“O lucro das vendas era só para sustentar o vício”

Tráfico e tentativas de suicídio marcaram a trajetória de Pedro Henrique Ramos Queiroz

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Pedro Henrique Ramos Queiroz, de 24 anos, chegou à Universal em agosto de 2015. Natural de Salvador, ele foi criado pela mãe e pelo padrasto no interior da Bahia, na cidade de Catu. “Éramos de classe média, nunca me faltou nada na infância”, explica. “Porém, nunca aceitei meu padrasto como pai. Minha mãe e ele bebiam bastante e, aos finais de semana, saíam para o bar e eu ia junto. Presenciei, muitas vezes, os dois brigando. Cresci com ódio e com desejo de tirar a vida dele”, recorda.

“o lucro das vendas era só para sustentar o vício”

Na adolescência, Pedro se tornou “rebelde” e faltava às aulas da escola. “Nessa (situação), conheci o tráfico. Me ofereceram algumas ‘dolas’ (cigarro de maconha) para vender, me falaram que ganharia muito dinheiro e, como todo adolescente que queria dinheiro para comprar besteira, aceitei. Até então, eu não usava. Com o passar do tempo, fumei meu primeiro cigarro de maconha e gostei da sensação de bem-estar. Comecei a fumar todos os dias e o lucro das vendas era só para sustentar o vício”, esclarece.

O vício em cocaína e bebidas alcoólicas também consumiam Pedro aos poucos. “Fui conhecendo outras drogas, entre elas o LSD e o lança-perfume, até chegar ao crack.” Aos 18 anos, ele começou a se tatuar. “Fiz oito (tatuagens), entre elas o desenho de uma facção e uma folha da maconha.”

TENTATIVAS
Ele conta que não sabe dizer ao certo o que procurava. “Sei que tinha um vazio, que sentia falta do meu pai, que queria ser feliz, porém, do meu jeito”, observa. “Eu era um jovem rebelde, problemático, sem expectativa de futuro. Muitas vezes, tentei tirar minha vida com uma faca no peito. Já cheguei na frente de policiais e pedi para me detonarem de tiros.”

TRANSFORMAÇÃO
A família de Pedro chegou a se juntar para pagar uma dívida no tráfico para ele. A essa altura, a tia e a mãe de Pedro já conheciam a Universal. “Eu ligava para a minha mãe chorando, me sentia sozinho. Era um princípio de depressão. Ela me aconselhou a procurar a Universal. Quando fui, o Pastor falou sobre transformação e disse que quem cresse e fosse batizado seria salvo. Eu me batizei, mas no dia seguinte tive um surto.”

Naquela noite, em surto, ele encontrou voluntários do grupo Anjos da Madrugada. “Eles me deram roupa para vestir e sopa, porém me envolvi em uma briga e fiquei quatro dias internado. Depois, pedi para ser internado no centro de recuperação, pois queria pôr um fim ao vício e não sabia como. Fiquei 15 dias e não mudei nada. No dia da visita, encontrei minha mãe e minha tia e falei que iria à Igreja. Passei a ir todos os dias.”

Desde então, tudo mudou. “Com a minha libertação, passei a fazer propósitos para receber o Espírito Santo e, no dia 14 de janeiro de 2016, tive a certeza da minha Salvação. Encontrei a verdadeira paz. Passei a ter o próprio Deus dentro de mim. O Espírito Santo é o melhor presente que uma pessoa pode receber, é o presente que vem do próprio Deus”, finaliza Pedro, que hoje serve a Deus no Altar.

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Autor

Flavia Francellino / Fotos: Cedidas