Calor, chuva e descuido: a combinação que impulsiona a dengue
Com mais de 95 mil casos nas primeiras semanas do ano, a doença precisa ser combatida com medidas preventivas
Nos últimos meses, o clima brasileiro tem sido de altas temperaturas e chuvas frequentes, características típicas do verão. A combinação desses dois fatores cria o ambiente ideal para a rápida proliferação do mosquito Aedes aegypti, que se reproduz em água parada e é o principal vetor de doenças como a dengue.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, nas primeiras sete semanas do ano, o País registrou mais de 95 mil casos prováveis de dengue, com 18 óbitos confirmados e 115 em investigação. O Estado de São Paulo se destaca com o maior número de casos prováveis, cerca de 17 mil, seguido por Goiás, que já tem mais de 16 mil registros em análise.
A previsão é de que o País atinja 1,8 milhão de casos da doença na temporada 2025-2026, que compreende a semana epidemiológica 41 do ano passado e a semana 40 deste ano. Os dados são do InfoDengue-Mosqlimate Dengue Challenge (IMDC), feito em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Fundação Getulio Vargas (FGV). Desse total, 54% dos casos devem se concentrar em São Paulo e 10% em Minas Gerais.
Sintomas e quadros graves
Esses dados são muito preocupantes porque o risco de morte por causa da doença é real, embora na maioria dos casos ela seja assintomática ou apresente apenas sintomas passageiros. O Instituto Butantan alerta que o vírus possui quatro sorotipos distintos. Isso significa que uma pessoa pode contrair dengue mais de uma vez, já que a imunidade adquirida é específica ao sorotipo responsável pela infecção. Em novas contaminações, o risco de quadros mais graves pode ser maior.
Entre os primeiros sintomas da dengue estão febre alta, dores no corpo, vermelhidão na pele e fadiga. Além disso, uma das formas de diferenciar a doença de outras condições é a dor atrás dos olhos. “Essa dor acontece em razão do processo inflamatório que o vírus provoca no organismo de forma sistêmica. Há também casos em que o vírus da dengue pode comprometer a retina, causando sintomas como visão embaçada, mancha na visão e sensibilidade à luz”, explica a médica oftalmologista Renata Alves.
Somados aos sintomas mais comuns, podem ocorrer dor abdominal intensa, vômito, sangramentos nas mucosas e queda da temperatura. O médico cardiologista Ruldney Ray Oliveira alerta sobre possíveis impactos ao coração: “Em alguns casos, a doença pode afetar o sistema cardiovascular, principalmente por meio da inflamação do músculo cardíaco, arritmias e queda da pressão arterial”.




Evite a automedicação
Ainda não existe um tratamento específico para a dengue. Entre as principais recomendações estão fazer repouso, ingerir líquidos e buscar atendimento médico logo nos primeiros sintomas. “A automedicação pode trazer sérios riscos, pois alguns medicamentos como anti-inflamatórios comuns (tais como ibuprofeno, diclofenaco e AAS) aumentam o risco de sangramento, que já é elevado na dengue. Além disso, o uso inadequado de remédios pode mascarar sinais de agravamento da doença e o diagnóstico correto”, diz Oliveira.
Vacinas e outras estratégias
Em 2024, um imunizante japonês contra a dengue começou a ser aplicado em adolescentes brasileiros pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No final de 2025, o País celebrou um marco histórico: a aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) da primeira vacina 100% nacional, de dose única, desenvolvida pelo Instituto Butantan, capaz de proteger contra os quatro sorotipos do vírus.
As aplicações da vacina nacional já começaram de forma estratégica em Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e Botucatu (SP) para pessoas de 15 a 59 anos. Além disso, profissionais de saúde de todo o País também estão elegíveis para receber a dose. A expectativa é de que o imunizante chegue a outros grupos em breve.
Além das vacinas, outras estratégias têm sido usadas para reduzir a transmissão da dengue. Entre elas, está o método Wolbachia, que consiste na introdução da bactéria Wolbachia em populações de Aedes aegypti. A presença dessa bactéria impede que o mosquito transmita os vírus da dengue, da zika e da chikungunya.
Ajude a combater o mosquito
O apoio da população é essencial para a eliminação dos criadouros do mosquito. A recomendação é não deixar água parada em vasos, garrafas, pneus, calhas e recipientes domésticos, manter caixas d’água bem tampadas e limpar regularmente piscinas e pratinhos de plantas. O uso de telas em janelas, repelentes e roupas que cubram braços e pernas também ajuda a reduzir o risco de picadas.
A dengue não pode ser subestimada. Os números crescem, os riscos são reais e a responsabilidade é de todos.
Saiba mais
Leia as demais matérias dessa e de outras edições da Folha Universal, clicando aqui. Confira também os seus conteúdos no perfil @folhauniversal no Instagram.
Folha Universal, informações para a vida!
English
Espanhol
Italiano
Haiti
Francês
Russo