O que realmente tem feito falta durante a quarentena ?

Pesquisa mostra que 32% dos brasileiros querem voltar a frequentar as igrejas quando cessar o período de isolamento social. Histórias reais revelam esse desejo

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Era um sábado, 28 de março de 2020, quando a estudante Anna Lynna Brito Nunes, (foto abaixo) de 29 anos, participou da Vigília do Resgate em sua Casa, conduzida pelo Bispo Sergio Corrêa, responsável pelos obreiros da Universal em todo o País. Ela acompanhou a reunião pelo Facebook, em sua cidade, Parnaíba, no Piauí. “Estava afastada da Universal havia nove anos. Nesse período, passei por problemas na mente e por confusões”, relata.

Anna tinha tentado se suicidar quatro vezes e descreve uma das ocasiões: “estava me sentindo triste, um ‘nada’, chamei um mototáxi e fui à avenida. Planejava pular de um lugar alto porque estava pensando em me matar, mas falei para ele que iria nadar em um rio. Assim que notei que a água estava no meu ombro, avistei uma ponte e disse a ele que iria subir nela para pular de lá.”

Ela foi impedida de fazer o pior pelo motoboy, mas o vazio interior continuou. Foi quando uma obreira a convidou para assistir a uma reunião que mudaria sua vida. “O Bispo (Sergio) falou tudo que eu estava pensando. Foi o Espírito Santo me alertando.” Então, no domingo seguinte, ela decidiu ir à Igreja, pois sabia o quanto ir à Casa de Deus lhe traria forças.

Apesar de as reuniões estarem suspensas para contenção do novo coronavírus, Anna foi decidida a pedir ao Pastor que a batizasse. O batismo aconteceu na porta da Igreja: o descer às águas foi representado pelo derramamento de um copo de água na sua cabeça. “Decidi viver para Deus”, conta.

Foi a partir daí que Anna percebeu a necessidade de a Igreja manter as portas abertas. “Ao aparecer pessoas como eu, outras, usadas como instrumentos de Deus, estarão prontas a ajudar em momentos difíceis e lhes transmitir uma palavra de Fé.”

DEPOIS, O SALÃO DE BELEZA
Essa e outras formas de ajuda têm alcançado os que se encontram espiritualmente desesperados em todo o Brasil. A abertura da Casa de Deus é requerida por muitos brasileiros, revelou uma pesquisa conduzida pelo instituto Ideia Big Data.

Foram entrevistadas 1.667 pessoas de Norte a Sul do País, entre os dias 21 e 22 de abril, sendo que 32% delas afirmaram que pensam em voltar a frequentar a Igreja logo que a quarentena for suspensa, enquanto apenas 14% declararam que voltariam em até 15 dias e 22% em no máximo um mês. No ranking, foram deixados para trás salões de beleza e barbearias (24%), lanchonetes (18%), restaurantes (15%) e shopping centers (14%).

“SÓ ME AUSENTEI AGORA”
Quem também não vê a hora de voltar à Igreja é a aposentada Eliana Conrado, (foto abaixo) membro da Universal há 20 anos. “Tenho 65 anos e pertenço ao grupo de risco. Então, não participo das reuniões desde 18 de março, quando estive na reunião das 7 horas da manhã.”

O QUE REALMENTE TEM FEITO FALTA DURANTE A QUARENTENA?

Eliana lembra que chegou à Universal depois de assistir a um programa de televisão. “Estava com depressão, uma dor intensa no peito e parecia que eu tinha uma bola na garganta. Dava vontade de pegar uma faca e furar o local para tentar fazer com que a dor fosse embora.

Em 11 anos, contatei quatro psicólogos, psiquiatra particular, tudo o que o dinheiro poderia comprar e nada resolvia”, diz.

Hoje, livre da dor, Eliana destaca que, ao longo desses 20 anos, não participou das reuniões apenas quando fraturou a coluna. “E só me ausentei agora por causa da pandemia”, observa.

Ela faz parte do grupo Calebe – que presta apoio espiritual e social à melhor idade. Atualmente, ela tem acompanhado as reuniões pelas transmissões nos canais da Universal. “As reuniões nos trazem o Espírito, mesmo que sejam assistidas pela tela”, esclarece.

LUGAR SANTO
Por tudo que viveu na caminhada da Fé, Eliana pode falar da importância das reuniões presenciais. “A Igreja nos leva a crer e a conhecer o poder da Fé. A cada reunião me renovo espiritualmente, me edifico não só pela Palavra que é passada, mas pelo Espírito dEla.”

Ela salienta que a Igreja faz falta: “a Obra de Deus continua e fico feliz em ver os jovens, os obreiros e os Pastores fazendo a minha parte na medida do possível, mas sinto falta de estar nesse lugar que é puro, consagrado. Quando acabar a quarentena, a primeira coisa que vou fazer é estar lá. A Igreja é um lugar santo, onde nos entregamos à Presença de Deus.”

De fato, a presença de Deus atrai e sempre vai atrair os que têm sede e necessidade dEla. Há os que voltarão às Igrejas apenas para fazer um passeio religioso. Estes correrão o risco de permanecer cristãos espiritualmente ocos e, talvez, sem nenhuma experiência espiritual para contar neste período de isolamento.

Mas há muitos que sentem o desejo de que o Pai veja o Filho retornar à sua Casa e esperam ardentemente que as portas se abram. Esses compartilham desse mesmo Espírito: “Ó Deus, tu és o meu Deus (…), a minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água; Para ver a tua força e a tua glória, como te vi no santuário.” (Salmos 63.1-2).

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Colaborador

Flavia Francellino / Fotos: Demetrio Koch