Escolha: O poder do eleitor
“Eu lhes dou a oportunidade de escolherem entre a vida e a morte, entre a bênção e a maldição” (Deuteronômio 30.19, NTLH). Este versículo mostra claramente que Deus entregou ao ser humano a faculdade de decidir o caminho que quer seguir. Mas dentre essas opções, quem, em sã consciência, escolheria a morte e a maldição? O versículo seguinte explica como isso seria feito: para escolher a vida, era preciso amar a Deus e obedecer a Ele, ou seja, vida e morte, bênção e maldição eram as consequências de se escolher obedecer ou desobedecer. Esse trecho bíblico nos revela que o que o ser humano escolhe, na verdade, não são as opções que vê, mas as consequências que elas trazem.
Hoje em dia, infelizmente, poucos entendem isso. A maioria tem um pensamento imediatista, olha apenas para o agora, e não analisa o que aquela decisão lhe trará no futuro. Curiosamente, essas mesmas pessoas imediatistas reclamam dos efeitos negativos das escolhas que fizeram (porque a consequência só as incomoda quando passa a fazer parte do “presente”). Elas não conseguem perceber que estão apenas colhendo o que plantaram. É como se deliberadamente comessem um alimento delicioso, mas estragado, e reclamassem da dor de barriga depois, sem perceber a relação entre as duas coisas. Se a pessoa pensar que está escolhendo a consequência, terá maior noção da sua responsabilidade e da importância de buscar todas as informações, de forma racional, para decidir com sabedoria e consciência qual é a melhor opção. Quem escolheriaa dor de barriga?
Isso vale para quaisquer escolhas na vida e em qualquer área, já que diariamente fazemos inúmeras. Até mesmo as pequenas trazem impacto na vida, mas são as decisões maiores e mais importantes que farão mais diferença no futuro. Uma das frases relacionadas à palavra “escolha” no dicionário Michaelis é “eleição através do voto”. E, de fato, essa é uma das maiores escolhas que alguém pode fazer porque por meio dela se decide, no mínimo, o rumo da nação nos próximos quatro anos. Nossa Constituição Federal define que: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente […]”. Ou seja, a responsabilidade é exclusivamente do povo. O poder emana da escolha de resultados feita por cada eleitor. A escolha é o poder do eleitor, que o transfere àquele a quem ele escolher.
O problema é que muitos só deixam para pensar e avaliar candidatos e propostas durante o período eleitoral, como se o restante do mandato não tivesse nada a ver com eles. Dois projetos distintos foram colocados diante dos brasileiros para que, por meio do voto, seja escolhido aquele que mais se adeque aos seus princípios e valores.
Como ficar apto a escolher? O que torna alguém apto a fazer uma escolha adequada? A resposta é: entender que está escolhendo os resultados que se quer colher no longo prazo. E, para isso, é preciso ter informação suficiente para uma escolha racional. Por isso Deus colocou as coisas nesses termos, propondo as consequências ao povo, para que, ao analisá-las, ele pudesse selecionar as atitudes corretas e que o levaria ao resultado desejado.
Teremos que conviver com as consequências da escolha que fizermos hoje, boas ou ruins, estar preparados para avaliar o próximo governo de forma racional e analisar as decisões tomadas por ele. Quando escolhemos um representante, escolhemos também as consequências (boas e ruins) das decisões que ele tomar. Somos responsáveis por elas, já que fomos nós que, coletivamente, o colocamos lá; portanto, o que ele fizer, fará em nosso nome.
É importante que cada cidadão aprenda a pensar nessas escolhas ao longo do mandato daqueles que o representam, como quem estuda para uma prova importante. Assim, a cada novo momento de escolha, estará apto a avaliar as consequências que se dispõe a assumir com sua família, amigos e todo o país pelos próximos quatro anos. E escolher, racionalmente, usando com sabedoria o poder que recebeu de Deus. Não é possível transferir a responsabilidade pessoal e se retirar deste processo. Assim como a escolha é de responsabilidade do ser humano, as consequências dessa escolha também serão. E disso ninguém poderá fugir.
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