Como salvar um casamento à beira do fim?

Após anos de brigas, frustrações e dificuldades de comunicação, Geraldo e Janaina Chaves chegaram a acreditar que a separação era inevitável

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O divórcio raramente ocorre de forma repentina. Na maioria dos casos, é resultado de conflitos e desgastes que, acumulados ao longo do tempo, enfraquecem a convivência e comprometem os laços afetivos.

Embora as crises conjugais sejam frequentemente associadas a discussões intensas, o silêncio pode ser ainda mais prejudicial. Quando o casal deixa de expressar suas necessidades e pontos de vista, evita falar dos problemas e perde a expectativa de ser compreendido, o distanciamento emocional se instala. Sem diálogo, as frustrações se acumulam, os mal-entendidos aumentam e a conexão entre os dois enfraquece.

Por isso, a comunicação aberta e sincera é indispensável para a saúde do relacionamento. Quando essa ponte é interrompida, a separação passa a parecer uma alternativa possível.

Foi o que aconteceu com o advogado Geraldo Magela Chaves, de 65 anos, e a advogada e assistente administrativa Janaina Mangelli Chaves, de 62. Os primeiros sinais de desgaste surgiram poucos meses após o casamento. A dificuldade de comunicação deu lugar a discussões cada vez mais frequentes, aprofundando os conflitos entre o casal.

Nesta reportagem, eles contam como a incapacidade de lidar com as divergências os levou a cogitar o fim da relação.

O início do casamento

ELA: Eu o conhecia desde a época em que éramos vizinhos. Com o tempo, a amizade deu lugar ao namoro, ao noivado e, depois, ao casamento, celebrado em 12 de novembro de 1988. Casei-me com o sonho de ser feliz e construir uma família.

Até então, nossa relação era marcada por respeito, amizade, companheirismo e amor. Além disso, cresci cercada de bons exemplos e conselhos sobre como construir um relacionamento saudável. No entanto, a convivência do casamento se mostrou diferente do que imaginávamos.

Apesar da base que acreditávamos ter, tivemos dificuldades para lidar com as diferenças e tomar decisões em conjunto. Pouco a pouco, os desentendimentos passaram a fazer parte da nossa rotina.

A primeira briga

ELE: Nossa primeira grande discussão aconteceu quando tínhamos apenas dois meses de casados. O motivo foi simples: ela não usou a pimenta que eu havia comprado. O que parecia um detalhe se transformou em uma briga que começou às sete horas da noite e terminou por volta da uma hora da madrugada. Depois disso, ficamos 15 dias sem nos falar.

Pouco tempo depois, tive outro conflito com ela ao chegar mais tarde do trabalho. Ela quis saber onde eu estava e chegou a cheirar minhas roupas. Isso me incomodou, porque eu acreditava que não precisava avisar quando me atrasasse.

Naquela época, nenhum de nós percebia o quanto a falta de diálogo alimentava os nossos problemas.

Incompatibilidade de ideias

ELA: Muitas brigas começavam por motivos simples, como atrasos, uma toalha molhada no chão ou a comida servida à mesa.

Eu também tinha dificuldade em lidar com as críticas dele. Como nossos interesses eram diferentes, passei a sentir que meus desejos e expectativas não eram considerados.

Na tentativa de convencê-lo, parecia que eu queria controlar suas decisões. Sem sabedoria para lidar com a situação, os conflitos foram se intensificando, e eu me sentia cada vez mais ignorada e desvalorizada.

Destruí até as janelas da casa

ELE: Quando eu tentava conversar, ela respondia: “Você não manda em mim. Na minha família, as coisas não funcionam assim.” As discussões se tornaram tão frequentes que passaram a chamar a atenção dos vizinhos, e acabamos sendo expulsos do prédio onde morávamos. Depois, construímos uma casa no terreno dos pais dela, mas as discussões continuaram, a ponto de os familiares intervirem constantemente.

Em meio às brigas, pratos, utensílios e móveis eram quebrados. Em uma ocasião, destruí os vidros de todas as janelas da casa.

Vencidos pelo cansaço

ELA: Faltava compreensão para enxergar o ponto de vista um do outro. As conversas rapidamente se transformavam em agressões verbais.

Muitas vezes, as brigas terminavam apenas pelo cansaço, não porque os problemas eram resolvidos. Então, ele saía de casa e passávamos dias sem trocar qualquer palavra.

Ele saiu de casa 40 vezes

ELE: Saí de casa cerca de 40 vezes. Dormia no escritório e cheguei a ficar três meses longe dela. Mas, quando voltava, as brigas recomeçavam. Nem mesmo o nascimento da nossa filha foi suficiente para acabar com os conflitos.

Embora ainda houvesse amor entre nós, pensamos inúmeras vezes em nos divorciar. Com o passar do tempo, eu me sentia mais leve longe de casa e, em muitos momentos, me arrependia de ter me casado. Ainda assim, não conseguia colocar um ponto final na relação.

Maldição hereditária

ELE: Algo me impedia de desistir. Venho de uma família marcada por separações. Meu pai e vários parentes passaram pela mesma experiência, e eu não queria repetir essa história. Eu via esse ciclo como uma maldição hereditária, mas desejava preservar o casamento.

ELA: Eu sentia que havia uma força maior atuando em minha vida, algo que me impedia de agir com clareza e de controlar minhas reações. Sentimentos como raiva, mágoa, ódio e desprezo tomavam conta de mim. Muitas vezes, agia por impulso e tomava decisões equivocadas. Como consequência, nos afastávamos cada vez mais.

Agora, parecia o fim

ELA: Passamos por várias separações e reconciliações, até que ficamos afastados por quase quatro anos. Foi um período muito doloroso.

O sonho de construir uma família feliz havia se transformado em um pesadelo, e eu acreditava que nossa história tinha chegado ao fim. Ainda assim, no fundo, mantinha a esperança de que, um dia, ele voltasse disposto a reconstruir nosso casamento.

Última tentativa

ELE: Estávamos separados quando decidi fazer uma última tentativa de salvar o casamento. Procurei minha esposa, perguntei se ela ainda gostava de mim, e ela respondeu que sim. Eu também a amava.

Então, conversamos abertamente sobre o que incomodava cada um e assumimos o compromisso de mudar. A reconciliação, porém, não aconteceu de imediato. Mesmo após reatarmos, passamos quase dois anos dormindo separados: ela no quarto e eu na sala.

Primeiros passos

ELA: Começamos a reconstruir nossa convivência e logo percebi pequenas mudanças. Conseguimos voltar a sentar juntos para tomar café, algo que não acontecia havia muito tempo. Isso me deu esperança de que estávamos encontrando um caminho para superar nossos problemas.

Ensinamentos que mudaram tudo

ELA: Minha mãe era membro da Igreja Universal e fazia propósitos por nós. Foi ela quem nos convidou para participar das reuniões. Eu aceitei de imediato, mas ele resistiu no começo. Com o tempo, porém, também passou a frequentá-las regularmente.

Na Terapia do Amor, aprendemos um dos ensinamentos mais importantes: a mudança precisava começar dentro de nós.

ELE: Aprendemos a lidar com nossas diferenças e a compreender o ponto de vista um do outro. Passamos a ouvir mais, a confiar mais e a valorizar nossa convivência.

ELA: Passamos a nos respeitar e a enfrentar os desafios com maturidade. Mas a maior mudança veio quando recebemos o Espírito Santo, que transformou a nossa vida.

A transformação

ELA: Foram 11 anos vivendo um verdadeiro inferno. Em contrapartida, os últimos 27 foram marcados por uma profunda transformação. Construímos uma relação sólida, baseada no respeito, no diálogo e na parceria.

Aprendemos que o amor é o alicerce da vida a dois. Mais do que um sentimento, é uma escolha diária de caminhar lado a lado, cuidar um do outro, ceder, respeitar e perdoar.

Janaina e Geraldo Chaves frequentam a Igreja Universal de Nova Lima (MG), localizada na Avenida Ribeirão Cardoso, 425, no centro da cidade.

O poder da palavra

“Palavras têm muito poder. Elas podem construir ou destruir um relacionamento. Todo relacionamento começa com palavras e também pode terminar por causa delas. Por isso, aprenda a usar o poder da sua língua com sabedoria, se você deseja ser bem-sucedido no amor”, alerta o Bispo Renato Cardoso.

Essa afirmação está de acordo com a Bíblia:

“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem” (Efésios 4:29).

Cuide do seu casamento

Para aprender a lidar com os desafios da vida a dois e fortalecer ou restaurar o seu relacionamento, participe das palestras da Terapia do Amor, realizadas às quintas-feiras em todas as Igrejas Universal.

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Compromisso do Amor de Aliança

O casamento é comparado à aliança entre o ser humano e Deus. Assim como a fé exige renúncia e transformação, a vida a dois requer dedicação, entrega e disposição para mudar. Mais do que um sentimento, o amor de aliança é uma decisão diária, sustentada pela fidelidade, pela responsabilidade e pelo cuidado mútuo. É um compromisso que permanece mesmo diante das dificuldades e produz frutos como paz, confiança, perdão e companheirismo.

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Autor

Michele Lima / Fotos: Gerada por IA/ Reprodução/ Cedida / Foto-Video-Studio/ Getty Images / Arte: Gean França