A maior propaganda enganosa que existe

Por trás do brilho que seduz, há um reino que escraviza. Este é o mundo em que você vive. Entenda

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Você habita em um mundo que reluz diante dos seus olhos, um cenário que parece oferecer tudo o que sua alma anseia: bem-estar, alívio para os momentos pesados, alegrias que surgem em dias cinzentos… É um espaço sedutor, repleto de promessas de conforto e instantes de prazer, no qual cada momento parece convidar ao descanso e à satisfação. Mas, por trás desse brilho encantador, existe uma verdade inegável: tudo o que parece tão atraente é, na realidade, uma ilusão, uma propaganda enganosa. Esse mundo representa apenas um dos reinos existentes, que retrataremos a seguir.

Ao falarmos em reino, logo vêm à nossa mente um cenário bem conhecido: um lugar habitado por súditos – indivíduos submetidos à autoridade e à vontade de um rei soberano, a quem devem obediência e lealdade. Filmes que marcaram o imaginário infantil costumam apresentar exatamente essa imagem.

Muitos acreditam que hoje já não existam reinos assim. De fato, poucas nações mantêm a monarquia e, mesmo entre elas, essa estrutura não é mais tão evidente. Contudo, espiritualmente, a realidade é outra: só existem dois reinos. E todos, inclusive você, pertencem a um deles, independentemente de religião, classe social, educação ou condição financeira. Não há meio-termo: ou vivemos no Reino de Deus, o da Luz, ou no reino do mundo, o das trevas.

O reino do mundo

Quando abordamos o reino citado acima, não nos referimos ao seu sentido geográfico, ou seja, ao planeta Terra, à criação divina ou à admirável natureza, embora essa associação possa surgir à primeira vista. Estamos falando, na verdade, do sistema que o governa.

Esse sistema tem um brilho sedutor, capaz de atrair e enganar as pessoas com promessas de liberdade, prazer e riqueza. Contudo poucas percebem que ele está sob a influência do pecado. A Bíblia afirma em 1 João 5:19: “todo o mundo jaz no maligno”. Mas é importante destacar: Deus não criou o mundo dessa maneira.

Ele criou tudo perfeito e confiou ao homem o domínio sobre a Terra. No entanto, ao desobedecer a Deus, o homem entregou essa autoridade ao diabo e rompeu sua comunhão com Ele. Assim, o mundo, que era bom, tornou-se perverso e sujeito ao mal. É por isso que vemos tanta crueldade, tanto ódio, tanta violência e destruição.

Esse reino é formado por pessoas que não aceitam limites, correção, ordem ou compromisso com a verdade. Elas vivem para satisfazer a própria vontade, o que as tornam egoístas, gananciosas e centradas em si mesmas. Elas rejeitam o governo de Deus, mas querem usufruir do que Ele criou. Mas a Escritura é clara ao afirmar que quem se torna amigo do mundo se faz inimigo de Deus (Tiago 4:4).

O Reino de Deus

O Reino de Deus não se revela pela nossa aparência, mas dentro de nós. À medida que obedecemos à Palavra de Deus, esse Reino nos liberta do domínio deste mundo marcado por maldição, ódio e ausência do temor a Deus e, então, transforma nossa vida. Nasce em nós um coração disposto a praticar o que é correto e uma vida marcada por disciplina, ordem e compromisso com a verdade.

Isso porque neste Reino não há divisão, infidelidade nem guerra; trata-se de um Reino de justiça, amor e paz. Esse amor não é passageiro nem uma emoção momentânea, mas uma realidade espiritual governada por Deus, e, por isso, ele é puro, verdadeiro e permanente. Já a paz nasce do relacionamento com Deus e não depende de nenhuma circunstância. É a estabilidade interior que permanece mesmo em meio às lutas.

Quando o Senhor Jesus veio pela primeira vez ao mundo, anunciou a chegada do Reino de Deus, pois a Humanidade vivia sem governo espiritual. Com Sua vinda, esse Reino passou a ser estabelecido na vida daqueles que O recebem.

Ele é o Rei e hoje governa por meio do Seu Espírito, moldando o caráter dos que O obedecem e orientando pensamentos, decisões e atitudes. Ninguém é forçado a obedecer: é um Reino de filhos, que desejam agradar ao Pai, e não de robôs, e a maior riqueza de cada pessoa é a comunhão com Ele. Por isso, a marca essencial deste Reino é a obediência e quem obedece, de fato, vê Deus reinar em sua vida.

Os reinos coexistem, mas não se misturam

O Reino de Deus e o reino deste mundo coexistem, mas jamais se misturam. Suas fronteiras não são físicas nem visíveis, mas espirituais. Assim como a água e o óleo ocupam o mesmo recipiente mas não se combinam por terem naturezas incompatíveis, esses dois reinos existem simultaneamente, contudo, em completa oposição.

Por isso, não há neutralidade. Ninguém pode viver parcialmente em um reino e parcialmente no outro. Jesus foi categórico em relação a isso: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” (Mateus 6:24).

A quem obedecemos revela a que reino pertencemos e essa evidência não está no discurso, mas na prática da obediência. Ou seja, não basta afirmar: “Estou no Reino da Luz”.

Então, a pergunta decisiva é: você faz a vontade de quem? De Deus ou do diabo? Da Luz ou das trevas?

O perigo disfarçado

“Ninguém em sã consciência serve ou deseja servir ao diabo. Mamom, porém, é outra coisa. Ele não aparece com chifres, tridentes ou fogo saindo pelas narinas. Ele tem aparência, brilho, apelo, é sedutor e oferece aquilo que o coração humano deseja: beleza, moda, vaidade, dinheiro, bebida, prazer, status, etc.

Foi assim que o diabo tentou Jesus. Levou-O a um lugar alto e mostrou-Lhe todos os reinos da Terra e a glória deles (Mateus 4:1-11). Ofereceu poder, riqueza e glória. Hoje, essas mesmas propostas são feitas às pessoas, mas elas não percebem que é o diabo quem está por trás delas. Por isso Jesus afirmou que é impossível servir a Deus e, ao mesmo tempo, a Mamom.

[…] O ser humano tem a tendência de associar felicidade às coisas materiais e acaba trocando Deus por elas, acreditando que sem isso não será feliz. Aí está o verdadeiro perigo”.

Bispo Renato Cardoso

Mudança de reino: uma escolha que só você pode fazer

Embora todos nós tenhamos nascido no reino deste mundo, não somos obrigados a permanecer sob seu domínio. O Reino de Deus está à disposição de todos os que querem viver uma vida justa, correta e verdadeira.

Podemos escolher continuar seguindo as regras do reino do mundo, carregando o peso do pecado e da culpa, ou decidir fazer parte do Reino de Deus, onde há libertação, verdade e vida. Mas, para entrar no Reino de Deus, é necessário abrir mão do governo da própria vida, reconhecendo que não sabe governar a si mesmo, e sujeitar-se ao Rei desse Reino, que é o Senhor Jesus, entregando o controle a Ele e confiando que, sob Seu governo, estará seguro.

Por isso, embora o Reino de Deus esteja à disposição de todos, só pode ser acessado pelos humildes, aqueles que aceitam e se submetem ao convite divino. Deus não impõe o Seu Reino. Ele o apresenta e cabe a cada um decidir entrar nele ou não.

Quem escolhe fazer parte do Reino de Deus entrega o seu coração a Ele e recebe um novo coração. Isso fica demonstrado quando a pessoa decide sepultar a vida velha vivida no reino do mundo, através do batismo nas águas, e torna-se apta para receber o Espírito Santo. Então seu caráter muda, pois ela passa a pensar como Deus pensa, porque agora é filha d’Ele – nascida e gerada pelo Espírito Santo.
Jesus afirmou: “Aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus” (João 3:5). E é o Espírito Santo Quem nos guia em toda a verdade neste mundo.

Promete, mas não entrega

O reino do mundo…

  • promete liberdade – entrega escravidão
  • promete prazer – entrega vazio e degradação
  • promete riqueza – entrega ganância e corrupção
  • promete poder – entrega perversão e opressão
  • promete domínio – entrega perda de autoridade
  • promete uma “vida boa” – entrega um sistema perverso
  • promete autonomia sem Deus – entrega separação do Reino de Deus
  • promete usufruir da criação – entrega ingratidão e rebeldia

O Reino de Deus não oferece promessas vazias, mas também não é um clube de vantagens, em que a adesão ocorre apenas para usufruir dos benefícios. Jesus foi claro sobre o custo de fazer parte desse Reino: “… Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz e siga-Me” (Lucas 9:23). Ou seja, viver nele exige renúncia da própria vontade e disposição para o sacrifício. Ainda assim, nada que o mundo possa oferecer se compara à recompensa reservada aos que escolhem viver no Reino de Deus.

O preço de amar o mundo

A amizade com o mundo impediu que, durante a maior parte da vida, a agente bancária Michele Sanziani, de 42 anos, tivesse amizade com Deus

Não levava Deus a sério

Cheguei à Universal aos 13 anos, mas não tinha um compromisso com Deus. Eu não priorizava ter o Espírito Santo e as amizades do mundo me dividiam entre dois reinos. Aos 23 anos, comecei a namorar alguém que passou a frequentar a Igreja por minha causa. Logo percebi sinais de que não daria certo: discussões constantes, idas e vindas, mentiras, eu cheia de mágoas e nervosa. Apesar disso, me casei acreditando que tudo mudaria, mas piorou. Com um ano de casada, já vivia um inferno. Permaneci quatro anos até a primeira agressão física. Nesse período, me afastei da Igreja. Depois veio o divórcio.

Querendo os dois reinos

Meses depois, conheci no trabalho meu atual marido. Nos envolvemos rapidamente, mas não havia discernimento da minha parte. Eu morava sozinha, era recém-divorciada e, após seis meses, engravidei e ele veio morar comigo. Por um tempo vivemos bem. Minha filha nasceu, voltei à Igreja, apresentei-a no Altar e frequentei por três anos. Até participava do evangelismo, mas não me firmava: lia a Bíblia só na Igreja, quase não jejuava e não tinha comunhão com Deus.

O mundo falou mais alto

Embora eu estivesse melhor, por falta de decisão e de obediência à Palavra de Deus, o mundo voltou a me atrair e, então, me afastei de vez. Minha vida desmoronou: tristeza, dívidas, brigas, casamento à beira da separação, bebedeiras, vazio e desejo de suicídio. Fiz amizades que só geravam conflitos com meu marido, pois eu queria viver como solteira.

Tudo ou nada

Depois de viver assim oito anos no mundo, passei em frente a uma Universal com meu marido e ele disse: “Não aguento mais você. Se você não voltar para a Igreja, vou te largar, porque lá você era melhor”. Eu respondi: “Então, vamos agora”. Entramos, participamos da reunião e no mesmo dia contei ao pastor que já tinha me afastado várias vezes, mas que daquela vez queria ficar. Perguntei o que eu precisava fazer, pois eu não suportava mais a minha vida.

Decidida a entrar no Reino de Deus

Eu estava decidida e não queria apenas me molhar no batistério. Eu queria e precisava de uma nova vida. Larguei as más companhias, deixei os vícios e, 45 dias depois de ter voltado à Igreja, me batizei nas águas. Sem dificuldade, abri mão de tudo pelo Espírito Santo. Investi toda a minha fé, pois sabia que só Ele poderia transformar a minha vida. Mesmo com o casamento em ruínas, não olhei para nada: queria aquela alegria que via nos que O tinham. Eu orava de madrugada, jejuava, lia a Bíblia e buscava a Deus também em casa. Três meses depois, recebi o Espírito Santo.

A luta que vale a pena

O Espírito Santo é a elite da força para permanecer no Reino de Deus. Sem Ele, não somos nada. Hoje todos veem a diferença em mim: tenho a paz e a alegria que o mundo não dá. O reino deste mundo só oferece tristeza, vazio, sofrimento e ilusões. Não sinto falta da vida antiga. Minhas lutas agora são contra mim mesma para permanecer no Reino de Deus, mas é algo que vale a pena.

ALERTA!

Muitos que estão no Reino de Deus se comportam como quem olha pela janela de uma casa: estão admirando o que acontece no reino do mundo. Eles se esquecem de que, cedo ou tarde, para onde se volta o olhar é para onde a vida segue.

O segredo para permanecer seguro e satisfeito sob a proteção do Reino de Deus é manter os olhos no Autor e Consumador da fé – o Senhor Jesus – e compreender que os “nãos” de Deus não são para frustrar, mas para proteger, como faz um pai amoroso que cuida do filho.

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Colaborador

Núbia Onara / Arte: getty images e imagem gerada por IA / Fotos: brightstars/getty images, solarseven/getty images e Demetrio Koch