Até quando você vai ficar em cima do muro?

A indecisão é uma escolha que cobra um preço alto e traz riscos que impactam diretamente no seu futuro. Conheça os indícios dessa postura e entenda por que definir-se rapidamente é uma atitude crucial

Imagem de capa - Até quando você vai ficar em cima do muro?

A pergunta que consta no título acima pode até soar dura à primeira vista, mas é um alerta necessário para momentos decisivos na vida. Há escolhas que pedem que a pessoa tenha coragem, mesmo quando dúvidas, medos ou sentimentos conflitantes tentam paralisá-la. No campo da fé, essa indecisão se torna ainda mais perigosa. Para quem ainda não tomou a decisão real e consciente de entregar a vida a Deus, adiá-la é assumir um risco altíssimo. Afinal, o que está em jogo não são apenas as bênçãos terrenas: trata-se do destino da própria alma.

O dono do muro

Segundo as Escrituras Sagradas, existem apenas dois reinos no mundo: o das trevas e o da Luz, ou seja, o reino do diabo e o Reino de Deus. Não há um campo neutro nem um espaço reservado para os indecisos. Isso porque estar no Reino de Deus exige uma decisão consciente, mudança, alinhamento e disposição para viver segundo o padrão de Deus (leia mais sobre esse assunto na reportagem de capa da edição 1763).

Quem não toma essa decisão permanece em cima do muro e, assim, fica sujeito às regras do reino das trevas, ainda que não concorde com elas. A pessoa acredita que exerce plenamente sua liberdade ao seguir a própria vontade, mas, na verdade, acaba presa a si mesma: aos próprios desejos, às emoções e aos impulsos que a controlam.

É justamente nesse ponto que o diabo atua: ele explora os sentimentos, as vontades e as fragilidades humanas para manipular, enganar e conduzir escolhas que resultam em frustração, vazio e sofrimento. Isso porque o espírito do mal semeia desordem e, assim que ele se instala na vida da pessoa, provoca confusão em todas as áreas.

Se na vida terrena o diabo já é capaz de fazer um estrago enorme, o impacto no campo espiritual é ainda maior. Longe de Deus, a alma do ser humano se torna alvo do mal, é tratada como troféu e levada para o único lugar que ele tem domínio: o inferno.

O bem que praticamos

Muitas pessoas dizem que creem em Deus e procuram levar uma vida correta e fazer o bem, por exemplo. Elas ajudam quem precisa, fazem doações, são fiéis ao cônjuge, não roubam e buscam agir com base na ética, mas uma pergunta é inevitável: será que isso é suficiente para tornar alguém filho de Deus?

Essas atitudes são importantes, mas fazem parte do dever de qualquer ser humano. Fazer o bem é uma responsabilidade moral e não uma garantia de salvação. A fé cristã não se limita às boas ações. Ela envolve entrega, mudança de atitude e uma decisão consciente de viver segundo a Palavra de Deus todos os dias.

Certa vez, um jovem rico se aproximou do Senhor Jesus e perguntou o que precisava fazer para herdar a vida eterna. Jesus respondeu que ele deveria obedecer aos Mandamentos: não matar, não furtar, não dar falso testemunho, honrar pai e mãe e amar o próximo como a si mesmo. O jovem, então, afirmou que já fazia tudo isso.

Depois de ouvir essa resposta, Jesus lhe disse que vendesse os seus bens, desse aos pobres e O seguisse. O que o Senhor pedia não era apenas a venda das riquezas, mas a entrega total da vida daquele jovem cujo coração estava preso ao que possuía. Incapaz de abrir mão disso, ele se afastou triste.

E é exatamente o que acontece com muitos que estão em cima do muro. Eles sabem o que precisa ser feito e, muitas vezes, até praticam o bem, mas continuam presos a algum vínculo terreno, como um sentimento de mágoa, a pornografia, outro vício ou até uma pessoa. Essas amarras corroem o presente e impactam diretamente na eternidade da alma.

O cristão da moda

Um ponto que merece destaque é que, mesmo dentro da igreja, há muitos que permanecem em cima do muro. São pessoas que se definem como cristãs, mas vivem distantes de Deus, seja porque perderam a intimidade com Ele, seja porque nunca a desenvolveram. Elas sentem-se bem ao assistir a uma reunião, gostam de ouvir e cantar louvores, se emocionam durante as orações, mas não conseguem colocar em prática o que lhes é ensinado.

Em vez de uma entrega completa, muitas, tentando relativizar o Evangelho, selecionam trechos bíblicos, adaptam princípios e ajustam ensinamentos para que caibam em sua rotina, em suas opiniões pessoais e nas expectativas do mundo atual. Seguindo essa lógica, elas passam a conviver com mentiras, vícios, infidelidade e outros erros conscientes, normalizando comportamentos que contradizem a fé que dizem professar.

“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.” (Apocalipse 3:15-16)

Este versículo deixa claro o que alguém que não tem uma fé definida causa ao Senhor Jesus: ânsia de vômito. Ao viver de forma contrária ao que ensinam as Escrituras, a pessoa sofre com os danos que ela mesma gera com essa postura, que são tornar-se vulnerável às dúvidas, ao medo e, consequentemente, ao fracasso.

A razão desse comportamento

A indecisão nasce de uma falsa sensação de bem-estar. Apesar de conviverem com conflitos internos e sofrimento, muitos evitam mudar porque a mudança exige renúncia.

O medo de perder o que tem, o apego ao pecado, o orgulho e a influência de outras pessoas se tornam barreiras. Por isso, a pessoa prefere acreditar que permanecer onde está é mais seguro do que dar um passo de fé.

A definição

Ser cristão, então, é ser perfeito? Não. Mas é crer que Jesus, o Filho primogênito de Deus, veio ao mundo e, como um Cordeiro sem pecados, Se sacrificou para que nossos pecados fossem perdoados e tivéssemos acesso a uma nova vida. Seguir os ensinamentos do Senhor Jesus é a base do cristianismo.

“Então, disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após Mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me;” (Mateus 16:24)

Talvez você esteja longe de Deus ou nunca tenha se aproximado d’Ele, mas a orientação de Jesus é direta e já começa com algo que exige esforço: “renuncie-se a si mesmo”. Isso significa abrir mão da própria vontade, do conforto e das escolhas fáceis. Negar a si mesmo implica renúncia, mudança de postura e compromisso.

Essa não é uma decisão que se toma apenas uma única vez na vida, mas uma escolha diária, pois todo ser humano é constantemente desafiado por sua natureza terrena, que busca satisfazer a própria vontade. Essa inclinação existe desde o pecado cometido no jardim do Éden.

O tempo de Deus é hoje

Descer do muro e mudar o rumo da vida não é fácil e, por isso, muita gente adia essa decisão. Por acreditarem que ainda haverá muito tempo no futuro, muitos colocam o foco em aproveitar o momento, conquistar bens e curtir a vida, mas a verdade é que ninguém sabe como será o amanhã e se ele existirá. Por isso, deixar para depois é arriscado: amanhã pode ser tarde demais para buscar a Deus.

“Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto.” (Isaías 55:6)

Por enquanto, Deus está perto do homem, age na sua consciência, fala por meio da Sua Palavra e dos Seus servos e revela o pecado através do Espírito Santo. Chegará o dia, porém, em que não será mais possível buscá-Lo ou se arrepender e os sinais apontam que esse momento está cada vez mais próximo.

A Palavra de Deus descreve exatamente o que aconteceria no mundo quando estivesse próxima a volta de Jesus para recolher a Sua igreja, ou seja, aqueles que verdadeiramente creem n’Ele: o aumento da maldade, da frieza espiritual, do amor se esfriando, das guerras e rumores de guerras, da violência, das doenças, das crises morais e do engano. E o que temos
visto atualmente?

Não faz muito tempo que enfrentamos uma pandemia que abalou o mundo inteiro e não são poucos os alertas das autoridades da saúde sobre micro-organismos capazes de provocar uma nova crise global. As superbactérias resistentes a remédios são um exemplo preocupante. Ao mesmo tempo, conflitos e rumores de guerra se multiplicam e mantêm o mundo em constante tensão e insegurança.
Esses sinais não existem para causar medo, mas para despertar a consciência, para mostrar que o assunto é sério e que a decisão de buscar a Deus não pode ser adiada.

“Por isso, estai vós preparados também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis.”(Mateus 24:44)

Além da promessa da volta do Senhor Jesus, há uma realidade que ninguém pode ignorar: a morte. Ela pode chegar a qualquer momento, sem aviso, sem tempo para planos ou adiamentos. Lembre-se: a vida é passageira e cada dia é uma oportunidade para se arrepender, mudar de rumo e se aproximar de Deus.

O poder da obediência A Deus

[…] é perfeitamente possível que uma pessoa que conheceu o Evangelho e experimentou do Seu poder e da Sua transformação […] venha se perder ao passar a viver deliberadamente no pecado. Assim, a conquista da vida eterna não é uma prerrogativa irrevogável, mas está condicionada à obediência à Palavra, à prática da fé e ao temor constante ao Deus Eterno.

Comentário sobre 2 Coríntios 6:1 contido na Bíblia Sagrada com as anotações de Fé do Bispo Edir Macedo.

Você está em cima do muro?

Leia as frases abaixo e assinale as atitudes que você reconhece em si mesmo. Em seguida, reflita sobre como está sua vida com Deus e que decisão precisa tomar

  • Tem vergonha de assumir a fé
  • É guiado pelos sentimentos
  • Mente para se proteger
  • Engana para se dar bem
  • É infiel dentro do relacionamento
  • Age movido pelo orgulho
  • Nutre mágoa
  • Tem vícios (em bebida, jogos, pornografia, entorpecentes, etc.)
  • Alimenta inveja em relação aos outros
  • Vê o mundo como sinônimo de liberdade
  • Não medita na Palavra de Deus
  • Deixou de orar ou
    nunca teve esse hábito
  • Frequenta a igreja apenas por obrigação
  • Não se batizou nas águas
  • Evita compromissos que exigem renúncia
  • Diz “Deus conhece meu coração” para justificar seus erros

Descendo do muro

Aquele que deseja verdadeiramente uma vida com Deus, tanto aqui na Terra como na eternidade, precisa reconhecer seu estado atual, se arrepender, abandonar o pecado e decidir segui-Lo. Essa decisão é selada no batismo nas águas, que representa o sepultamento da antiga vida e o começo de uma nova caminhada. A partir daí, a Palavra de Deus se torna o parâmetro para viver, revelando quem Deus é e orientando cada escolha diária.

Ao obedecer à Palavra, a pessoa se prepara para receber a principal promessa de Deus: o Espírito Santo. Ele é o próprio Deus habitando dentro do ser humano, guiando seus passos, fortalecendo-o nas lutas e dando-lhe discernimento contra as armadilhas do mal. Com o Espírito Santo, surge a paz interior e a certeza de que, em qualquer situação, nunca estaremos sozinhos.

Hora de agir

Diante do exposto, não há mais espaço para indecisão. Permanecer em cima do muro é, na prática, continuar longe de Deus. Ele chama cada um de nós a uma escolha clara: viver segundo a Sua vontade ou seguir os próprios caminhos. A decisão é pessoal, intransferível e precisa ser tomada enquanto ainda há tempo. Você já desceu do muro?

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Colaborador

Cinthia Cardoso / Arte: Douglas Crispim sobre fotos geradas por IA