Com crises epilépticas desde a infância, André Luiz buscou solução na fé

Saiba como ele encontrou a qualidade de vida que as medicações não lhe ofereciam

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O segurança André Luiz da Cruz, de 52 anos, teve uma infância “sem emoções fortes”, como ele descreve. Isso porque, desde os 6 anos, sofria com crises epilépticas. “Minha brincadeira era com varetinhas. Não podia correr nem tomar sol, porque tudo era visto pela minha família como algo perigoso para a minha saúde. E, mesmo assim, com todos esses cuidados, eu tinha convulsões. Eu desmaiava e, quando voltava, já estava todo machucado, com os braços e o rosto ralados.”

Ele dependia de um tranquilizante e anticonvulsionante à base de clonazepam: o Rivotril. “Tomava todos os dias e, aos poucos, as doses foram aumentando”, recorda.

O TRATAMENTO
Ele fazia acompanhamento com um médico neurologista todos os meses. Um psiquiatra também chegou a acompanhá-lo. Mas, apesar das medicações e das orientações, as crises não cessavam. “Além disso, eu era uma criança nervosa e tinha insônia. As doses do tranquilizante foram aumentando, inclusive para que eu também tivesse um sono tranquilo – minha mãe pedia isso ao médico. Só que, mesmo com remédios, nunca cheguei a ter um sono bom. Tinha pesadelos, acordava todos em casa e minha mãe tinha que me acordar”, conta.

Com crises recorrentes e sem saber mais o que fazer, a família, então, buscou ajuda em uma casa religiosa, onde foi proposta uma internação em um hospital psiquiátrico. Foram três internações, todas elas no serviço público de saúde. A primeira foi aos 12 anos. “Minha mãe havia falado que ia me levar para passear. Fui animado achando que ia ficar sozinho, que ia poder brincar e me divertir. No entanto, ao chegar, percebi que estava em um hospital. Minha primeira internação durou 120 dias e minha família me visitava quinzenalmente ou uma vez por mês”, relata.

As outras internações aconteceram quando ele tinha 15 e 17 anos. Ambas duraram 90 dias. Ele explica que elas aconteceram novamente porque seu comportamento agressivo – e não apenas as crises – pioraram com o passar do tempo.

Para ele, a última internação foi marcante. “Nessa época, já estava em um relacionamento quando fui internado no hospital, no interior de São Paulo. Foi a primeira vez que fui medicado com Gardenal, que também não me ajudou.

Tive outras crises a ponto de tomar um ‘sossega-leão’, um calmante muito forte.” Ao voltar para casa da internação, as crises lhe acompanharam.

Meses depois, já com 18 anos, casado e empregado em uma grande empresa, ele passou por uma decepção amorosa.

“Me lembro que eu trabalhava de vigilante em uma agência dos Correios, em Bauru (SP), quando tive outra crise. Quando me levaram para casa, flagrei a traição da minha ex-esposa”, conta. Foi a partir daí que ele começou a sustentar a ideia de suicídio.

A REAÇÃO QUE A FÉ PEDE
André Luiz (foto abaixo) acabou se mudando para São José do Rio Preto, também no interior de São Paulo. Outra decepção amorosa foi o gatilho para que ele colocasse em prática a ideia de acabar com a própria vida. “Eu me preparei para me jogar do viaduto Washington Luiz, quando um motorista de táxi passou e me puxou na hora que iria pular. Ele me levou à Universal. Isso foi em 1992 e, de lá para cá, nunca mais saí”, acrescenta.

Apesar de se sentir bem com as reuniões, as crises epilépticas persistiam. Para quem está semanalmente sentando nas poltronas da Igreja, diante de tantos testemunhos de cura e milagres pela fé, estar nessa situação era algo que deveria soar, no mínimo, como incoerente.

Ele estava frequentando a Igreja, mas, durante os seis primeiros meses, não estava colocando em prática tudo que aprendia. “Sempre tive aquela ideia na cabeça: que sempre fui um menino doente, que ia viver doente e ia morrer doente. Mas, quando entendi que pela fé tudo é possível e que eu precisava mudar, minha mente também mudou”, explica.

Problema solucionado
E foi o que aconteceu quando participou das reuniões de cura, que acontecem sempre às terças-feiras. Na época, o propósito de fé vivido na corrente era sobre os 12 apóstolos de Jesus, remetendo à época dos grandes milagres. Foi então que as crises cessaram.

“Quando realmente tomei uma decisão, houve a manifestação do poder de Deus. Me libertei, me batizei nas águas e me entreguei a Deus totalmente. Desde então, tenho vida normal, não tomo remédios, não tenho mal-estar nem convulsões. Eu mal tenho uma dor de cabeça e durmo bem. Sem dúvida, a fé foi algo fundamental para que a cura acontecesse”, finaliza.

Hoje, André Luiz serve a Deus como obreiro e, há dez anos, é casado com Elisabete Inácio Silva Cruz.

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Colaborador

Flávia Francellino / Fotos: Demetrio Koch