A pandemia pode ser pretexto para implantar uma ditadura?
Nenhum político invade privacidades ou implanta o caos em cidades e estados sem razões escondidas, afirma especialista
O presidente Jair Bolsonaro se recusou a admitir que o Brasil utilize uma ferramenta que coloca em risco a segurança dos brasileiros, além de invadir a privacidade de cada cidadão.
Trata-se de um monitoramento de telefones celulares, que seria realizado com a tecnologia das operadoras de telefonia e utilizado para evitar aglomerações durante a pandemia.
De acordo com o Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) Marcos Pontes, o presidente vetou esse mapeamento por haver “riscos para a privacidade do cidadão e pelo fato de a presidência precisar estudar melhor o tema”.
Conforme Bolsonaro determinou, a tecnologia “será usada apenas se análises garantirem a eficiência e a proteção da privacidade dos brasileiros”.
Leia a seguir 3 análises sobre questões da pandemia que grande parte da mídia não aborda:
1ª- “Isso é invasão de privacidade”
Segundo a Secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Patrícia Ellen, o governo paulista já está utilizando esse mapa: “A gente tem acompanhado isso diariamente”.
Embora admita o uso da ferramenta, ela não fala sobre a invasão de privacidade do estado ao seguir cada pessoa, privando-a do direito ao anonimato. Tampouco se refere ao perigo de ter os dados de cada cidadão vazados.
Outras regiões como Rio de Janeiro e Recife também estão seguindo os cidadãos sem autorização.
Para o filósofo e analista político, Pedro Henrique Alves, vigiar cidadãos é a atitude que um ditador tomaria:
“A gente está falando do estado adentrando a sua privacidade para saber se você está cumprindo as normas que o estado impôs. Se isso não é o conceito de tirania, de ditadura, eu não sei o que é”.
2ª – “Ele age como um pequeno ditador”
Outro a considerar as atitudes do governador de São Paulo como ditatoriais é o advogado Everton Sodario, prefeito de Mirandópolis (SP). Conforme relata, Doria não dialoga com os governos municipais antes de tomar decisões.

“Nesta crise do coronavírus, se tem uma pessoa que tem se demonstrado menor é o governador João Doria. Ele age como um pequeno ditador”, declarou Sodario à imprensa.
Mirandópolis é uma cidade de 29 mil habitantes. Até hoje não teve um caso sequer de COVID-19. Há cerca de dez casos suspeitos, com sintomas leves e que estão em quarentena dentro de casa. E essa é a realidade da maior parte do interior paulista, segundo Sodario.
“Nós fomos orientados para que cessássemos, inclusive, as manifestações pessoais em rede social a favor da reabertura do comércio”, contou Sodario em entrevista ao Entrelinhas.
“Parece que no estado de São Paulo não estamos mais vivendo a democracia. O governador tem se mostrado autoritário e tem intimidado os prefeitos que querem agir contra as suas decisões. Tenham certeza de que a maioria absoluta dos prefeitos concorda com a retomada das atividades do comércio. Querem reabrir seus municípios. Infelizmente, por decisões autoritárias do Palácio dos Bandeirantes, não podem fazer nada”.
Assista à íntegra do Entrelinhas no vídeo abaixo:
3ª – “A União deve prevalecer sobre os estados”
Nenhum político invade privacidades ou implanta o caos em cidades e estados sem razões escondidas. Quem afirma isso é o jornalista político Caio Coppolla:
“Eu fico imaginando o que está por trás de todo esse apoio político para essas medidas draconianas [autoritárias]. A única coisa que me vem à mente é a ausência de necessidade de licitação pública para fazer contratações.”
Para Coppolla, é preciso agir “contra os abusos de autoridade dos ditadorezinhos enrustidos nas prefeituras e nos governos. E [a Advocacia Geral da União] acerta em defender que as determinações da União prevaleçam sobre estados e municípios”.
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