Acerte ao montar sua empresa familiar

Saiba como fortalecer o negócio e aumentar as chances de sucesso no mercado

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Uma empresa com base familiar, mesmo que pequena, tem muitos atrativos ao ser montada, pois pode agregar confiança mútua, lealdade da equipe e agilidade nas decisões, ingredientes fundamentais para o sucesso. Por outro lado, não desatrelar a relação profissional da ligação familiar pode ser prejudicial ao negócio. As empresas familiares são maioria no Brasil (cerca de 90%), mas só 30% delas chegam à segunda geração, conforme a Pesquisa global da PwC de 2023. Há saída para esse desafio?

Falta de processos e regras

Fredy Figner, psicólogo e especialista em desenvolvimento humano, treinamento corporativo e saúde mental nas organizações e diretor da Fredy Explica Psicologia Empresarial, elenca erros comuns: “Contratar familiares apenas pelo parentesco, não definir responsabilidades, evitar conversas difíceis e acreditar que a confiança substitui processos e regras”.

Mistura fatal

Outro problema apontado por Figner é misturar as contas da empresa com o dinheiro dos donos. “Alguns empresários enxergam a empresa como uma continuação do patrimônio pessoal. Psicologicamente, isso acontece porque existe a sensação de que ‘tudo pertence à família’. Essa prática compromete o controle financeiro, dificulta o planejamento e pode gerar conflitos sobre justiça e transparência”, avalia.

Regime de governança

O advogado Alexandre Ricco, especialista em direito empresarial e conflitos empresariais e de família, recomenda fazer um plano de negócios e respeitá-lo para não errar. “É a definição de quais serão os seus produtos, serviços, estratégia comercial e, dentre os participantes da família, identificar e eleger quais serão as funções de cada envolvido”, aponta.

Amadurecimento

Segundo Ricco, levar brigas de família para o trabalho e vice-versa atrapalha a empresa. “É imperativo que as pessoas tenham um verdadeiro amadurecimento e saúde emocional positiva para entenderem suas posições e os momentos para cada tratativa e que questões empresariais sejam tratadas no ambiente empresarial”, orienta.

Menos amadorismo

Ricco também sugere uma análise dos entes envolvidos no projeto, com clareza e humildade. “É para entenderem suas habilidades, talentos, competências, limitações, e evitar improvisos e amadorismo ao iniciar um negócio”, diz.

Transparência

Já Figner diz que é preciso tratar a empresa como empresa e a família como família: “O afeto é um grande diferencial competitivo, mas não substitui gestão, comunicação clara e profissionalização. Quanto mais transparentes forem os papéis, as regras e os processos, maiores são as chances de preservar tanto o negócio quanto os relacionamentos familiares”.

Acerte com Deus

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Colaborador

Eduardo Prestes / PeopleImages/getty images / Arte: Gean França