Sofrimento emocional: como as redes sociais podem intensificar sentimentos negativos
Estudo indica que interações nas plataformas podem ampliar a exposição a publicações negativas e reforçar ciclos de pensamentos prejudiciais
O fim de um relacionamento, os problemas no trabalho ou os conflitos familiares podem provocar tristeza, ansiedade e preocupação. Nessas situações, passar horas nas redes sociais pode intensificar sentimentos negativos, especialmente quando o usuário encontra repetidamente conteúdos relacionados ao que está vivendo.
Um estudo atribuído à Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) aponta que os sistemas de recomendação podem utilizar as interações dos usuários para apresentar publicações semelhantes às que despertaram seu interesse, inclusive aquelas relacionadas a emoções negativas.
Esse processo não depende apenas das pesquisas realizadas na plataforma. O tempo que uma pessoa permanece assistindo a um vídeo, por exemplo, pode servir como sinal de interesse para o algoritmo.
Assim, mesmo sem procurar determinado assunto, o usuário pode receber cada vez mais conteúdos semelhantes.
Um ciclo de conteúdos negativos
Segundo os dados apresentados, os pesquisadores analisaram mais de 8 mil vídeos do TikTok e identificaram recomendações com informações potencialmente prejudiciais à saúde mental.
Entre os exemplos estão vídeos que estimulam autodiagnósticos sem avaliação profissional, apresentam informações incorretas sobre transtornos mentais ou sugerem que pensamentos positivos são suficientes para superar qualquer sofrimento.
Além disso, os pesquisadores observaram que determinadas interações podem aumentar a exposição a conteúdos semelhantes, criando ciclos de recomendação difíceis de interromper.
Quando os pensamentos se repetem
A exposição frequente a conteúdos que reforçam preocupações pessoais pode favorecer a ruminação, caracterizada pela repetição persistente de pensamentos negativos.
Nessas situações, a pessoa pode interpretar os vídeos como uma confirmação de tudo o que sente, mesmo quando as publicações apresentam explicações simplificadas ou sem fundamento científico.
Consequentemente, o consumo contínuo desse tipo de conteúdo pode dificultar o afastamento de pensamentos que provocam sofrimento.

Especialistas recomendam desenvolver senso crítico diante das publicações e lembrar que vídeos curtos não substituem informações confiáveis ou orientação profissional.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) também chama a atenção para os riscos associados ao uso problemático das redes sociais, especialmente entre adolescentes.
Por isso, algumas atitudes podem ajudar a manter uma relação mais equilibrada com as plataformas:
- Estabeleça limites: defina horários para acessar as redes sociais e evite passar longos períodos rolando o feed;
- Selecione os conteúdos: deixe de seguir perfis que provocam desconforto ou reforçam pensamentos negativos;
- Reduza as notificações: desative alertas desnecessários para diminuir as interrupções ao longo do dia;
- Priorize atividades presenciais: reserve momentos para exercícios físicos, lazer e convivência com familiares e amigos;
- Busque informações confiáveis: desconfie de vídeos que apresentam diagnósticos ou soluções rápidas para problemas emocionais.
O perigo da comparação
Além dos conteúdos negativos, as redes sociais frequentemente apresentam padrões idealizados de aparência, sucesso e felicidade.
Para quem enfrenta dificuldades emocionais, a comparação constante com essas publicações pode intensificar sentimentos de frustração e inadequação.
Pesquisas identificam associações entre determinados padrões de uso das redes sociais e problemas como sintomas depressivos e baixa autoestima. Entretanto, esses resultados não significam que as plataformas sejam a única causa dessas dificuldades.
Assim, o equilíbrio é fundamental. Embora as redes sociais possam facilitar a comunicação e o acesso à informação, é importante reconhecer quando seu uso começa a prejudicar o bem-estar.
Quando o sofrimento emocional persiste ou interfere na rotina, buscar orientação de um profissional de saúde mental é uma medida importante.
Onde buscar ajuda?
O projeto Depressão Tem Cura (DTC) oferece acolhimento e apoio espiritual a pessoas que enfrentam sofrimento emocional, incluindo aquelas que convivem com ansiedade e depressão.
Além disso, quem deseja conversar e receber uma palavra de fé pode procurar um Agente do Bem em uma Igreja Universal próxima.
O acolhimento espiritual pode complementar, mas não substitui, o acompanhamento de profissionais de saúde quando necessário.
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