“Queria matar todos que me fizeram algum mal”

Depois de se envolver com o crime, Felipe Porfírio foi preso, mas dentro da cela ele conheceu a Deus

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Desde a adolescência, o vendedor Felipe Antônio Porfírio, de 22 anos, já mostrava sinais de como seria quando estivesse na fase adulta.

Suas perturbações começaram quando, aos 13 anos, ele sofreu uma decepção amorosa. Em seguida, seus problemas se intensificaram.

“Naquele mesmo período, fui vítima de um ritual maligno e comecei a ter uma forte depressão e desejo de vingança. Queria matar todos que me fizeram algum mal”, recorda.

Aos 15 anos, ele se envolveu com as drogas, abandonou os estudos e viu os problemas familiares piorarem. “Minha família me tratava mal por causa do vício e, além da depressão piorar, comecei a ter crises e surtos emocionais de ódio e raiva, a ponto de um dia eu ficar no chão do banheiro com a boca espumando e chorando sem forças até para falar”, detalha.

Destruição
Depois de tantos problemas, Felipe foi morar com sua avó. Naquele período, ele entrou para o tráfico e fazia pequenos furtos. “Eu não queria estudar nem trabalhar. Passava madrugadas nas ruas e baladas vendendo drogas. Meus pais, sabendo da minha situação, me internaram à força em uma clínica para recuperação de dependentes químicos.”

Felipe permaneceu na clínica por três dias. Ele recorda que tomava tantas medicações que passava o dia todo fraco e escorado nas muretas para não cair. “Eu já tinha um plano para fugir de lá e tentar recomeçar em outro lugar, mas meu pai, arrependido, foi me buscar. Eu me sentia pior do que um lixo, meu interior era vazio e completamente destruído.”

Ao sair da clínica, Felipe continuou no mundo do crime. Ele planejava grandes assaltos a bancos, em um ano, ele formou uma quadrilha. Com tudo pronto para executar um grande assalto a um cofre, Felipe foi preso. “Era 14 de maio de 2018. Quando cheguei na cela pequena da delegacia, estava completamente revoltado, mas me deparei com um pastor na cadeia e ele me disse que Deus não queria que eu vivesse no crime”, lembra.

Liberdade espiritual
Felipe nunca tinha ouvido falar de Jesus, mas na prisão ouviu falar da liberdade que sua alma precisava ter. “Meu mundo tinha desabado e eu ‘caí na real’ de que estava no caminho errado. Quando cheguei no Centro de Detenção Provisória do Belém 1, a primeira Igreja que apareceu lá foi a Universal e a cada reunião meu interior foi mudando.”

Felipe se entregou completamente a Deus. Na cela mesmo, ele recebeu o Espírito Santo. Ele conta como foi: “eu jejuava e orava durante as madrugadas. O Espírito Santo viu minha sinceridade em servi-Lo e meu desejo ardente de ganhar almas e, então, Ele veio sobre minha vida. Senti uma paz e uma alegria inexplicáveis”, relata.

Há cerca de dois meses Felipe ganhou a liberdade. Agora, ele tem sua vida dedicada a Deus e anda na retidão e na justiça. “Não estou livre apenas fisicamente, mas também da opressão, do ódio, dos vícios e da depressão. Tenho uma família feliz e Deus está me fazendo prosperar. Minhas ações e reações são guiadas pelo Espírito Santo”, finaliza.

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Autor

Camila Teodoro / Fotos: Cedidas