Ela carregava a mágoa como uma armadura
Por anos, Aurelinalva Coelho acreditou que guardar ressentimentos a protegeria de novas decepções, mas isso a deixou presa ao sofrimento
Natural do Piauí, a operadora de almoxarifado Aurelinalva Magalhães Coelho, de 47 anos, cresceu em um lar marcado por rejeição. “Minha mãe dizia que não gostava de mim. Meu pai bebia muito e havia muitas brigas em casa”, relembra.
Já adulta, ela se mudou para o litoral de São Paulo, onde conheceu o companheiro com quem viveu por 13 anos e teve uma filha. Após a morte dele, em 2010, ela permaneceu com a família do falecido.
Mais tarde, iniciou outro relacionamento, mas passou a enfrentar dificuldades financeiras, fechou a loja que mantinha e acumulou dívidas. “Eu não dormia, ouvia vozes e cheguei a desejar a morte, mas pensava na minha filha”, diz.
Ela perdeu a moradia e viu o relacionamento terminar sem explicação. Ao descobrir que tinha sido vítima de trabalhos espirituais praticados por uma cunhada, afastou-se da família e da filha, alimentando mágoa e ódio. “Eu me fechei para não ser ferida novamente.”
Quando chegou ao limite
Em busca de recomeço, ela se mudou para Barueri (SP) para morar com a irmã, mas teve de lidar com o abandono. “Minha irmã saía cedo, me deixava sozinha, sem comida, e depois pediu que eu saísse de casa”, explica.
Em 2017, Aurelinalva passou a frequentar a Universal. Ela conseguiu um emprego e passou a morar sozinha, mas enfrentava problemas financeiros e depressão. Ela ainda descobriu nódulos benignos na mama e encarou esse desafio. Apesar disso, até 2023, ela guardou mágoa de quem a tinha magoado.
A transformação
Em 2024, Aurelinalva reconheceu diante de Deus que não conseguia perdoar. Naquele dia, por fim, ela liberou o perdão. “Foi como tirar um peso enorme dos meus ombros. Depois disso, alcancei a libertação, recebi o Espírito Santo e minha vida começou a mudar. Antes eu vivia de cara fechada; agora, tenho alegria”, conta.
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