Casos de violência contra a pessoa idosa crescem no Brasil

Mais de 80 mil denúncias foram feitas só em 2021, segundo o governo federal. A negligência e o abandono lideram a lista de registros

A população brasileira tem apresentado um aumento na expectativa de vida. Atualmente, 13% dos brasileiros têm mais de 60 anos e esse percentual deve chegar a 25% até 2060, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da boa notícia, nos últimos anos cresceu também o número de casos de violência contra a pessoa idosa.

De acordo com dados disponibilizados pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) por meio do Disque 100, canal de atendimento que recebe, averigua e encaminha as denúncias para os órgãos competentes, a violência contra os idosos se agravou durante a pandemia de Covid-19. De 2019 para 2020, o número de ligações para reportar algum tipo de violência contra o idoso subiu de 48,5 mil para cerca de 77 mil, um aumento de 53%. Em 2021, as denúncias continuaram a subir e chegaram a 80.658 registros. A negligência e o abandono são os problemas mais comuns. Grande parte dos casos reportados ocorreu no local onde a vítima e o agressor vivem, o que mostra que a violência contra o idoso lamentavelmente começa em casa e é praticada por quem deveria lhe prestar assistência.

O Estatuto do Idoso, promulgado pela Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, tem a finalidade de assegurar direitos às pessoas com idade igual ou superior a 60 anos e define a violência contra o idoso como qualquer ação ou omissão, praticada em local público ou privado, que lhe cause danos, sofrimento físico/psicológico e morte.

CAMPANHA NACIONAL 
Em 15 de junho se comemora o Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa. Instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data tem o objetivo de criar uma consciência mundial da existência da violência contra idosos, além de incentivar medidas protetoras por parte dos governos e da sociedade civil.

Por isso, em junho, o Grupo Calebe Universal promove a campanha Fique atento aos sinais. A ação, que combate a violência contra o idoso, inclui a realização de palestras com assistentes sociais, psicólogos e advogados sobre os tipos de violência contra idosos. Neste ano, a campanha será realizada entre os dias 25 e 26 de junho em todo o País. “A campanha tem o objetivo de ensinar quais são os sinais que evidenciam que um idoso pode estar sendo vítima de violência, fato que precisa ser denunciado para se proteger a vítima. Nas palestras, são distribuídas apostilas e exemplares do Estatuto do Idoso”, afirma o Bispo Valter Pereira, responsável pelo Calebe no Brasil. O grupo foi criado em 2009 na Universal com o objetivo de oferecer qualidade de vida à pessoa idosa.

O Bispo observa que, no Brasil, o idoso tem grandes dificuldades para sobreviver, pois, além das limitações físicas naturais da idade, muitos passam por situações de violência. “Estou há pouco mais de dez meses no Grupo, mas presenciamos e recebemos relatos vindos de todo o País de situações que envolvem violência contra a pessoa idosa. Quando temos ciência disso, buscamos levar às autoridades competentes. Em situações de abandono, ajudamos com cestas básicas e procuramos levar também o apoio espiritual, pois é a Fé que pode, de maneira real, levantar o idoso para reagir da forma correta contra a situação”, afirma.

Respeitando os protocolos sanitários, o Calebe realiza visitas a asilos, hospitais e residências. Os voluntários desenvolvem ações de entretenimento, saúde, beleza, orientação jurídica e apoio social, além de cursos de alfabetização, idiomas e tecnologia, de forma regular e gratuita. “O Grupo Calebe foi criado para levar uma mão amiga para os idosos e mostrar que eles podem contar com alguém para ajudá-los, até mesmo para que se sentem ao lado deles e escutem o que eles têm a dizer, pois a solidão também é uma forma de violência”, finaliza.

Em 2021, mais de 746 mil idosos foram beneficiados pelas ações sociais do Grupo Calebe Universal.

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Colaborador

Kelly Lopes / Fotos: getty images e cedidas