“Me envolvi com pequenos furtos até chegar ao roubo de lojas”
Márcio Oliveira Silva foi detido na adolescência e conheceu as consequências do crime, mas a Fé lhe apresentou uma nova proposta de vida
Embora tenha experimentado uma infância boa e segura, o empreendedor Márcio Oliveira Silva, de 38 anos, conta que na adolescência enveredou por um caminho diferente. “Minha rotina sempre foi da escola para casa, mas, dos 13 para os 14 anos, minha mãe começou a me liberar um pouco mais e foi nessa fase que me envolvi com algumas amizades. Os mesmos amigos que jogavam bola e empinavam pipa, no entanto, começaram a trilhar os caminhos da marginalidade, do tráfico e do roubo. Cada um seguiu um destino e, no embalo, eu os acompanhei. Me envolvi com pequenos furtos até chegar ao roubo de lojas, embora não precisasse me submeter a nada daquilo”, diz Márcio, que admite que “a vida de ostentação” o seduziu.
As consequências logo vieram. Márcio aceitou participar do roubo a uma pizzaria, mas, para ele, as coisas não saíram como planejado. “A polícia chegou e, depois da tentativa de fuga, acabei detido. Fizeram de tudo para que eu entregasse quem estava comigo, mas não fiz isso”, descreve.
Com apenas 17 anos, Márcio teve de responder por crime de roubo. Antes de ser detido, no entanto, ele já tinha conhecido o resultado das más escolhas. “Por três vezes, senti na pele a possibilidade de morte. Na primeira, um rapaz apontou uma arma para mim. Na segunda, eu já andava com gangue. Nós fizemos o que não devia e, em reação, a pessoa começou a disparar. Já na última me confundiram com um rapaz que estava em dívida com o tráfico.”
“MATAR OU MORRER”
O roubo à pizzaria aconteceu em um sábado e, por ser menor de idade, Márcio seria transferido para a Febem, que hoje se chama Fundação Casa. “Meu pai falou que jamais entraria no sistema penitenciário, mas, infelizmente, eu o fiz passar por isso. Atrás das grades, vi quem realmente estava comigo, porque não recebi a visita de ninguém, a não ser dos meus pais.”
As “subidas” para a Febem (nome dado às transferências da delegacia para o local para jovens infratores), como pontua, eram feitas às terças e quintas-feiras, mas, com ele, isso não aconteceu: ele ficou detido na delegacia por 14 dias. “Lembro que o carcereiro achou estranho, já que durante os 15 anos que estava ali nunca viu uma cena daquela. Até perguntou se alguém na minha família mexia com rituais, porque normal aquela situação não era. Foi quando lembrei das orações da minha mãe, que frequentava a Universal. Me recordo que, em uma quarta-feira, experimentei falar com Deus, algo que nunca tinha feito antes. Orei: ‘Se Você existe, me tira daqui, porque se eu for para lá, sei que vou para matar ou morrer.’ Perto da meia-noite, o carcereiro me chamou dizendo que haviam conseguido o habeas-corpus.”
TRANSFORMAÇÃO
Em liberdade e longe do crime, Márcio se descobriu no futebol. “Comecei a rodar por alguns times do Brasil na categoria júnior. Com 21 anos, tentei me profissionalizar em um time do Paraná, mas desisti. Nessa época, fiz um curso de informática para atuar na área, mas recebi uma proposta de jogar nos Estados Unidos e não fui. Até cheguei a me profissionalizar, mas não quis mais seguir a carreira.”
Se as boas oportunidades muitas vezes batiam na trave, a agonia que existia dentro dele parecia que nunca saía. “Dentro de mim as coisas não davam certo: havia uma perturbação muito grande, um vazio, um buraco, mas eu não aguentava mais. Um dia, vi minha irmã se arrumando para ir à Universal e pedi para ir com ela. Era uma quarta-feira como aquela que falei com Deus pela primeira vez, seis anos antes. Confesso que fui só querendo uma oração, mas naquele dia todos os dramas e traumas que eu carregava sumiram. Nunca mais saí da Igreja, onde estou há 16 anos.”Aos poucos, a vida de Márcio começou a mudar. “Me casei, eu e minha esposa abrimos nosso próprio negócio e conquistamos nosso apartamento, mas a maior conquista que tenho é o Espírito Santo”, finaliza.
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