Acidentes de trânsito custam mais de R$ 50 bilhões por ano
Redução de ocorrências durante a pandemia deve gerar queda de 19% no número de indenizações pelo Seguro DPVAT em 2020. Para que a diminuição de acidentes continue, condutores e pedestres precisam fazer a sua parte
Durante o período mais restritivo de quarentena decretado em vários Estados do Brasil por causa do novo coronavírus, o País teve redução da mobilidade e da atividade produtiva. Entretanto houve uma consequência positiva nesse cenário: a redução no número de mortes em acidentes de trânsito, como indicam os dados de São Paulo.
Neste ano, o Estado registrou o menor índice de mortes por ocorrências de trânsito desde que o número começou a ser medido em 2015.
Entre janeiro e agosto de 2020, o número de vítimas fatais caiu 26% em relação ao mesmo período de 2015.
Entre 24 de março, início da quarentena em São Paulo, e 30 de abril, houve redução de 41% nas ocorrências em vias urbanas e rodovias registradas pelo sistema Infosiga SP, de acordo com levantamento do programa Respeito à Vida, do governo de São Paulo. Isso representa 6,8 mil acidentes a menos com vítimas feridas ou fatais. Para chegar ao número, foram analisadas as estatísticas de 104 cidades paulistas acompanhadas pelo sistema de monitoramento.
Brasil
Outros Estados brasileiros também tiveram redução no número de acidentes. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgados em abril mostraram que as restrições no tráfego nas rodovias por causa do isolamento geraram queda de 28% no número de acidentes e redução de 7% de mortes entre março e abril de 2020.
Economia
Em setembro deste ano, a Seguradora Líder, que administra o consórcio que gere o Seguro DPVAT, divulgou um estudo que prevê uma queda de 19% no número de ocorrências de trânsito indenizadas em 2020, considerando o período de isolamento social por conta da pandemia de Covid-19. Das ocorrências previstas até o fim de dezembro, 143.842 estão relacionadas a coberturas por invalidez permanente, 56.408 a indenizações para despesas médicas e 29.396 a casos de morte.
Alto custo
As mortes no trânsito não causam perdas só para os envolvidos no acidente. A sociedade brasileira perde cerca de R$ 50 bilhões por ano com os acidentes de trânsito, segundo dados atualizados em estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Para se ter uma ideia do tamanho do problema, vale destacar que cada acidente em rodovia federal custa R$ 261.689 e um acidente com morte tem custo médio de R$ 664.821.
E os danos materiais não são o principal problema. O maior valor estimado está relacionado à perda de produção das pessoas. Ou seja, uma vítima de trânsito deixa de produzir renda durante o período em que está afastada para recuperação ou, no caso de morte, em relação à expectativa de vida. Isso gera impactos sobre a previdência social e sobre a família, que pode passar por um processo de empobrecimento. O segundo maior custo é o hospitalar, que representa cerca de 20% do total. Os acidentes também geram custos institucionais e de pessoal, relacionados ao atendimento às vítimas, com a mobilização de funcionários do sistema de saúde e de segurança, remoção de veículos, etc.
Por isso, quem assume a condução de um carro, de um ônibus, de um caminhão ou uma motocicleta precisa estar atento às regras de trânsito. Os ciclistas e os pedestres também precisam fazer a sua parte. Afinal, um “pequeno” descuido ou uma ação de
má-fé podem gerar danos para toda a sociedade.
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