Relato de uma médica que recorreu a Deus para salvar a paciente

Entenda a importância da fé para lidar com a pressão inerente ao exercício da profissão

Imagem de capa - Relato de uma médica que recorreu a Deus para salvar a paciente

‘“Dra. Raquel? Está acordada? Temos um chamado de remoção aqui’.

Eram 18h50. Não fazia 10 minutos que eu havia deitado no conforto médico. Tinha acabado de orar pedindo a Deus um plantão abençoado e, se possível, mais tranquilo. Eu estava tão cansada! No dia anterior tinha encarado um plantão na madrugada. Tênis no pé. Estetoscópio e carimbo na mão. ‘Vamos!’ 

1h30 de viagem. Chuva. Trânsito. Paciente obesa, cardiopata, hipertensa, diabética… Sinais vitais normais. A transferimos para a maca da ambulância e partimos. Eu, a paciente e uma enfermeira atrás. Motorista voando lá na frente. Olhei para a paciente, olhei para o monitor e vi que ela estava rebaixando…. Saturação de oxigênio estava caindo: 90%, 88%, 87%… pedi a enfermeira que colocasse um cateter de oxigênio. Ela colocou. Foi ligar e olhou para mim assustada: ‘Doutora, o oxigênio não está funcionando!’

‘Como assim não está funcionando? Vocês não fizeram o check list antes de sairmos da base? Gente, pelo amor de Deus! A paciente está dessaturando!’

Quando a fé é a única saída

Ela, meio confusa, porque tinha feito a checagem corretamente, sem entender o porquê do oxigênio não sair pelo cateter, e eu ali tentando, de todas as formas, ligar. E tentando me equilibrar naquela ambulância, segurar meu enjoo, pensar no que eu iria fazer… ‘Por favor, atualize o monitor para vermos quanto está a pressão dela e a frequência cardíaca’. E o pior que podia acontecer, acredite, aconteceu: ‘Doutora, não acredito, acabou a bateria do monitor.’

 ‘Meu Deus!’ Ali eu quis desaparecer! Sem O2. Sem monitoramento. A paciente era tão obesa que nem o pulso eu estava conseguindo ouvir. Fechei meus olhos. Eu tremia! Estava gelada e ao mesmo tempo molhada de suor.  Em pensamento gritava em oração: ‘Meu Deus! O que eu faço? Preciso do Senhor aqui! Agora! Me ajuda! Não sei o que fazer! Ainda falta uma hora para chegarmos ao hospital. O que eu devo fazer?’

Meu coração acelerado, meus olhos molhados. Então, ouvi um “piiii.” Era o monitor. Um milagre tinha acontecido real! ‘Doutora, 78% de O2’.

Vi num cantinho um cilindro. ‘O que é aquilo?’

Eufórica e enquanto conectava o aparelho na paciente, a enfermeira me disse que era o oxigênio portátil e se perguntava como ela não o tinha visto antes. Eu sabia. Eu tinha certeza: Deus estava ali. Agora me diz: Quem é O Médico dos médicos? Ele é! ”

 O ser humano por trás do profissional

O relato acima é de Raquel Delatorre, uma jovem médica de 26 anos. Embora, recém-formada a Dra. Raquel, já experimentou momentos de muita tensão, agonia e desespero, no exercício da profissão.

Ela descreve com riqueza de detalhes o misto de emoções que tomam conta do profissional em situações de extrema tensão e  que exigem dele equilíbrio emocional e psicológico para que consiga, em fração de segundos, tomar a decisão certa, a fim de salvar a vida do paciente.

A fé como aliada

O depoimento dela revela o lado humano do profissional da saúde que tem a difícil missão de, diariamente, lidar com a vida e a morte. Para administrar bem a pressão da responsabilidade que a profissão impõe é fundamental estar bem fisicamente, emocionalmente e espiritualmente.

Para Raquel a fé tem sido a sua principal aliada.

“Todos os dias procuro me aperfeiçoar para entregar aos meus pacientes o meu melhor! O meu tudo! O meu máximo! Mas sei que há coisas que não estão no meu poder realizar! Muitas vezes as pessoas confundem achando que o médico tem como função trazer a cura, a solução… que ele sempre tem que saber o que deve fazer. E nem sempre é assim. Por isso que muitos são frustrados, angustiados, depressivos… vivem com essa cobrança, sabe?”, reflete.

Dia do prestígio ao profissional da saúde

Por essa razão o Grupo da Saúde, irá promover neste domingo (26), “O dia do prestígio ao profissional da saúde”, para mostrar a esses profissionais o quanto eles são valorosos para a sociedade e o quanto nos importamos com o seu bem-estar.

Será um dia para “nos colocarmos no nosso lugar e reconhecermos que apesar de todo o nosso conhecimento, sem uma mente sã não seguiremos felizes e leves. Estar prostrada diante de Deus, me assegura confiança para encarar qualquer desafio diante da minha profissão”, finaliza a médica.

O evento acontecerá às 9h30 no Templo de Salomão, localizado na Av. Celso Garcia, 605, no Brás, zona leste da capital paulista, e em todos os templos da Universal. Consulte aqui os endereços.

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Colaborador

Jeane Vidal / Fotos: Getty Images e Cedida