Cristão consciente é cidadão inteligente

Entenda por que a participação cidadã é importante para a democracia e como cada pessoa pode exercer esse direito com consciência e responsabilidade

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Uma das coisas que o ser humano mais deseja é ter voz, ou seja, ter a liberdade de expressar sua opinião e saber que aquilo que disse foi valorizado por quem ouviu. No contexto familiar ou profissional, por exemplo, perceber que sua opinião foi considerada é até um sinal de respeito. E, em termos mais amplos, como na sociedade, não é diferente.

Na democracia, é garantido a todos o direito de expressar suas ideias. Porém, nem todas podem ser colocadas em prática. Em decisões coletivas, é necessário considerar regras previamente estabelecidas e, em muitas situações, aquilo que é decidido pela maioria. Esse é um dos princípios importantes da democracia.

A democracia também está no dia a dia

Apesar de ser sempre associada à política, a democracia está presente em diversos ambientes, principalmente naqueles em que decisões precisam ser tomadas e influenciam determinado grupo.

Um exemplo simples pode ser observado em um condomínio residencial. Normalmente, centenas de pessoas dividem esse espaço, mas cabe ao síndico reunir os moradores para discutir e decidir o que será feito ou não. Embora todos tenham a possibilidade de participar, nas decisões tomadas em assembleia são considerados os votos daqueles que comparecem e se manifestam. Quem não participa deixa que os demais decidam também sobre questões que poderão afetá-lo.

Imagine, por exemplo, que o síndico convoque uma assembleia para definir melhorias no empreendimento. De cem famílias que moram no local, apenas 70 participam. Todos são favoráveis às melhorias, mas alguns pedem que as obras sejam adiadas por alguns meses para que consigam se organizar financeiramente para arcar com os custos, que serão divididos entre todos. Outros, porém, defendem o início imediato das benfeitorias.

Diante da divergência, ocorre uma votação e a maioria decide pelo começo imediato das obras. Dessa forma, a decisão é acatada e todos têm um aumento temporário na taxa de condomínio, inclusive aqueles que não participaram da reunião.

Na prática, todos tiveram o mesmo direito de defender seus interesses. Quem compareceu e estava preocupado com as próprias finanças pode até ter sido voto vencido, mas participou e deu valor à própria voz. Quem não compareceu deixou a decisão nas mãos dos demais, mas também será alcançado pelas consequências dela.

Participar também é exercer a cidadania

Guardadas as devidas proporções, algo semelhante acontece em uma sociedade democrática.

Nas Eleições Municipais de 2024, por exemplo, 21,71% dos eleitores aptos não compareceram às urnas no primeiro turno. Isso significa que pouco mais de um em cada cinco eleitores não participou daquela etapa da escolha dos representantes municipais.

Em uma sociedade plural, ficam algumas perguntas: será que a opinião daqueles que compareceram refletia também a de quem não participou? Os valores e os ideais eram compatíveis?

Embora essas perguntas não tenham uma resposta única, uma coisa é certa: as decisões tomadas nas urnas produzem efeitos sobre toda a população, inclusive sobre aqueles que não participaram da votação.

O cristão e a responsabilidade como cidadão

A população precisa compreender a importância da participação cidadã durante o período eleitoral. Para o cristão, essa consciência também envolve reconhecer seus próprios valores, ideais e princípios ao exercer o direito ao voto.

Em uma sociedade formada por pessoas que pensam de maneiras diferentes, cada cidadão tem a oportunidade de participar das decisões coletivas conforme suas próprias convicções. Por isso, abrir mão dessa participação significa permitir que outras pessoas façam as escolhas que produzirão efeitos para todos.

O voto, portanto, não deve ser encarado apenas como o ato de digitar alguns números na urna. Antes de escolher, o eleitor pode se informar, pesquisar as propostas apresentadas e conhecer o histórico e os posicionamentos dos candidatos. Afinal, aqueles que forem eleitos participarão das decisões do município durante o período de seus mandatos.

Também é importante conversar sobre cidadania e incentivar outras pessoas a buscarem informação e a participarem conscientemente do processo eleitoral, respeitando a liberdade de escolha de cada uma.

Fé, família e escolhas conscientes

Para o cristão, essa consciência também envolve compreender o impacto que os representantes eleitos podem exercer sobre questões relacionadas à fé e à família.

Afinal, aqueles que chegam aos cargos públicos participam de decisões, discussões e da elaboração de leis que podem afetar diretamente toda a sociedade. Por isso, antes de votar, é importante conhecer as propostas, o histórico e os posicionamentos dos candidatos, especialmente sobre temas que envolvem princípios considerados importantes pelo próprio eleitor.

Assim, cada pessoa pode fazer sua escolha de acordo com sua consciência, seus valores e aquilo que considera importante para a sociedade.

A vida espiritual permanece em primeiro lugar

Ao mesmo tempo, o exercício da cidadania não substitui o compromisso com Deus. Para quem professa a fé cristã, esse compromisso permanece em primeiro lugar.

Por fim, no dia da eleição, é possível cumprir os compromissos relacionados à fé, como participar da reunião na igreja, e também exercer o direito e o dever de cidadão nas urnas. Uma responsabilidade não precisa anular a outra: o cristão pode cuidar da vida espiritual e participar conscientemente das decisões da sociedade.

Lembre-se: a decisão sobre o voto é individual, mas as consequências das escolhas feitas nas urnas alcançam toda a sociedade.

Cristão consciente é cidadão inteligente.

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Redação / Foto: Sorapop/getty images