Prepare-se para as adversidades
Incertezas trazidas pela pandemia têm gerado medo, angústia e ansiedade em muitas pessoas. Descubra como encarar esses sentimentos e manter o bom ânimo para seguir em frente
Diante de imprevistos, é comum que o ser humano sinta medo, ansiedade e até certa angústia. Mas quem nunca foi surpreendido pela vida? O problema é que poucos estão preparados para lidar com isso. Afinal, como seguir em frente e vencer, mesmo em situações adversas?
A pandemia do novo coronavírus pegou o mundo de surpresa. Uma pesquisa feita pela área de Inteligência de Mercado do Grupo Abril com o instituto de pesquisas digitais MindMiners revelou que mais da metade dos 4.693 participantes está extremamente preocupada com a Covid-19 no Brasil.
Entre as principais preocupações estão o medo de superlotação em hospitais e a falta de atendimento, o aumento no desemprego e a segurança de familiares e amigos. Mas há uma luz no fim do túnel: 54% dos entrevistados afirmam ter esperanças e fé de que a crise vai ter fim.
As pequisas revelam que o medo de ser infectado pelo novo coronavírus é outro problema. Um estudo do instituto Datafolha mostra que 47% das pessoas entrevistadas têm muito medo de ser infectadas pelo novo coronavírus, enquanto 31% têm um pouco de medo, 19% dizem não ter medo e 3% já foram infectadas. A pesquisa foi feita com 2.016 participantes de todo o País, por telefone, entre 23 e 24 de junho, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Transtornos
A pandemia fez emergir alguns medos que, se não forem bem trabalhados, podem levar ao aumento de casos de fobias e até de depressão.
A médica psiquiatra Denise Gobo explica que o s decretos de quarentena no Brasil levaram muitas pessoas a relatar aumento de ansiedade. “Nas primeiras semanas, as pessoas estavam muito ansiosas com a expectativa de como seria o isolamento em família, como ficaria o emprego, a economia, a educação das crianças em casa e as mudanças nos hábitos. Algumas tiveram agravamento de quadros preexistentes. Nós sabemos que a ansiedade pode desencadear sintomas depressivos e de síndrome do pânico e, às vezes, quadros fóbicos”, detalha ela, que é membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
Segundo ela, algumas pessoas conseguiram se adaptar. “Dentro da saúde mental nós pensamos em processos de ajustamento. Quando mudamos de cidade, por exemplo, no início há um estranhamento, mas depois nós vamos nos adaptando ao novo cenário e foi o que ocorreu com muitas famílias. Entretanto há pessoas que têm mais dificuldade para se adaptar ao novo.”
Ainda é cedo para saber as consequências da pandemia, mas é importante ficar atento caso você esteja com sentimentos ruins recorrentes.
“O que tem se discutido [na comunidade médica] é que pode haver um possível aumento de fobias, quadros de toque relacionados à limpeza, transtornos de estresse pós-traumático e quadros depressivos. Se a pessoa está sofrendo, é importante que busque ajuda”, diz.
Como lidar?
Com tantas situações imprevisíveis, uma coisa é certa: nenhum ser humano pode controlar os acontecimentos. Por isso, reconhecer a realidade é o primeiro passo, diz a psiquiatra e geriatra Roberta França. “Estamos sendo obrigados a lidar com sentimentos que antes jogávamos para debaixo do tapete. O medo, por exemplo, é um mecanismo de defesa, mas ele não pode nos paralisar. O mundo não é perfeito, isso pode gerar frustrações, mas é possível encontrar formas de seguir em frente.” Roberta sugere que as pessoas procurem focar no presente: “é importante ter sonhos e planos, mas não se esqueça de viver o presente. Muitas vezes, a pessoa tenta controlar o futuro e perde muito tempo”.
Desespero
Para a piauiense Maria Elizabete dos Santos Lima, (foto abaixo) de 32 anos, a chegada do novo coronavírus agravou a sensação de vazio que ela já sentia. “Desde que começou a pandemia, o medo logo se instalou e eu entrei num desespero total”, explica ela, que vive em Barras.

O fechamento da escola também lhe trouxe preocupação. “Eu já não tinha paciência com meus filhos de 8 e 10 anos e isso complicou a nossa rotina. Comecei a ver as notícias e fiquei preocupada com o futuro.”
Depois, ela recebeu outra notícia ruim e se viu sem saída: “meu marido ia trabalhar na Bahia, mas, por causa da pandemia, o trabalho foi cancelado e ele ficou desempregado. Parecia que eu ouvia o próprio mal na minha mente. Eu já não tinha vontade de viver.”
Mudança
Maria Elizabete diz que tomou uma atitude depois de ver a programação da Universal. “Eu vi a programação da Vigília do Resgate e decidi usar a minha Fé. Eu já ia à igreja, mas desta vez comecei a obedecer à Palavra de Deus”, revela.
Ela conta que o exercício da Fé lhe trouxe tranquilidade para seguir adiante. “Hoje eu tomo as precauções, como usar máscara, mas aquela angústia passou.” O clima na família também melhorou: “agora tenho paciência com meus filhos e meu marido está cuidando deles por enquanto. Quando chego em casa depois do trabalho, eles já estão ajeitados. Só tenho a agradecer a Deus”.
Saúde debilitada
Em 2005, os tocantinenses Edileuza Coelho da Cruz, de 62 anos, e Diolindo Pinto da Cruz, de 63, enfrentaram uma das piores dores de suas vidas. Em maio daquele ano, Allan (foto abaixo), o filho caçula do casal, de 23 anos, teve uma apendicite aguda supurada e ficou internado. “Ele estava com uma infecção grave há mais de uma semana e precisava de uma cirurgia de urgência, mas não havia anestesista”, lembra Edileuza.

“Ele me disse que ia morrer, mas perguntei se ele tinha fé que Deus podia tirá-lo daquela situação. Fiz uma oração e, quando terminei, o anestesista chegou”, detalha. Allan foi operado. “O médico explicou que meu filho ficaria de 30 a 40 dias no hospital. Entretanto, oito dias depois, ele recebeu alta, com indicação de manter repouso.”
Tragédia
Em 5 de outubro de 2005, Allan e a mãe foram ao hospital para uma consulta. “O médico lhe deu alta e disse que ele podia fazer serviço leve, sem esforço.” Naquele dia, Edileuza e Diolindo, que são membros da Universal, foram à reunião da igreja. “Allan saiu para acertar um trabalho e passou na casa de uma vizinha para perguntar do marido dela, que estava doente. Lá, ele acabou emprestando dinheiro para o filho da vizinha consertar a moto que havia quebrado. Alguns amigos estavam em frente a essa casa e ele
ficou conversando.”

Ninguém esperava o que aconteceria: “quando o dono da moto voltou, meu filho se levantou da calçada para pegar o dinheiro e foi atingido por um tiro no peito. O alvo era o rapaz da moto”, diz Edileuza. “Quando cheguei ao hospital e entrei na sala do médico, ele estava desesperado porque não tinha salvado o meu filho. O Espírito Santo me ajudou naquele momento.”
Além da dor do luto, Edileuza e Diolindo tiveram que lidar com algumas pressões. “Várias pessoas vieram falar em vingança, mas eu sabia que isso não traria meu filho de volta”, diz Edileuza. Ela conta que descobriu coisas que a ajudaram a superar a dor. “Eu soube que meu filho era muito querido pelas pessoas. Além disso, um amigo dele veio me contar que o Allan tinha falado que havia entregado a alma a Deus na época da cirurgia. Aquilo me trouxe paz.”
Fé para superar o luto
Para vencer o luto, Edileuza e Diolindo se mantiveram firmes na Fé. “Muitas vezes não queremos aceitar o que nos acontece, mas há fatos que não dependem de nós”, conta Edileuza, que se permitiu seguir a vida e hoje se alegra com os bons momentos ao lado de outros dois filhos e dos netos.
Diolindo destaca que busca forças em Deus: “eu procuro olhar para Ele, para os exemplos dEle, e não para os homens. Quando vinha o rancor pela morte do Allan, eu pedia ajuda a Deus”, completa. O assassino do rapaz foi condenado pela Justiça.
Rotina agitada
Há cerca de um ano, Paulo Victor Coelho Viana, (foto abaixo) de 22 anos, levava uma vida agitada em Palmas, no Tocantins. Ele fazia faculdade de Fisioterapia e trabalhava como barbeiro. “Eu pretendia abrir uma barbearia, terminar a faculdade e montar um consultório de fisioterapia.”

Além disso, na época, ele estava fortalecendo a sua Fé. “Eu tinha sido batizado com o Espírito Santo e estava me preparando para ser colaborador na igreja.”
Paulo começou a fazer serviços de entrega para complementar a renda. Uma noite, o jovem foi surpreendido por um motorista alcoolizado que entrou na contramão e bateu de frente com a sua moto. O acidente foi grave. Paulo teve duas fraturas no fêmur, o osso da coxa, e rompeu ligamentos do joelho. Apesar disso, ele não desanimou.
Depois de receber alta, Paulo teve que se adaptar. “Eu precisava reaprender a andar. Parecia que eu estava dando os primeiros passos de novo. Isso foi bem marcante.” Ele conta que sua irmã não entendia o motivo do acidente. “Ela disse que perguntou a Deus por que isso aconteceu comigo, que estava servindo a Ele. Mas isso serviu para mostrar que, com Fé, nós podemos vencer”, opina. Um ano depois do acidente, Paulo continua na Fé. “Hoje sou obreiro e quero ser Pastor.”

Ele citou o exemplo bíblico de Josué para explicar como encarar as limitações: “Deus animou Josué a assumir o lugar de Moisés e levar o povo à Terra Prometida. Josué estava preocupado, pois a responsabilidade era enorme, mas Deus lhe disse: ‘Esforçate, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares’”, disse, citando Josué 1.9.
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