela que, em muitos casos, a busca por destaque está relacionada à necessidade constante de aprovação e aceitação social.

Quando a validação das outras pessoas se torna prioridade, alguns jovens passam a adaptar sua aparência, comportamento e até mesmo sua personalidade para se encaixar em determinados grupos. 

O papel da família na formação dos jovens 

Em entrevista ao programa Fala que Eu Te Escuto, exibido no último dia 22, a psicopedagoga Andrea Peixoto destacou que o comportamento dos jovens está diretamente relacionado ao ambiente em que eles são formados. 

  • “É importante observar não apenas as atitudes das crianças e adolescentes, mas também a postura dos responsáveis, especialmente quando permitem excessos que podem comprometer o desenvolvimento dos filhos”, detalha. 

Na mesma linha, a neuropsicóloga Veronicka Seegmueller ressaltou que muitos jovens apresentam dificuldades para lidar com críticas, frustrações e figuras de autoridade. Para a especialista, os pais exercem papel fundamental nesse processo. 

  • “Os adultos funcionam como referências para as crianças e, por isso, precisam estabelecer limites, criar vínculos saudáveis e ensinar os filhos a enfrentarem os desafios da vida. Uma base familiar sólida reduz a influência negativa de modismos digitais”, pontua. 

Limites que começam dentro de casa 

O tema também reforça uma orientação presente na Bíblia sobre a responsabilidade dos pais na educação dos filhos. Em Provérbios 22:6 está escrito: 

“Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele.” 

Durante o programa, o Bispo Edgard Brum e o Pastor Menezes Bessa destacaram que toda forma de entretenimento precisa ser acompanhada de limites. Segundo eles, esses limites começam a ser construídos dentro da família, onde as crianças encontram suas primeiras referências de comportamento. 

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Colaborador

Sabrina Rodrigues / Foto: iStock e reprodução do FQTE e Balanço Geral