Cidadania em ação: lições de Neemias para os dias de hoje
Exemplo bíblico mostra como responsabilidade, senso coletivo e busca pela verdade podem inspirar a participação ativa na sociedade
A individualidade tem ganhado espaço no mundo atual. Muitas pessoas passam boa parte do dia imersas nas redes sociais, focadas nos próprios objetivos. Nesse contexto, o interesse genuíno pelo próximo e pelo que acontece ao redor, no condomínio, no bairro ou na cidade, acaba ficando em segundo plano. O resultado é preocupante: em uma sociedade que depende do coletivo, a falta de engajamento enfraquece a cidadania e dificulta a construção de soluções para problemas comuns.
Um dos pensamentos que alimentam esse cenário é a ideia de que uma pessoa sozinha é incapaz de provocar mudanças. De fato, ninguém consegue resolver todos os problemas individualmente, mas cada um pode ser um canal de transformação. A própria Palavra de Deus apresenta Neemias como exemplo de alguém que marcou a história de Jerusalém ao assumir responsabilidade pelo bem coletivo, tornando-se uma referência de cidadania.
Movido pelo bem-estar coletivo
Neemias vivia no Império Persa e servia ao rei Artaxerxes como copeiro. Apesar de viver em segurança no palácio, quando soube da destruição de Jerusalém, ele sentiu a dor do povo que enfrentava a miséria. As Escrituras Sagradas revelam que ele chorou pela situação, mas não parou nisso, também orou e jejuou. Ou seja, ele se preparou espiritualmente e aguardou a oportunidade certa para falar com o rei sobre o assunto.
“Um dos diferenciais de Neemias era que ele sentia a dor de Deus. Ao ver o povo humilhado, a cidade destruída e os inimigos prontos para atacar, ele assumiu a responsabilidade de proteger o povo, o Templo e a cidade. Quem pensa como Deus ou como Neemias, é movido por esse mesmo senso de dever”, destaca o Bispo Alessandro Paschoall, responsável pelo Grupo Arimateia.

Priorizando a fé e a razão
É possível notar ainda que, apesar da revolta, Neemias sabia que a mudança não aconteceria pela força de seu braço, por isso recorreu a Deus. Trazendo para os dias de hoje, essa postura nos mostra a importância de agir pela fé e pela razão. Hoje é muito comum as pessoas entrarem em discussões sobre política defendendo um candidato ou outro, mas poucos realmente olham para os problemas que a população tem enfrentado no dia a dia.
“Com a direção de Deus, Neemias recorreu ao rei, conseguiu liberação e apoio e partiu para reconstruir Jerusalém. Assim deve ser o cristão consciente: identificar o problema, tomar a decisão de reconstruir e se juntar com pessoas que tenham o mesmo objetivo de proteger a Obra de Deus”.
Influenciando a outros
Outro ensinamento precioso das Escrituras Sagradas está relacionado às fake news. “Ao chegar a Jerusalém, Neemias foi verificar pessoalmente o estado da cidade, não se guiando apenas pelas informações que havia recebido”, acrescenta o Bispo. Se, naquela época, checar a veracidade das informações já era essencial, imagine nos dias de hoje, em que há maior facilidade para a produção e a disseminação de notícias falsas.
Esse senso de responsabilidade de Neemias chamou a atenção daqueles que viviam em Jerusalém, que decidiram se unir no propósito de reconstruir os muros da cidade. Apesar de morarem ali, eles precisaram de um impulso inicial para perceber que poderiam fazer algo a respeito daquela situação. O mesmo acontece hoje: aquele que abraça a cidadania se torna uma espécie de Neemias, capaz de influenciar outras pessoas sobre a importância do seu papel na sociedade e na defesa dos valores cristãos.
Exemplo de Fé
O exemplo de Neemias mostra que, ao perceber Jerusalém destruída, ele agiu como um verdadeiro cidadão. Mesmo não morando na cidade, pensou no bem coletivo e assumiu sua responsabilidade, não apenas liderando a reconstrução dos muros, mas também mobilizando o povo a se unir e trabalhar em conjunto. Esse é o sentido da boa política: pessoas com objetivos comuns, unidas para promover o bem coletivo.
Bispo Alessandro Paschoall, coordenador do Grupo Arimateia
Combatendo os inimigos
É inevitável que haja resistência nesse processo, afinal, existem grupos que defendem pautas contrárias à fé. No entanto, isso não deve ser motivo para recuo, pelo contrário. Quando há o entendimento de que a cidadania também é uma missão do cristão, ele segue em frente e se coloca à disposição para dar continuidade ao seu propósito, apesar das barreiras e dificuldades.
“Não podemos fugir. Neemias foi ameaçado e, mesmo com a vida em risco, entendeu a importância de continuar a obra de Deus, defendendo o Templo e o povo. Devemos ter essa mesma atitude e disposição para fazer o bem e estimular outras pessoas a fazerem o mesmo. “Omissão não combina com cristão”, conclui.
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