Brasil está entre os 10 países mais perigosos do mundo

País ocupa o 7º lugar entre os territórios mais violentos do planeta, segundo ranking internacional

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Viver no Brasil não é fácil. Apesar dos avanços sociais e tecnológicos, o País enfrenta problemas persistentes de violência e caiu do 5º para o 32º lugar entre as economias que mais crescem. Notícias sobre operações policiais, crime organizado, insegurança, feminicídios e agressões a crianças são cada vez mais comuns. Em 2025, segundo o ranking do Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (Acled), organização internacional que monitora conflitos e considera índices de mortalidade, de perigo para civis, de abrangência geográfica dos conflitos e número de grupos armados, o Brasil ocupa o 7º lugar entre os dez países mais perigosos do mundo.

Arma mais usada

Dados do Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, corroboram esse panorama e mostram que, entre 2013 e 2023, 6.480 das vítimas tinham entre 5 e 14 anos e outras 90.399 eram adolescentes de 15 a 19 anos. As armas de fogo foram o meio mais usado para cometer homicídios em todas as faixas etárias e, enquanto o número desse tipo de crime diminuiu entre 2022 e 2023 – foram 45.747 mortes –, o de feminicídios nos últimos 11 anos cresceu 2,5% e chegou à média de dez mortes por dia.

Atuação interligada

Para Luciano Gomes dos Santos, doutor em ciências sociais e professor do Centro Universitário UniArnaldo, em Belo Horizonte (MG), “fatores como crime organizado, tráfico de drogas e armas, desigualdade social e fragilidade do sistema prisional atuam de forma interligada para manter os altos níveis de violência no Brasil. O crime organizado e o tráfico alimentam disputas territoriais que resultam em confrontos armados e em elevado uso de armas de fogo, que respondem por mais de 70% dos homicídios no País”.

Ampliação da criminalidade

Santos afirma que a desigualdade social, marcada por disparidades de renda, exclusão e falta de acesso a serviços, cria contextos nos quais alternativas ilícitas viram meios de sobrevivência, o que amplia a criminalidade. “A fragilidade do sistema prisional também dificulta a ressocialização e reproduz redes de violência, favorecendo a reincidência. A combinação desses fatores cria um ambiente fértil para a perpetuação da violência”, afirma.

Cidadão acuado

Como fica o cidadão que se vê à mercê da violência e acuado entre a busca por meios de autodefesa e a expectativa de proteção por parte do Estado? Santos entende que “essa tensão decorre de uma sensação de insegurança real ou percebida em contextos de violência persistente e leva alguns a considerar a posse de armas ou outras formas de autodefesa. Entretanto a segurança pública eficaz depende da presença de instituições estatais fortes e legítimas que garantam proteção e justiça, em vez da adoção de soluções individuais que podem ampliar o risco coletivo”.

Limitações significativas

Apesar da redução dos homicídios registrada no Atlas da Violência 2025, Santos observa que a violência letal permanece em níveis muito altos em termos internacionais: “As diferenças regionais indicam que a proteção estatal não é uniforme nem efetiva em todas as regiões, especialmente nas áreas de maior vulnerabilidade social, o que revela limitações significativas no alcance e na equidade da capacidade estatal de proteger integralmente toda a população”.

Parâmetro internacional

Ele ressalta ainda que, se comparados ao Brasil, países com baixos índices de violência costumam ter instituições robustas, alta confiança social e políticas que equilibram ação policial e prevenção. “Eles combinam justiça eficaz, responsabilização e cultura cívica que reduz a tolerância à violência. Experiências internacionais indicam que abordagens restaurativas, policiamento comunitário, redes sociais fortes e proteção a vulneráveis complementam a repressão e geram resultados sustentáveis”, diz.

Engajamento total

Santos afirma que para lidar com a violência no Brasil são necessárias ações de curto e longo prazo: “Garantir que o Estado proteja e assegure justiça de forma proporcional e transparente, enquanto investe em políticas estruturais que enfrentem desigualdade, exclusão e falta de oportunidades. Prevenção social, educação, inclusão econômica e fortalecimento institucional são essenciais para reduzir a violência de forma sustentável. Ao mesmo tempo, cada cidadão deve contribuir para a mudança social com solidariedade,
engajamento e responsabilidade”.

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Colaborador

Eduardo Prestes / Foto: PeopleImages/ getty images, spukkato/ getty images, urbazon/ getty images, Dony/ getty images e PeopleImages/ getty images