COVID-19 faz outras doenças matarem milhões a mais
Vítimas de Aids, malária e tuberculose aumentarão grandemente nos próximos anos
Um estudo publicado no periódico Lancet Global Health realizou cálculos em países de rendas baixa e média, como o Brasil, e os resultados apontam que, nos próximos anos, Aids, tuberculose e malária poderão matar, juntas, 66% a mais de pessoas em decorrência das políticas de combate à Covid-19.
Isso acontecerá porque esses países têm sistemas de saúde pública já deficientes. A pandemia exige muito de cada um desses sistemas tanto financeiramente quanto em disponibilidade de leitos e médicos.
Programas sendo interrompidos
Conforme Peter Sands, diretor- executivo do Fundo Global para a Luta contra Aids, Tuberculose e Malária, informou à BBC, nos 100 países apoiados pelo Fundo Global, “85% dos programas contra o HIV, 78% contra a tuberculose e 73% contra a malária estão passando por interrupções. E 18% dos programas de HIV, 17% dos programas de tuberculose e 19% dos programas de malária estão passando especificamente por uma interrupção de alto ou muito alto impacto”.
Ou seja: para atender infectados com o novo coronavírus, os governos estão abrindo mão de atender pacientes infectados com HIV, malária e tuberculose. O resultado, de acordo com o estudo citado, é que, nos próximos anos, a Aids fará 10% mais vítimas, a tuberculose 20% e a malária 36%.
O estudo foi realizado em parceria por três das instituições de saúde mais respeitadas do Reino Unido: Conselho de Pesquisa Médica do Centro para Análise de Doenças Infecciosas Globais, Instituto Abdul Latif Jameel e Imperial College de Londres.
Os principais problemas causados pela pandemia
Entre os principais problemas que causarão o aumento de mortes por essas doenças estão: interrupção no acompanhamento médico, a diminuição de prescrição e retirada de coquetéis antirretrovirais e a falta de profissionais combatendo o mosquito Anopheles (transmissor da malária).
A diminuição de consultas, de exames de diagnósticos e de tratamento também está entre os problemas mais sérios causados pela pandemia.
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