“Por causa da cocaína, tive até princípio de overdose”

Depois de se envolver com as drogas, Willian Oliveira teve a vida transformada ao se entregar a Deus e hoje tem um negócio próprio

Imagem de capa - “Por causa da cocaína, tive até princípio de overdose”

Não são poucas as pessoas que se perguntam por que os jovens se envolvem com as drogas, mesmo quando são orientados sobre o perigo de fazer isso. Na verdade, muitos deles nem sabem dizer o motivo de terem sido seduzidos por esse mal. O jovem Willian Oliveira, hoje com 26 anos (foto acima), por exemplo, tinha tudo para não enveredar por esse caminho que é cada vez mais comum para boa parte da juventude.

Morador do bairro da Caixa D’água, na periferia de Salvador, na Bahia, ele conta que seus pais se separaram cedo. “Eu vivi dentro da Universal desde criança, pois minha mãe sempre foi membro da instituição, mas, quando eu tinha 13 anos, acabei saindo. Eu queria conhecer o mundo”, diz.

O caminho para as drogas começou por acaso. “Lembro que uma colega de escola me ensinou a fumar cigarro. No início, eu comprava cigarro unitário, depois passei a comprar o maço e em pouco tempo já fumava duas a três carteiras. Como eu ia para a praia e todo mundo fumava maconha, acabei experimentando também e gostei. Uma vez eu fumei e passei mal e daí resolvi partir para a cocaína. Por causa dela, tive até princípio de overdose.”

Ele diz que até esquecia muitas coisas que fazia sob efeito das drogas. “Minha mãe ficou muito decepcionada comigo quando descobriu. No início, ela não acreditava que eu fumava, mas, quando soube, ela sempre trabalhou na Fé sem discutir. Se ela via algo errado, com certeza me falava, mas houve até ocasiões em que eu chegava em casa para me drogar e via que ela ficava orando por mim”, conta.

Ele revela que chegou a ser conduzido para uma delegacia por acharem que ele estava praticando roubos com outros amigos. “Depois de ser ameaçado de morte por rivais, eu mudei para a casa da minha avó, em Santo Amaro da Purificação. Apesar da cidade ser no interior do Estado da Bahia, ela não tinha como me regular.” Ele relata que nesse período se “afundou na cachaça”.

Contudo o vazio provocado por aquela vida começou a incomodá-lo. “Uma ex-namorada que era da Universal me convidou para ir à Igreja. Era um sábado, 15 de setembro de 2016. No dia seguinte, fui decidido a me batizar. Fui para o Altar e disse para Deus: ‘se o Senhor não puder mudar a minha vida aqui, vou continuar fazendo as coisas de forma ainda pior’. Assim que terminou a reunião, fui batizado”.

Willian afirma que mudou totalmente: “as pessoas sentiam medo de mim e não me queriam perto delas. Eu era muito atribulado. Hoje meu semblante é diferente. Eu mudei de tal forma que, quando fui visitar minha família, meus tios não me reconheceram. Tive que falar para um deles: ‘tio, sou eu, o Willian’. Isso me lembrou da passagem em que José diz quem é para os irmãos que não o reconheciam”.

Willian hoje tem uma confecção de roupas, é voluntário do grupo Socioeducativo e está noivo da estudante Suelen Campos de Jesus, de 22 anos. Os dois pretendem se casar em março deste ano. “Antigamente, eu não sabia ser homem de uma mulher só, ser um bom filho ou atender bem meus clientes. O caminho é entregar a vida para Jesus. Sem Ele, temos apenas informações do que fazer, mas, com Ele, temos a revelação para poder arrebentar”, finaliza.

imagem do author
Autor

Eduarto Prestes / Fotos: Arquivo Pessoal