thumb do blog Cristiane Cardoso
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O assédio raramente começa de forma escancarada

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Imagem de capa - O assédio raramente começa de forma escancarada

O assédio raramente começa de forma escancarada: ele costuma falar baixo. Vem em forma de um comentário “inocente”, de um olhar insistente, de uma aproximação desnecessária, de uma brincadeira inconveniente.

É tão sutil que a própria vítima, muitas vezes, tenta convencer a si mesma de que não foi nada. Afinal, parece absurdo pensar que alguém esteja ultrapassando um limite de propósito.

Mas acontece de novo. E depois outra vez.

A frequência aumenta. Os limites vão sendo testados. “Quem sabe ela goste? Quem sabe permita? Talvez esteja dando abertura…”

É assim que pensa quem não compreende, ou simplesmente ignora , que assédio não é elogio, não é paquera, não é conquista. É desrespeito.

Em muitos ambientes, ele ainda é tratado como algo comum. E talvez seja justamente por isso que tantas mulheres sorriam sem graça. Não porque gostem, mas porque não sabem como reagir naquele instante. Porque confrontar o agressor, muitas vezes, significa enfrentar também os comentários nos bastidores, os julgamentos e a velha tentativa de inverter a culpa.

“Ela fez por onde.”

“Ela gostou.”

“Ela está exagerando.”

Não. A mulher não gosta de ser assediada. Ela não se veste para ser assediada. Ela quer trabalhar, caminhar, viver e existir sem que seu corpo seja tratado como um convite. Ela quer apenas aquilo que nunca deveria precisar pedir: respeito.

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Colaborador

Cristiane Cardoso