Inteligência artificial: ameaça ou ajuda?
Recursos digitais ganham espaço em relação à mão de obra humana, o que preocupa profissionais de diferentes áreas
Que a chamada inteligência artificial (IA) está redefinindo o mundo profissional não é novidade. Empresas grandes e pequenas já aderiram ao atendimento digital, por exemplo, e a tendência é que softwares que interagem com profissionais e clientes tomem conta de outras atividades nos mais diversos setores.
Desde o início do ano, tem sido muito discutido o avanço do chatbot ChatGPT, da startup OpenAI, uma IA que está causando furor nos mais diversos ramos, como medicina, advocacia, administração, comércio e entretenimento, com uma lista aparentemente sem fim de aplicações. A ferramenta tem feito tanto sucesso que o Google anunciou, em fevereiro, o lançamento do Bard, um concorrente que promete estar à altura do ChatGPT em pouco tempo. A Microsoft, por sua vez, decidiu fazer um investimento bilionário na OpenAI e incluir a tecnologia da empresa em seus produtos.
Quais serão, na prática, os efeitos da IA no mercado profissional? Segundo recente relatório do Fórum Econômico Mundial, 85 milhões de postos de trabalho serão extintos por causa da automação até 2025 em todo o mundo, mas ela também pode gerar novas profissões.
O que é IA?
Arthur Mazzini, líder de vendas para os Estados Unidos da empresa de software brasileira Semantix, explica que a IA é um conjunto de sistemas programados para reproduzir a inteligência humana para “realizar e melhorar a forma como os seres humanos processam determinadas informações”.
Ela é indispensável, segundo o executivo, para criar chatbots como o GPT, “que agilizam os serviços on-line, oferecendo respostas precisas e rápidas aos usuários”, assim como ajudar a desenvolver assistentes virtuais, “que analisam uma ampla gama de informações e promovem uma resposta otimizada a elas”. A IA também está presente nos mecanismos de recomendação, popularmente chamados de algoritmos, “que filtram as informações, direcionando as mais relevantes para cada público”, diz.
Aplicada nas empresas, a IA pode “agilizar procedimentos, tornar algumas etapas mais precisas e aumentar a produtividade de equipes inteiras. Em geral, esses sistemas podem levar o negócio a níveis que os humanos não poderiam. É como tentar fazer um cálculo mental e usar uma calculadora para fazê-lo: a precisão e a velocidade são incomparáveis”, diz Mazzini.
Risco ou benefício?
De que modo os profissionais devem se preparar para os próximos anos? Segundo a especialista em carreiras Rebeca Toyama, de São Paulo, é necessário que o profissional de qualquer área se capacite para trabalhar em conjunto com as novas tecnologias e transformá-las em aliadas.
Rebeca lembra que o ChatGPT, apesar de lançado há cerca de três meses, já alcançou 100 milhões de usuários em todo o mundo e vem conquistando cada dia mais interesse por sua capacidade de manter conversas “naturais”, produzir textos e gerar códigos de programação, entre outras funções. Para ela, a tecnologia não veio para atrapalhar a vida dos profissionais e tirá-los de seus postos de trabalho, mas para ajudá-los e desafiá-los.
“Tudo tem dois lados e com a IA não é diferente”, considera Rebeca. “Ela atrapalha por um lado, ajuda por outro, mas com certeza modifica muito a relação de ensino e aprendizagem. O ponto é utilizar a IA de forma saudável, como uma ferramenta de auxílio, para que o uso da tecnologia não impacte a habilidade de raciocínio, pois o uso descontrolado pode desencadear a perda da capacidade de se expressar e de trabalhar com dados”, pondera.
A palavra de ordem, diz Rebeca, é requalificação. Para ela, muitos profissionais não estão preparados para lidar com as novas tecnologias, o que pede um investimento por parte das empresas e dos próprios trabalhadores: “por mais que a especialização e a formação de alguém tenham sido excelentes, muitas tecnologias não existiam naquele momento. Então, é necessário se preparar para lidar com a IA”. E ela dá mais uma orientação: “se você está preocupado em ser substituído pelo ChatGPT, por exemplo, talvez o problema seja a forma como está cuidando de sua carreira. Reflita e se observe”.
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